sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Crítica | O Hobbit - A Desolação de Smaug

Por Thandy Yung


Chega aos cinemas do mundo inteiro nesta abençoada sexta-feira 13 O Hobbit: a desolação de Smaug, segundo filme da trilogia baseada na obra de J.R.R.Tolkien – autor também de O Senhor dos Anéis (LOTR). O que Peter Jackson entrega é um filme lindo (oi, Nova Zelândia), completo, emocionante e intrigante – mas sem sair dos seus moldes.



O primeiro filme da trilogia foi muito criticado por ser arrastado demais e ter muito “bla bla bla”. Nesse aspecto, A Desolação de Smaug ganha pontos e tem muito mais cenas de ação. 

Mas vale lembrar: a Terra Média não é a Miami Beach de Velozes e Furiosos. Existe muita história para contar, e se você espera elfos rodopiando e orcs correndo durante todo filme, nem se dê ao trabalho de comprar o ingresso. As lutas estão lá – e assim como em O Senhor dos Anéis, são épicas – mas elas não são o filme.

Pausa para falar de uma grande polêmica: “existe motivo para dividir em três filmes”? Sim. Apesar de ser apenas um livro, a história de O Hobbit é muito cheia de minúcias. Se fosse contada em apenas dois filmes, tudo seria explicado de maneira rápida e superficial, o que é muito injusto com a detalhada obra de Tolkien. 

Momento da segunda polêmica: em alguns aspectos, o filme é bem melhor do que o livro. Calma, eu explico. Existem passagens na obra literária, como a cena dos barris, que tem grande potencial cinematográfico, mas são pouco aproveitadas nas páginas. Nesse sentido, palmas para toda a equipe de adaptação, que consegue extrair de cenas não tão boas assim, momentos de tirar o fôlego. Os destaques, para mim, são as cenas dos barris e os momentos com  o dragão Smaug dentro de Erebor.



Saindo da zona das polêmicas, Smaug é – indiscutivelmente – o melhor dragão da história do cinema. Tanto em personalidade, quanto graficamente. Gollum/Seméagol já tinham mostrado ao mundo o poder da boa tecnologia, mas em Smaug isso se torna ainda mais assustador. Os olhos e expressões faciais do dragão exalam maldade e ganância, impossível não ficar tenso enquanto ele tenta te matar com palavras antes de cuspir fogo.

E, falando em ganância, o foco do filme aos poucos começa a mudar. Cada personagem libera – alguns sutilmente, outros nem tanto – sua paixão por ouro, poder ou pelo UM anel. Dessa forma, convivemos mais com outros anões, que antes eram apenas citados. Ponto positivo, pois deixa de concentrar a simpatia do público apenas em Bilbo. Bilbo esse que se mostra muito mais sagaz do que o Hobbit “respeitável” que saiu do Bolsão um ano antes.

Não dá para falar de Hobbit 2 sem falar do “retorno de Legolas” (tu dum tss). Se quando você assistiu LOTR achou o elfo foda (desculpa, não tem outra palavra que possa definir ele), prepare-se para querer tatuar o nome dele na sua pele. O que vemos na primeira trilogia é o orelha-pontuda aposentado. Essa versão 60 anos antes é muito mais ágil, preciso e porradeiro, chegando a brigar na mão com orcs. Ainda no universo élfico, funcionou muito bem a sacada de Jackson de criar a personagem Tauriel (Evangeline Lily), a elfa equilibra a ausência de personagens femininos na obra de Tolkien e acrescenta muito às batalhas e ao enredo.

Por fim, vale falar que o último corte do segundo filme foi filho da puta (desculpa, mais uma vez, pelo palavrão). Em meio à batalha extrema e à morte iminente de todos os personagens, a câmera fecha em um Bilbo assustado e o filme termina (leve spoiler, selecione para ler). Sensação de “nãããããããão” e de ficar puto por ter que esperar um ano para ver como tudo termina.

Amanhã vou assistir em 48 FPS, e aí eu adiciono um ps. no post sobre isso. 

