segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Comencrítica | Bling Ring: A gangue de Hollywood

Por Samara Correia

Dinheiro, roupas de marca, status, imagem e exposição: é sobre isso e tudo que gira em torno desse mundo que Bling Ring: A gangue de Hollywood fala. Baseado em fatos reais, o filme conta a história de jovens que, entre 2008 e 2009, furtaram o equivalente a 3 milhões de dólares em casas de celebridades, como Paris Hilton e Lindsay Lohan. O roteiro tem como base o artigo da jornalista Nancy Jo Sales, publicado pela revista Vanity Fair em 2010: “The Suspects Wore Louboutins”.

Com roteiro e direção de Sofia Coppola, Bling Ring mostra desde a formação da gangue até o seu fim. Coppola optou por não fazer grandes julgamentos, mas apenas mostrar toda história de forma quase imparcial, para que cada um tire suas conclusões, o que funciona muito bem, afinal, a narrativa é tão absurda que não há necessidade de uma condenação didática ou moral.

Logo no início da trama somos colocados diante da cena de um furto, pessoas encapuzadas invadindo uma casa, com extrema facilidade diga-se de passagem. Tudo ocorre em silêncio, captado por câmeras de segurança, uma ação aparentemente comum. Uma vez dentro da casa, saímos do som ambiente para uma batida de hip-hop, a câmera passa a acompanhar de perto os assaltantes, e percebemos a transformação: capuzes são retirados e a imagem é de jovens muito bem vestidos divertindo-se com toda situação, um grande choque de realidade. Essa dualidade é trabalhada durante todo o filme.

O culto à imagem é o grande tema em debate no longa. Somos bombardeados com celebridades falando sobre o que gostam de fazer, quais lugares frequentam, posando para mídia, e depois, vemos o mesmo tipo de comportamento em jovens, tirando fotos para redes sociais, e contando uns para os outros onde estiveram e o que fazem. Um padrão de comportamento, bastante sedutor e perigoso, sendo construído.


A gangue é liderada por Rebeca, Katie Chang, em ótima atuação, e composta por Marc, Israel Broussard, Nicki, Emma Watson, Sam, Taisa Farmiga, Chloe, Claire Julien. Todos ricos, bonitos e populares. O quinteto até causa empatia, não são personagens de má índole, na verdade, são deslumbrados. No fim, o sentimento é de pena. São jovens viciados em drogas e bebidas, não têm atenção da família, são mimados e constroem relacionamentos superficiais.

Rebeca é a personagem que mostra até que ponto o deslumbramento pode chegar. Ela carrega um verdadeiro culto às celebridades, em algumas cenas do filme essa questão é muito bem pontuada. Enquanto Rebeca sente prazer em saber que está na casa da celebridade, usando algo que pertence a um famoso que ela tanto venera, os outros furtam para conseguir dinheiro e roupas, sapatos e acessórios de grife. 

O filme, parcialmente linear, mostra, entre as cenas dos furtos, os adolecentes tentando explicar em juízo o que os levou a praticar os crimes. O que percebemos nesses momentos é o grau de alienação a que eles chegaram. Em um dos momentos mais divertidos do filme, enquanto é interrogada, Rebeca pergunta ao investigador se ele falou com Lindsay, ele diz que sim, e ela pergunta o que Lindsay disse sobre ela. 

Bling Ring é um bom filme, trilha sonora agradável (uma constante nos filmes de Sofia Coppola), gente bonita (não lembro de nenhuma pessoa feia no longa), muito luxo e riqueza. É o retrato extremo daquilo que muitos de nós desejamos, afinal, quem não gostaria de entrar na intimidade daquela celebridade adorada?!

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