sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Comencrítica | Jobs

Por Davi de Castro

Em um mundo em que até adolescentes com carreiras musicais meteóricas ganham direito a cinebiografias, nada mais justo que eternizar a trajetória de vida de uma das mentes mais criativas do século 21: Steve Jobs. É uma pena que com Jobs, dirigido por Joshua Michael Stern, esta oportunidade se revele tão aquém de seu homenageado.



O roteiro peca ao se prender mais no Jobs criador/empresário/futuro-CEO que no Steve estudante/amigo/filho/namorado/pai/visionário/gente-como-a-gente. Se você não é um applemaníaco como eu e sabe muito pouco sobre Jobs e a Apple, não espere descobrir muita coisa sobre ele nesse longa. O Google vai ser muito mais útil. O filme é sobre a Apple ou sobre Jobs? 

De todo modo, é possível perceber a personalidade criativa, geniosa, ambiciosa e perfeccionista de Steve, sobretudo, no período pré-Apple, ainda na faculdade. No início de 1976, ele funda, ao lado de seu amigo e programador Wozniak, a Apple Computer Inc com o objetivo de criar computadores pessoais. Daí em diante, o filme apresenta a trajetória de vitórias e quedas profissionais de Jobs, jogando para o plano de fundo suas relações pessoais e o Steve fora do ambiente corporativo. E tudo que nos resta a descobrir é um designer com um talento nato como orador, líder e motivador, ao passo que vemos sua pouca maestria em lidar com relacionamentos e administrar sua carreira, bem como o pouco que lhe resta (ou é mostrado) de sua vida pessoal.

Fica uma lacuna e várias dúvidas: Como era sua relação com seus pais? Quando e como aceitou sua filha? Como conheceu sua esposa e teve mais um filho? O que fez, de fato, quando foi afastado da Apple, além de colher cenoura e criar a concorrente NeXT? E a Pixar? Como se vê, o filme retrata um Jobs unidimensional: aquele da Apple. 

No papel de maior desafio de sua carreira, Kutcher é eficiente, mas não brilhante. É verdade que ele aparenta mais à vontade encarnando Jobs à medida que a história se desenvolve (ou porque acostumamos com a postura e o andar um tanto esquisito e desconfortável de Jobs – ainda mais nas cenas ainda jovem). Suas expressões e gestos, por vezes, soam mais como maneirismos que o Jobs de verdade. O maior êxito de Kutcher é mesmo a aparência física com a qual a maquiagem eficientemente consegue lhe conferir.

Jobs não teve a mesma sorte que Mark Zuckerberger (co-fundador do Facebook), retratado com tanta maestria pelas mãos do grande David Fincher. A considerar sua personalidade exigente e “cri-cri”, certamente ele detestaria a obra de Stern. Mas seu filme não é de todo ruim (só não é bom ou não estaria nos padrões Apple). É, vale considerar, pretensioso demais em querer comportar 56 anos de vida em pouco mais de duas horas.

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3 comentários:

  1. Quero assistir ao filme.....porém, não tenho expectativa. Biografias sempre são complicadas e difíceis.

    abs

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  2. O autor do post conseguiu sintetizar o que eu senti ao ver o filme: falta profundidade em diversos momentos.

    Pra falar a verdade, existem até falhas de roteiro (como a falta de explicação sobre sua 1a filha).

    Não é de todo ruim, mas não se deve ter muitas expectativas.

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  3. Filme Fraco !

    http://www.lugarcertoimoveis.com.br

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