E, já falamos sobre o trailer de O Hobbit aqui, e sobre o primeiro filme aqui

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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Antes tarde do que nunca | Crítica | Gravidade

Por Thandy Yung

Angústia. Se fosse necessário definir o filme Gravidade (Gravity) em uma palavra, ela seria angústia, ou agonia, ou aflição, ou desespero. Pode escolher. Para a pessoa claustrofóbica que vos escreve, foi uma verdadeira batalha criar coragem para lidar com uma hora e meia de possível sufocamento no vácuo.



Comecemos, então, pela história: Ryan Stone (Sandra Bullock) está em sua primeira missão espacial, quando uma nuvem de destroços de satélite entra em rota de colisão com sua nave e sua estação. A partir daí, caos e desespero.

O enredo gira em torno das dezenas de tentativas de Stone em sobreviver e “reentrar” na Terra. O grande destaque vai para a capacidade de imersão que roteiro e direção conseguem juntos. Planos de câmera, som (e a ausência dele), visão em primeira pessoa. A soma desses elementos faz com que se esqueça o colega sentado na cadeira ao lado e se concentre exclusivamente no que acontece na tela.

Em contrapartida, à exceção da vasta criatividade em como lascar alguém no espaço, não há muita reviravolta na história. Stone se lasca, se lasca, se lasca até não se lascar mais. Meio previsível. No entanto, não dá para negar que existe – sim – uma escolha ousada e corajosa em um dos desfechos do filme (sem spoiler, prometo).



Esqueça Miss Simpatia, Velocidade Máxima ou Casa do Lago. É em Gravidade que Bullock consegue – finalmente – mostrar seu potencial e desempenhar o melhor papel de sua carreira. Com uniforme espaciais e solta à deriva, só resta voz e olhos para interpretar e, em momento algum, a atuação que se entrega é rasa ou falsa. A transformação de emoções é nítida nos olhos castanhos da atriz. Talvez a lista de indicadas ao Oscar já tenha um nome garantido.

Agora, se nem atuação nem roteiro conseguirem te convencer, a fotografia o fará. Gravidade é simplesmente lindo, as imagens de nascer e pôr-do-sol e da aurora boreal vistas do espaço são sensacionais. Impossível não se render ao pensamento de que a Terra é maravilhosa e que se parece uma obra de arte.

Apesar das agonias, Gravidade é um filme que consegue uma coisa que há muito não se sente na tela grande: prender completamente a atenção durante todo o filme. Vale reservar um tempinho na agenda.

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segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Trailer Comentado | Orc Wars

Por Thandy Yung

Se existe uma raça de criaturas que combina com o clima de fantasia de histórias épicas, são os orcs. Assimilar fantasiais medievais com eles é fácil. Difícil mesmo é pensar nas horrendas criaturas usando pistolas ou sendo eletrocutados por tasers. Pois é isso que se vê em Orc Wars.



É preciso explicar que esse filme entrou na pauta pela reação “WTF!” que ele gerou quando assisti ao trailer. Confesso que a reação imediata foi buscar por mais informações, para checar se o filme existia mesmo. Bem, ele está no IMDb e tem página oficial no Facebook. Não há muito informação a respeito de um lançamento no Brasil, ou até mesmo de um nome traduzido para cá.

O que mais impressiona é a qualidade da caracterização,  que lembra bastante (considerando, é claro, as limitações por conta de orçamento) os Orcs de O Senhor dos Anéis, trilogia clássica de filmes do gênero.

No resumo da história, “um herói de guerra precisa defender sua fazenda do ataque de orcs e de seu furioso dragão”. Imagino que o filme não deva ser uma obra prima (para ser mais sincera, acredito que deva ser uma porcaria). Mas acho que vale tentar a experiência antropológica de interagir orcs, dragões, quadriciclos e espingardas.

E como estamos aqui para fugir do “lugar comum”, eis a sugestão de trailer da semana. No mínimo, vai dar para rir das cenas.



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terça-feira, 1 de outubro de 2013

Trailer Comentado | O Hobbit - A Desolação de Smaug

Por Thandy Yung

Caros amigos, o senhor Peter Jackson publicou na página oficial dele no Facebook o novo trailer de O Hobbit – A Desolação de Smaug. E, é com toda a empolgação de ter acabado de ver o vídeo que venho aqui. E, só tenho uma palavra para definir o trailer: Foda! (E aqui, minha editora chefe vai precisar me dar o perdão do uso do palavrão).



