segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Antes tarde do que nunca | Crítica | Gravidade

Por Thandy Yung

Angústia. Se fosse necessário definir o filme Gravidade (Gravity) em uma palavra, ela seria angústia, ou agonia, ou aflição, ou desespero. Pode escolher. Para a pessoa claustrofóbica que vos escreve, foi uma verdadeira batalha criar coragem para lidar com uma hora e meia de possível sufocamento no vácuo.



Comecemos, então, pela história: Ryan Stone (Sandra Bullock) está em sua primeira missão espacial, quando uma nuvem de destroços de satélite entra em rota de colisão com sua nave e sua estação. A partir daí, caos e desespero.

O enredo gira em torno das dezenas de tentativas de Stone em sobreviver e “reentrar” na Terra. O grande destaque vai para a capacidade de imersão que roteiro e direção conseguem juntos. Planos de câmera, som (e a ausência dele), visão em primeira pessoa. A soma desses elementos faz com que se esqueça o colega sentado na cadeira ao lado e se concentre exclusivamente no que acontece na tela.

Em contrapartida, à exceção da vasta criatividade em como lascar alguém no espaço, não há muita reviravolta na história. Stone se lasca, se lasca, se lasca até não se lascar mais. Meio previsível. No entanto, não dá para negar que existe – sim – uma escolha ousada e corajosa em um dos desfechos do filme (sem spoiler, prometo).



Esqueça Miss Simpatia, Velocidade Máxima ou Casa do Lago. É em Gravidade que Bullock consegue – finalmente – mostrar seu potencial e desempenhar o melhor papel de sua carreira. Com uniforme espaciais e solta à deriva, só resta voz e olhos para interpretar e, em momento algum, a atuação que se entrega é rasa ou falsa. A transformação de emoções é nítida nos olhos castanhos da atriz. Talvez a lista de indicadas ao Oscar já tenha um nome garantido.

Agora, se nem atuação nem roteiro conseguirem te convencer, a fotografia o fará. Gravidade é simplesmente lindo, as imagens de nascer e pôr-do-sol e da aurora boreal vistas do espaço são sensacionais. Impossível não se render ao pensamento de que a Terra é maravilhosa e que se parece uma obra de arte.

Apesar das agonias, Gravidade é um filme que consegue uma coisa que há muito não se sente na tela grande: prender completamente a atenção durante todo o filme. Vale reservar um tempinho na agenda.

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:)

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