sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Comencrítica | Lovelace

Por Davi de Castro

Chega a ser clichê as muitas histórias sobre a fama e o triste bastidor por trás dela. Mas Lovelace (2013) vai além ao retratar a trajetória da estrela pornô de Garganta Profunda (1972), Linda Lovelace – vivida por Amanda Seyfried, que, fazendo jus ao nome de sua personagem, nunca esteve tão linda. Dirigido por Jeffrey Friedman e Rob Epstein, o roteiro de Andy Bellin se baseia no livro de memórias de Linda, publicado em 1980. É, também, um filme sobre exploração e violência. 


Linda é uma garota inocente, submissa e muito reprimida por sua família conservadora, sobretudo pela controladora mãe, vivida por uma Sharon Stone irreconhecível. Aos poucos, sob influência de sua melhor amiga, ela vai rompendo as amarras de seus pais. Até que em uma festa encontra o homem que iria marcar sua vida, seu futuro marido Chuck Traynor, na excelente performance, intimidadora e pertubante, de Peter Sarsgaard. Malandro nato, Chuck consegue conquistar até a afeição da truculenta mãe.

Com o marido, Linda aprende tudo sobre sexo e não tarda a descobrir sua habilidade "profunda". Quando os “negócios” de Chuck vão mal ("Nunca pergunte o que eu faço”), ele decide partir para outro ramo, o dos filmes pornôs, incumbindo, à força, sua esposa da missão de atuar. Até aí a relação dos dois aparentava normal como qualquer outra, exceto com uma pista ou outra deixada ao longo da narrativa.

É quando o filme dá uma virada e como se tudo que tivéssemos visto até então fosse apenas aquilo que o público daquela época tivesse conhecimento. Nos bastidores, porém, a história era outra – com pouco glamour e muita tortura psicológica. O longa dá um zoom nas entrelinhas e remonta a obscura realidade de Linda. 


O design de produção impressiona com sua ambientação dos anos 1970. A estética do filme nos remete, de fato, às producoes desenvolvidas naquele período. Contado e re-contado sob duas perspectivas, Lovelace não se torna enfadonho e consegue prender a atenção em seus 93 minutos. O maior problema é que, mesmo sob as duas ópticas, o roteiro, em todas elas, reduz Linda a uma condição: vítima

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