Primeiro, de muitos, pontos positivos: cenas totalmente novas. Esquece aquela feia mania que os estúdios têm de não mudar praticamente nenhuma cena de um trailer para o outro.

Segundo, pelo o que parece, o segundo filme da trilogia vai ser muito menos parado do que o primeiro. É só prestar atenção em como as coisas foram organizadas nesses dois minutos. Terceiro, as cenas estão lindas e temos mais elfos, mais anões, mais humanos. Tudo isso resulta em mais história e mais enredo.

Quarto, DRAGÃO! Precisa falar algo mais?

Eu achei sensacional a escolha das cenas. Achei muito boa a maneira que eles montaram e fiquei super empolgada e desejando dezembro. Ponto – de novo – para Peter Jackson.



A estreia de O Hobbit – A Desolação de Smaug acontece no dia 13 de dezembro.
Já falamos sobre O Hobbit aqui.

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sábado, 28 de setembro de 2013

Crítica | Uma Família do Bagulho

Por Lucas Madureira

Sabe aquele tipo de filme que você não espera nada? Pois é, Uma Família do Bagulho tem esse efeito. Mas o Diretor Rawson Marshall conseguiu fazer um trabalho bom. Não é uma Brastemp, mas cumpre o papel da comédia, de fazer seu público rir. É um filme repleto de clichês e de boas gargalhadas. 

Rosen (Jennifer Aniston) é uma stripper que finge ser casada com David (Jason Sudeikis), um traficante, e mãe de dois filhos, Casey (Emma Roberts), a sem-teto, e Kenny (Ed Helms), um cara de 18 anos que nunca beijou uma garota. E juntos eles formam os Millers

O traficante precisa pagar uma alta grana para seu fornecedor. Ele tem a opção de ir buscar uma carga no México e quitar sua dívida. O problema é: como atravessar a fronteira sem ser pego? Ele tem a ideia de formar uma falsa família e fingir que está a passeio. Junta o traficante, a stripper, a sem-teto e o BV e vão atrás da grana. A viagem traz algumas surpresas para os personagens, e nessas surpresas surgem os momentos cômicos do longa.

O clichê inicia com Jeniffer Aniston mais uma vez encarnando a Rachel (sim, ela sempre revive a Rachel em seus personagens). Ele continua com os casais óbvios se formando e com traficantes mexicanos. Mesmo assim, o filme tem momentos de muitas gargalhadas. Está em casa sem nada para fazer? Precisando rir? Vá assistir Uma Família do Bagulho, mas não é bom ver acompanhado dos pais/tios/sogros. Você rir de algumas piadas pode chocá-los.

AVISO: cenas de erros/gracinhas pós filme. Fiquem, vale à pena. Principalmente se você for fã de Friends.
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domingo, 22 de setembro de 2013

Trailer Comentado | Blue Jasmine

Por Ericka Guimarães

Dia 15 de novembro está chegando e será mais um dia para prestigiar o diretor que toma conta do meu ser cinéfilo. Woody Allen está de volta às telas com Blue Jasmine.

Depois do caso que teve com a Europa e que gerou sete filmes, Allen está de volta aos Estados Unidos. Agora, mais especificamente, em um bairro classe média de São Francisco. Jasmine, interpretada por Cate Blanchett, é uma socialite de Nova York que perde todo dinheiro e se vê obrigada a morar com a irmã, que tem pouco contato. A partir deste contexto, Woody Allen mostra aquilo que ele mais conhece: o drama, a traição, as neuroses, mentes aflitas, fragilidade humana.

Além de Blanchett, o elenco conta com Alec Baldwin, que esteve também em dois outros filmes do diretor: Para Roma, com Amor, e Simplesmente Alice, de 1990.

