quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Comencrítica | Frances Ha

Por Samara Correia

Frances Ha cativa a todos logo de início por diversos fatores, mas o principal deles é sua protagonista. Frances, lindamente interpretada por Greta Gerwig, é um mulher normal: não encontrou o maior amor de sua vida, não é extremamente inteligente nem talentosa, não é a mais bonita e sexy, não é a mais divertida e sagaz, não é rica, é só uma pessoa tentando levar a vida e alcançar sonhos nem sempre alcançáveis.



A trama gira, basicamente, em torno dessa menina mulher de 27 anos, que deixou sua cidade natal para tentar a vida em NY. Sem dinheiro, inicialmente ela divide apartamento com sua melhor amiga Sophie, Mickey Sumner, que de tão próximas são definidas como “um casal de lésbicas que não faz sexo”. Com o caminhar da história, Frances passa por outras moradias, que vão ajudando em seu crescimento pessoal.

Aspirante a dançarina, porém, sem tem talento suficiente, Frances é apenas aprendiz da companhia que integra. Quantas vezes já nos encontramos nessa situação, querendo algo, mas não sendo boa o suficiente? Quantas frustrações já passamos por conta disso, e quantas vezes já superamos esse obstáculo? A protagonista é como um espelho onde cada um de nós podemos enxergar nossos sonhos e nossas impossibilidades.

Coprodução entre Estados Unidos e Brasil, Frances Ha foi dirigido por Noah Baumbach, e estrelado e co-escrito por Greta Gerwig. Um filme indie em preto e branco que valoriza os diálogos e as nuances dos atores. De acordo com Baumbach a obra foi rodada dessa forma para reduzir a trama à suas nuances mais básicas e criar uma "espécie de nostalgia instantânea”, e de fato, o clima de nostalgia é forte até mesmo para quem ainda não passou dos 20 e poucos anos. Além disso, causa um certo choque pessoas usando smartphones em uma trama sem cores, fica deslocado, uma sensação de invasão da tecnologia, principalmente quando Frances, reclama de sua amiga Sophie que não larga o “celular que recebe e-mails”.

A trilha sonora é um dos pontos fortes da obra, e está presente em uma de suas cenas mais lindas, quando Frances corre dançando pelas ruas de NY ao som de David Bowie, a trilha conta ainda com Paul McCartney, The Rolling Stones, os clássicos Sebastian Bach, Maurice Jaubert, Amadeus Mozart e Georges Delerue, grande compositor da Nouvelle Vague.


Além da vida pessoal, o filme trata de relacionamentos, mas não de encontrar o grande amor. Uma das grandes qualidades do filme é mostrar que isso não é essencial. Estamos falando das amizades, dos familiares, das diversas relações que estabelecemos, quem queremos ao nosso lado, quem perdemos pelos acasos da vida, quem fica longe, mas permanece perto. 

Acredito que qualquer pessoa pelos seus 20 e poucos anos vai identificar-se com os dilemas de France e todo o terror e glamour dessa fase da vida: sem dinheiro, sem um grande talento aparente, vendo o crescimento dos amigos e sentindo ficar para trás. Além disso, Frances Ha mescla ótimos diálogos, momentos muito divertidos (a cena na qual  Frances sai correndo para buscar dinheiro no caixa eletrônico está entre as mais cômicas que já vi na vida), e sem grandes apelos emocionais. Tudo dosado, para que você saia do cinema amando e torcendo pela Frances.


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