quinta-feira, 20 de junho de 2013

A tardia Comencrítica | Somos Tão Jovens.

Esse texto chega tardiamente ao blog. Mas, já dizia o ditado, antes tarde do que nunca.

Antes de iniciar uma argumentação sobre Somos Tão Jovens uma informação precisa estar bem clara na cabeça de quem vai assistir ao filme: NÃO é uma biografia do Renato Russo, e sim a história da formação das grandes bandas de rock que surgiram na capital do Brasil. Dito isso, vamos ao filme.




Renato Russo não foi a melhor das pessoas para se conviver, isso é fato e está registrado em relatos e entrevistas. Os motivos que tornaram Russo objeto de admiração são suas composições e melodias, sua arte. Sendo assim, nada mais justo do que transformar em filme o lado mais admirável de alguém que foi um grande artista, mas uma pessoa não tão admirável assim.

E é por esse motivo que resmungos pós-sessão como “não acredito que não vão mostrar ele morrendo” não se justificam. Sim, Renato é o foco porque ele foi o precursor de toda a "revolução musical". Mas é como em Titanic: escolhe-se uma pessoa como âncora para uma história muito maior. Assim como o Titanic é mais do que Jack e Rose, o rock de Brasília é muito maior que Renato (embora, muitas vezes, ele tenha sido seu rosto).

  
Se fosse necessário definir o processo de criação de Somos tão Jovens em uma palavra, esta seria “cuidado”.  Atenção aos detalhes – uniforme do Marista, gramadinho na Colina, por exemplo – e escolha de músicas icônicas fazem com que o projeto final seja um filme cheio de minúcias e detalhes.

Da parte técnica, congratulações para as escolhas de planos de câmera – que se alteram de acordo com o clima entre as bandas ou humor de Russo.  E para o elenco, especialmente por Thiago Mendonça – que traz à tona todas as esquisitices e chatices - e quanta chatice - do trovador solitário. Além disso, é preciso ressaltar que é Thiago quem canta todas as músicas - palmas, pois fazer um bom cover de Renato não é para qualquer um. 

Um trabalho para brasilienses. Não há, em nenhum canto do Brasil, público que vá entrar mais na magia da história do que os moradores de Brasília. Para quem compreende o que é não ter nada para fazer, ou sentar entre os blocos para bater papo, toda a história faz mais sentido. E a trajetória de ícones e mitos torna-se mais palpável. Pensar que se passa todos os dias por ruas e bancos que foram inspiração para músicas cantadas há décadas em todo o Brasil é contagiante.

Um trabalho para fãs. É simplesmente mágica a sensação  de compreender a trajetória e inspiração de músicas marcantes, como Por Enquanto e Que País é Esse... A cada acorde tocado ou frase cantada, pelos do corpo reagem e o resultado é sentido na pele.

Um comentário:

  1. Estou doido para assistir ao filme afinal, Renato Russo foi meu representante musical. Porém, filho de 3 meses nos dificulta idas ao cinema.

    Espero que realmente o diretor tenha sido cuidadoso com a história do líder do Legião.

    abs

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