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quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Crítica | Elysium

Por Ericka Guimarães

O ano é 2154 e o planeta Terra está largado à miséria e à criminalidade. Grandes favelas se formam pelo mundo todo enquanto os ricos constroem seu próprio mundo, bem longe "dessa gente". Esse novo lugar chama-se Elysium, o paraíso numa estação espacial onde tudo é perfeito, as pessoas são limpas, bonitas, educadas e tem a cura de todas as doenças. É claro que alguém apareceria para quebrar essa barreira. Esse homem é Max (Matt Damon). Max sempre sonhou em partir para Elysium, mas quando se vê com apenas 4 dias de vida, percebe que a sua única salvação está naquele planeta artificial, que não foi criado para ele.

Quem dirige o longa é Neil Blomkamp, o mesmo de Distrito 9. Em Elysium, quem faz a invasão são os "terráqueos", ao planeta dos "elysianos". Mais do que ação, o filme tem uma mensagem política e ambiental, sobre desperdício, meio ambiente e segregação social.

Em Elysium, dois brasileiros participam de forma fundamental. Wagner Moura, pela segunda vez nas telas gringas, é Spider, um cara que tenta, do seu modo, se dar bem na Terra. Um personagem que brinca na linha entre o bom e o mau sujeito. Continua sendo o sensacional Wagner Moura dos filmes daqui. É ele quem manda os imigrantes ilegais para Elysium. Alice Braga, já queridinha de Hollywood, interpreta Frey, a garota que é o grande amor de Max e que tem uma filha que também precisa ser curada. Ela fará o que for necessário para que isso aconteça.

Além da mensagem política, Elysium é um filme de ação e ficção científica. Muitos tiros, muitos corpos explodindo. Muita violência. Damon ainda tem um quê de Bourne e luta, corre, pula, briga e atira com muita naturalidade. A polícia na Terra e outras autoridades são feita por droides e Elysium é toda controlada por sistemas informatizados cheios de robôs, naves e máquinas que curam.

O que mais chamou atenção no longa foi o choque de realidade. O planeta Terra, abandonado, de 2154, não é muito diferente do que pode ser visto em várias partes do mundo atualmente. Assim como em Distrito 9, Blomkamp quis priorizar isso: a realidade da pobreza, da segregação.

O roteiro não é dos mais elaborados, mas não chega a ser completamente previsível. A fotografia e os efeitos especiais do longa são incríveis. Com um elenco de peso, que, além dos já citados, conta com Jodie Foster (uma senhora super inteirona, com seus 108 anos, que é Secretária de Defesa e cuida da  segurança de Elysium com mão de ferro), Elysium agrada visualmente e causa reflexão.

Chega mais:

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Recomendamos | Liga da Justiça: o Paradoxo do Tempo

Por Thandy Yung

A DC Comics passou anos meio mal das pernas nas telonas. À exceção dos recentes Homem de Aço e trilogia Cavaleiro das Trevas, nada que prestasse saía do forno da marca – vide Lanterna Verde e Superman, o Retorno. Sem contar o projeto Liga da Justiça, que há anos parece se arrastar apenas no imaginário dos fãs. Pois estamos aqui hoje para falar de uma coisa que a DC faz muito bem (e, diga-se de passagem, melhor do que a Marvel): filmes de animação.



A indicação do dia é o longa Justice League: Flashpoint Paradox – ou Liga da Justiça: o Paradoxo do Tempo. O roteiro é extremamente bem construído, mas o que realmente me enche olhos é a coragem trazer um protagonista inusitado: a história é contada sob o ponto de vista do Flash.

Após usar sua super-velocidade para voltar no tempo e alterar o passado, Flash se vê obrigado a lidar com uma nova realidade: o mundo está um caos completo e absoluto. Mulher Maravilha e suas amazonas estão em guerra declarada contra Aquaman e seu reino – e não se importam nenhum pouco com o que ou quem vai morrer no meio do caminho; clássicos salvadores do dia jamais viraram heróis e Batman é apresentado em uma versão muito menos humanitária. Se a realidade alternativa se tornar a única realidade, o mundo vai acabar. E apenas Flash tem poder o suficiente para reverter seu próprio erro.



Em moldes do cinema geral, o roteiro tem um quê de Efeito Borboleta. A grande sacada fica por conta do nível de estranheza em descobrir quem virou o Coringa e como foi a morte que deu origem ao Batman, por exemplo. É um exercício bacana buscar as referências e como as histórias originais foram distorcidas.

