quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Comencrítica - Vendo ou Alugo

Chega às telas mais uma comédia produzida nacionalmente. Vendo ou Alugo inova com humor politicamente incorreto e pela maioria de personagens femininos. O longa, que ganhou 12 prêmios no festival Cine PE, destaca-se entre as outras comédias nacionais, mas nem sempre consegue escapar do estilo pastelão.







Maria Alice (Marieta Severo) mora com a mãe, a filha e a neta num casarão no Leme, no Rio de Janeiro, ao lado do morro. A família, que aparenta já ter sido rica um dia, precisa vender a casa urgentemente para pagar as dívidas. A diretora, Betse de Paula, arriscou em uma história fora do comum e acertou na maior parte do tempo.


Em Vendo ou Alugo, nenhum personagem tem a moral questionada. Alice tem dívidas espalhadas pela casa e isso não parece ser grande coisa. Sua mãe, interpretada por Nathália Timberg, promove jogos em sua casa para suas amigas, as Tartarugas. Sua filha, Sílvia Buarque (que também é sua filha na vida real), é uma ambientalista que passou muito tempo no meio do mato longe da filha. A neta,  Beatriz Morgana, aparenta ser a mais ajuizada da família e é filha de um deputado corrupto. A favela é retratada de modo incomum. Mesmo relatando os problemas sociais, Betse de Paula dispensou alguns clichês, mas não o humor.



Marcos Palmeira, que interpreta o papel de um traficante do morro ao lado da mansão, promove um casal inusitado com Maria Alice e que funciona muito bem. A empregada sonha em receber os atrasados com a venda da casa e faz uma parceria com a patroa para vender doces de festa. O pastor tem dinheiro (em espécie) suficiente para comprar a casa e tem um passado no crime. Todos com as suas diferenças e fazendo graça disso. A maioria das personagens são mulheres de personalidade forte e independentes, o que é uma novidade no cinema brasileiro e um recurso pouco utilizado nas comédias em geral.

Em relação ao humor, as falas poderiam ter sido mais elaboradas e, às vezes, o roteiro parece ter sido escritas por pessoas diferentes que não entraram num consenso. No início, o que marca são cenas do cotidiano que não provocam gargalhadas, mas que são engraçadas. Tanto pela realidade em si, quanto pelo modo como ela é mostrada. Mas ao acompanhar o final do filme, o tom muda e ele caminha para aquelas coisas absurdas bem ao estilo pastelão, que poderia ter sido evitado.

É um filme bastante agradável e que deve atrair o público que tem se divertido com as comédias nacionais, que estão em alta, vide outros longas do gênero, como Minha Mãe é uma Peça, que já foi assistido por mais de 4 milhões de pessoas em 2013, De Pernas Pro Ar 2 que levou quase 5 milhões no fim de 2012 e Se Eu Fosse Você 2, que levou mais de 6 milhões aos cinemas, em 2009. 

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