quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Especial Verdurão | Laranja Mecânica

Por Thandy Yung

Antes de iniciar este post, esta pessoa que vos escreve precisa fazer uma confissão: tenho o DVD de Laranja Mecânica há - pelo menos - uns quatro anos e NUNCA tive coragem de assistir inteiro. Sempre fiquei bastante alterada e agitada e parava com 20 ou 30 minutos de filme. Pois é, mas pauta passada é pauta cumprida e meu compromisso de escrever para vocês falou mais alto (apesar de eu ter enrolado quatro dias para começar a ver). Então, vamos ao que interessa.



No filme, o jovem Alex e seus três drugues (algo como comparsas) investem as noites para espalhar violência gratuita pelas ruas da cidade. Bêbados velhos, jovens mulheres dentro de suas casas, membros de outras gangues, ninguém escapa deles. Mas isso parece chegar ao fim quando Alex é apanhado e preso. Na cadeia, uma proposta: a cura para as mentes violentas.

Alex passa por uma verdadeira lavagem cerebral e, após o "tratamento" passa a sentir mal estar e dor física sempre que pensa em cometer violência. Ou seja, ele não deixa de praticar violência porque aprendeu que é errado, e sim porque passa mal com isso. É daí que vem -  a propósito - o nome do filme. Baseado no dito da língua inglesa “As queer as a clockwork Orange” ou “Tão bizarro quanto uma laranja mecânica”, que se refere à alguém que perde seu poder de escolha, vive no automático.

Diferente do que eu imaginava, o filme não são duas horas de violência estúpida e gratuita. Apesar de isso existir. Mas Stanley Kubrick inicia com Laranja Mecânica uma discussão sobre as reações violentas da sociedade à quem é violento. Ao ser "curado" o protagonista sofre - pelas mãos de pessoas ditas dignas e civilizadas - violência parecida àquela que aplicava.

Em contraponto ao sangue, murros e bengaladas: música clássica. Mas não música clássica qualquer, Kubrick entrega um festival de Ludwig Van (sabe, um tal de Bethoven?) - compositor favorito do protagonista Alex.

Então, para quem - assim como eu - sempre foi meio "pé atrás" com Laranja Mecânica, vá sem medo. Apesar de violento, o roteiro é extremamente bem construído e pensar um pouco os rumos que o mundo anda tomando pode ser importante. Além do mais, o longa é um clássico. E clássicos, mesmo que tardiamente (42 anos depois é bem tardiamente), precisam ser vistos.

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@centraldecinema e @thandyung

Vem ver:




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16 comentários:

  1. Esse filme realmente da medo de assistir......porém, depois que se entrega a obra........fica impossível não rever.

    abs

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    1. Verdade, Renato.
      Terminei querendo assistir de novo. :D

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  2. Esse é um dos poucos filmes que eu sempre procuro assistir novamente e novamente... Em alguns momentos dá uma certa agonia de assistir, mas é muito viciante! Curto demais esse filme. Parabéns pela postagem

    Linkicha - http://linkicha.com.br/

    -

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  3. O termo correto é "DROOG'S" e não "drugues" e significa amigos, essas palavras que são "Slooshy" no filme não são de um idioma e sim uma mistura de Russo com inglês Britânico, são só gírias você não pode traduzir o Nadsat ou simplesmente "Skazat".

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    1. Adamo, obrigada pela dica. Eu me baseei na legenda do DVD - que escreve Drugues.
      Mas obrigada, mesmo assim, por contar para a gente a origem do vocabulário.

      :D

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  4. Nunca assistiu, e quer falar sobre.
    Meu deus ein...

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    1. Renidus, para falar algo assim, você claramente não acompanha nosso blog e não conhece nossa política.
      Jamais escreveríamos sobre algum filme sem ter assistido.
      Nunca tinha assistido completo, por medo, agonia, motivos pessoais. Venci tudo isso e assisti justamente para poder escrever sobre. ;)

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  5. Olá Thandara!
    Primeira vez no seu blog e gostei muito da sua análise.
    Concordo sobre sua conclusão quanto às atitudes da sociedade. E deixo meu ponto de vista de que o filme também demonstra que a violência é intrínseca ao ser humano e sem ela perdemos completamente o senso de auto-preservação. Alex era totalmente passivo frente às agressões psicológicas e físicas após seu tratamento, logo, violência tem uma medida, assim como tudo na vida.
    Ah como curiosidade este "tratamento" pelo qual Alex passou é usado de maneira semelhante(com medicações) em alcoolistas e há alguns anos ilegalmente e cheio de ignorância para "tratar" homossexualidade.

    Parabéns pelo blog

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  6. Tem alguma coisa a ver com a Holanda e futebol?

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    1. Não. Só com inteligencia e bom gosto...

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  7. Nunca é tarde para assistir a uma obra de arte como essa. O que é bom não envelhece.

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  8. Esse filme é simplesmente genial. Tentei fazer uma crítica dele há algum tempo e simplesmente não consegui sintetizar todas as ideias, e preferi não falar nada até ter capacidade mental pra isso kkk
    Sobre o filme, caramba... Não tem muito o que dizer, é uma viagem ao poço do fundo do instinto selvagem humano, pois, o que deLarge e os Droogs fazem não tem nenhuma outra origem se não essa. Eles não querem nada em especial, só querem "barbarizar." Ah, eu falei que o filme era genial, né? Faltou dizer que é completamente doentio.
    Ótimo blog, se puder, dê uma passadinha lá no meu, estou começando agora, então, se chegar a ler, não espere nada ao nível do Central, haha
    www.baconcinema.blogspot.com.br

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  9. O filme é fantástico! E quando Kubrick mostra a que ponto chega o cinismo e o oportunismo político, em seu grande e fantástico final´e o ponto alto e o climax perfeito do filme! A nova terapia anti violência aplicada pelo governo, divulgada como a "solução final" e da qual os políticos, quando a ideia não funciona, voltam atrás sem pensar duas vezes. A última cena (repito: fantástica) em que o governador dá de comer na boca do Alex e logo depois chama a imprensa, o que leva Alex a um orgasmo imaginando as mordomias/excessos/putaria que virão, é GENIAL!!! Tenho o DVD e assito novamente de tempos em tempos. É sempre atualíssimo!

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  10. Filme Muito Bom !

    http://www.lugarcertoimoveis.com.br

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  11. Assisti o filme pela primeira vez há menos de um mês e gostei muito também. Só depois soube que o filme é de 1971, não pensei que fosse tão antigo, mas independentemente da época continua extremamente atual.

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