A uma hora e meia do filme serve para deixar você angustiado pelo fim dessa realidade horrorosa. E ainda joga no ar a lição de que precisamos saber lidar com o que acontece na vida. O passado não pode ser alterado.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Trailer Comentado | Grudge Match

Por Ericka Guimarães

Dois lutadores resolvem se encontrar no ringue de boxe 50 anos após a última luta dos dois. Poderia ser um crossover entre Rocky e Touro Indomável, mas não é. Grudge Match, uma comédia com Sylvester Stallone e Robert De Niro ganha o seu primeiro trailer.

O longa é dirigido por Peter Segal e a última versão do roteiro é de Doug Ellin. Kim Basinger e Kevin Hart também fazem parte do elenco.

Um presente especial pros fãs de Rocky e a clássica cena do frigorífico!

A previsão é que o filme estreie por aqui em janeiro de 2014.

Vem cá:
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sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Especial Verdurão | My Blueberry Nights (Um Beijo Roubado)

Como se diz adeus a alguém sem o qual não consegue viver? Não se diz. Às vezes é preciso pegar o caminho mais longo para atravessar a rua.


Elisabeth (Norah Jones) descobre que o namorado tem outra mulher. Ela, então, termina com ele e deixa as chaves do apartamento no bar que eles frequentavam, caso ele as quisesse de volta. Ele, porém, não vai buscá-las. Elisabeth volta todas as noites ao bar para verificar se elas ainda estão lá (e elas sempre estão). Assim, conhece Jeremy (Jude Law), o dono do bar, um inglês que, um dia, já deixou suas chaves a espera de alguém também.

O nome do filme em português é Um Beijo Roubado. Teoricamente não deveria estrar neste especial. Mas, em inglês, ele se chama My Blueberry Nights. Blueberry é o nosso mirtilo e o ingrediente da torta que Elisabeth como todos os dias no bar de Jeremy e, sendo uma fruta, está qualificada para o especial.

Voltado à história. Incapaz de se despedir do ex e da vida que tinha com ele, Elisabeth põe o pé na estrada e viaja durante quase um ano, e encontra a dificuldade de se despedir em outras pessoas, seja o policial que não consegue aceitar o fim do casamento, ou a mulher (Natalie Portman, que mulher!) que vive de apostas nos cassinos e é incapaz de ter um relacionamento saudável com o pai.

Elisabeth precisou atravessar o país para chegar ao outro lado da rua. E seguir com a vida.

My Blueberry Nights é um filme estrelado por atores e cantoras (além de Norah Jones, Cat Power faz uma participação especial), por americanos e ingleses, tem um diretor chinês (Wong Kar Wai), a fotografia de um iraniano (Darius Khondji) e foi coproduzido na França, China e Hong Kong.

Wong Kar Wai utiliza a saturação de cores, os enquadramentos e closes e a câmera lenta para deixar a história um pouco mais melancólica. Dá, de vez em quando, a sensação de uma lembrança meio borrada.

É um filme sobre seguir em frente após as desilusões. É sobre rejeição (a torta de mirtilo e as chaves estão lá diariamente exemplificando isso) e superação. É sobre ter que se perder pra se encontrar novamente.

Vai lá:




Um Beijo Roubado na Saraiva em DVD e em Blu-Ray
Disponível também no catálogo do Netflix! <3 Procure por My Blueberry Nights

Comencrítica | Lovelace

Por Davi de Castro

Chega a ser clichê as muitas histórias sobre a fama e o triste bastidor por trás dela. Mas Lovelace (2013) vai além ao retratar a trajetória da estrela pornô de Garganta Profunda (1972), Linda Lovelace – vivida por Amanda Seyfried, que, fazendo jus ao nome de sua personagem, nunca esteve tão linda. Dirigido por Jeffrey Friedman e Rob Epstein, o roteiro de Andy Bellin se baseia no livro de memórias de Linda, publicado em 1980. É, também, um filme sobre exploração e violência. 


Linda é uma garota inocente, submissa e muito reprimida por sua família conservadora, sobretudo pela controladora mãe, vivida por uma Sharon Stone irreconhecível. Aos poucos, sob influência de sua melhor amiga, ela vai rompendo as amarras de seus pais. Até que em uma festa encontra o homem que iria marcar sua vida, seu futuro marido Chuck Traynor, na excelente performance, intimidadora e pertubante, de Peter Sarsgaard. Malandro nato, Chuck consegue conquistar até a afeição da truculenta mãe.

Com o marido, Linda aprende tudo sobre sexo e não tarda a descobrir sua habilidade "profunda". Quando os “negócios” de Chuck vão mal ("Nunca pergunte o que eu faço”), ele decide partir para outro ramo, o dos filmes pornôs, incumbindo, à força, sua esposa da missão de atuar. Até aí a relação dos dois aparentava normal como qualquer outra, exceto com uma pista ou outra deixada ao longo da narrativa.

É quando o filme dá uma virada e como se tudo que tivéssemos visto até então fosse apenas aquilo que o público daquela época tivesse conhecimento. Nos bastidores, porém, a história era outra – com pouco glamour e muita tortura psicológica. O longa dá um zoom nas entrelinhas e remonta a obscura realidade de Linda. 


O design de produção impressiona com sua ambientação dos anos 1970. A estética do filme nos remete, de fato, às producoes desenvolvidas naquele período. Contado e re-contado sob duas perspectivas, Lovelace não se torna enfadonho e consegue prender a atenção em seus 93 minutos. O maior problema é que, mesmo sob as duas ópticas, o roteiro, em todas elas, reduz Linda a uma condição: vítima

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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Comencrítica | Invocação do Mal

Por Davi de Castro

Há tempos um filme de terror não me dava medo como Invocação do Mal (The Conjuring, 2013). Dirigido por James Wan (sim, o mesmo diretor do primeiro Jogos Mortais), o filme, assim como a maioria do gênero, também é baseado em "casos reais". A trama é basicamente aquela que você já deve ter visto pelo menos umas três vezes por aí: uma família com um cachorro se muda para uma casa nova, grande, com um super quintal, que acharam por um preço surpreendente. E o melhor: sem vizinhos por perto! 


Quando a esmola é boa demais, santo desconfia... não, pera. Eles nunca desconfiam. Até que as portas começam a ranger, panelas a bater, a filha mais nova começa a brincar com o amiguinho imaginário e uma série de esquisitices passa a tirar o sono da classe-média-sofre, sobretudo o da mãe, na assustada, sofredora e convincente atuação de Lili Taylor. Mas eis a cereja do bolo dessa invocação: a família não precisa contar com a boa vontade (às vezes inútil) de um padre. Eles têm a ajuda de um famoso casal de caça-fantasmas que, pasmem, não são farsantes: Lorraine e Ed Warren - vividos pela boa atuação de Vera Farmiga  e pela boa tentativa de Patrick Wilson.

Se ao sacar qual vai ser essa história você, assim como eu, também pensou que seria o mais do mesmo da chatice sem graça dos últimos filmes de terror, você, assim como eu, errou. A câmera lenta de Wan, a trilha sonora oportuna, os efeitos convicentes, os sustos inesperados e as boas atuações, mesmo em uma história que provoca certo dèja-vu, mostram que, em sintonia, fazem a diferença e tornam Invocação do Mal não um ótimo filme, mas um bom filme que cumpre seu propósito: assustar.

Vale ressaltar que o prólogo é não apenas desnessário como mal feito, beirando o tosca a nível dos episódios de terror que o Gugu costumava exibir em seu programa anos atrás (sério, é bizarro e incoerente com o nível do filme). O ato final também se mostra um equívoco, pois prolonga desnecessariamente a história, após o grande, pesado e esperado desfecho, tornando-a enfandonha.























[PS da Editora] E aí, vai ter coragem de olhar por esse espelho? A Warner disponibilizou um lugarzinho especial pra você ter uma sensação sobre Invocação do Mal. Eu não tive coragem de entrar, por motivos óbvios e completamente justificados. Mas aí você volta aqui e me conta se dá medo mesmo. Ele pede pra você aumentar o som e, se possível, usar a webcam. Você pode também contar aquela história sobrenatural que aconteceu com você, com um conhecido, ou sobre aquela casa mal assombrada do fim da sua rua. Compartilhar os medos, é assim que você descobre histórias piores que a sua. Divirta-se!

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terça-feira, 10 de setembro de 2013

Recomendamos | Onde Mora o Coração

Por Ericka Guimarães

Eis um resumo da história: Novalee (Natalie Portman), uma adolescente de 17 anos, está grávida do namorado. Eles decidem se mudar pra Califórnia. No meio do caminho, ela precisa parar no mercado pra comprar um par de chinelos. Imagina a surpresa que é, quando ela volta ao estacionamento, e o namorado foi embora sem ela.

Esse foi um filme em que eu não esperava nada por ele. Mas confesso que fico mexida desde o início com história de mulheres-grávidas-sozinhas. Assisti porque o Netflix foi inteligente ao perceber que eu tava numa vibe meio Natalie Portman (vi Closer e Um Beijo Roubado na mesma semana - Cara, essa mulher merece um especial aqui no Central) e fez a sugestão.

Um filme que pode parecer uma comédia romântica no início, depois vira um drama, depois vira um drama maior ainda, depois parece muito com a vida real. O que me espantou é que o filme é de 2000. Nessa época, Natalie Portman deveria ter seus 19/20 anos e consegue, no mesmo filme, interpretar uma garota inocente de 17 anos, uma garota assustada de 17 anos que luta pela sobrevivência do filho, uma jovem de 20 e poucos, uma mulher em busca do próprio sonho e uma super mulher capaz de segurar a barra da família e dos amigos nas piores tragédias. É tudo culpa do número 5, aliás.

Você vai rir com a rotina de moradora do Walmart, vai sofrer com as dificuldades, vai se surpreender em ver como Novalee consegue estabelecer uma vida com a ajuda de pessoas que, até então, eram estranhas pra ela, vai ficar emputecido com o cara que largou ela no meio de lugar nenhum, mas depois vai sentir compaixão por ele e por tudo que ele passa, em paralelo à vida de Novalee. Vai torcer pra tudo dar certo e, olha, pode ser que caia uns ciscos no olho de vez em quando.

Toda essa montanha-russa de sentimentos é obra do diretor, Matt Williams, que tem uma carreira ainda curta na direção de filmes, mas esteve na produção executiva de várias séries americanas bem sucedidas. Além de Natalie Portman, o elenco conta com outras mulheres fortíssimas, como Ashley Judd, Stockard Channing (quem lembra? <3) e Joan Cusack.

Dá o Play!





Onde Mora o Coração, disponível no catálogo do Netflix






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segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Trailer Comentado | RoboCop

Por Thandy Yung

O reboot do clássico RoboCop teve seu primeiro trailer divulgado.

Comandado pelo brasileiro José Padilha (Tropa de Elite e Tropa 2), o longa pode representar a entrada de fato do Brasil no universo de Hollywood – não que eu não admire o trabalho de brasileiros como Alice Braga e Santoro, mas para dirigir o buraco é mais embaixo.



Eis a sinopse divulgada do filme:

“Na trama, o conglomerado multinacional OmniCorp lidera a tecnologia robótica. Seus androides estão vencendo as guerras dos Estados Unidos ao redor do globo e agora eles pretendem aplicar essa tecnologia em solo americano. Quando Alex Murphy (Joel Kinnaman), marido e pai amoroso e bom policial, é salvo por um milagre de uma explosão premeditada, ele se torna a cobaia perfeita para ser o primeiro ciborgue da OmniCorp - a maneira de combater o crime com máquinas sem abrir mão da consciência humana.”

Confesso que, apesar de confiar no Padilha, estava com expectativas zero para o novo RoboCop. E que fiquei surpresa com o trailer. A construção do vídeo promocional conseguiu mesclar na medida certa as questões dramáticas do roteiro com cenas de ação. O momento de maior destaque do trailer surge aos 01:39. Nada mais clássico do que a arma saindo da coxa do policial-máquina.



RoboCop chega aos cinemas brasileiros em 21 de fevereiro de 2014.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Comencrítica | Jobs

Por Davi de Castro

Em um mundo em que até adolescentes com carreiras musicais meteóricas ganham direito a cinebiografias, nada mais justo que eternizar a trajetória de vida de uma das mentes mais criativas do século 21: Steve Jobs. É uma pena que com Jobs, dirigido por Joshua Michael Stern, esta oportunidade se revele tão aquém de seu homenageado.



O roteiro peca ao se prender mais no Jobs criador/empresário/futuro-CEO que no Steve estudante/amigo/filho/namorado/pai/visionário/gente-como-a-gente. Se você não é um applemaníaco como eu e sabe muito pouco sobre Jobs e a Apple, não espere descobrir muita coisa sobre ele nesse longa. O Google vai ser muito mais útil. O filme é sobre a Apple ou sobre Jobs? 

De todo modo, é possível perceber a personalidade criativa, geniosa, ambiciosa e perfeccionista de Steve, sobretudo, no período pré-Apple, ainda na faculdade. No início de 1976, ele funda, ao lado de seu amigo e programador Wozniak, a Apple Computer Inc com o objetivo de criar computadores pessoais. Daí em diante, o filme apresenta a trajetória de vitórias e quedas profissionais de Jobs, jogando para o plano de fundo suas relações pessoais e o Steve fora do ambiente corporativo. E tudo que nos resta a descobrir é um designer com um talento nato como orador, líder e motivador, ao passo que vemos sua pouca maestria em lidar com relacionamentos e administrar sua carreira, bem como o pouco que lhe resta (ou é mostrado) de sua vida pessoal.

Fica uma lacuna e várias dúvidas: Como era sua relação com seus pais? Quando e como aceitou sua filha? Como conheceu sua esposa e teve mais um filho? O que fez, de fato, quando foi afastado da Apple, além de colher cenoura e criar a concorrente NeXT? E a Pixar? Como se vê, o filme retrata um Jobs unidimensional: aquele da Apple. 

No papel de maior desafio de sua carreira, Kutcher é eficiente, mas não brilhante. É verdade que ele aparenta mais à vontade encarnando Jobs à medida que a história se desenvolve (ou porque acostumamos com a postura e o andar um tanto esquisito e desconfortável de Jobs – ainda mais nas cenas ainda jovem). Suas expressões e gestos, por vezes, soam mais como maneirismos que o Jobs de verdade. O maior êxito de Kutcher é mesmo a aparência física com a qual a maquiagem eficientemente consegue lhe conferir.

Jobs não teve a mesma sorte que Mark Zuckerberger (co-fundador do Facebook), retratado com tanta maestria pelas mãos do grande David Fincher. A considerar sua personalidade exigente e “cri-cri”, certamente ele detestaria a obra de Stern. Mas seu filme não é de todo ruim (só não é bom ou não estaria nos padrões Apple). É, vale considerar, pretensioso demais em querer comportar 56 anos de vida em pouco mais de duas horas.

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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Comencrítica | O Ataque

Por Ericka Guimarães

Depois de um ataque alienígena catastrófico em Independence Day, de destruir meio mundo em 2012 e o mundo inteiro em O Dia Depois de Amanhã, o diretor alemão Roland Emmerich resolve que está na hora de colocar a Casa Branca abaixo novamente (White House Down é o nome original do filme). Mas agora, amigos, o inimigo é outro.

















Em um momento atual em que os Estados Unidos estão na iminência de entrar em guerra com a Síria, O Ataque mostra um presidente pacifista (Jamie Foxx), que acredita mais no poder da caneta do que da arma, e deseja retirar as tropas americanas das zonas de conflito.

Enquanto isso, o ex-militar John Cale (Channing Tatum) tenta realizar um sonho de entrar para a equipe de segurança do presidente americano, mas falha na entrevista em razão do seu histórico, que aparenta não ser confiável. Depois da tal entrevista, Cale e sua filha decidem fazer um tour pela Casa Branca.


















É durante esse amistoso passeio que a Casa Branca é invadida. Os visitantes são feitos reféns e sobra pra quem? Sim, John Cale, o cara que havia acabado de ser reprovado para a segurança da presidência, proteger o presidente.

A fragilidade dos Estados Unidos, o patriotismo, as catástrofes e cenas de ação não são novidades nem nos filmes de Emmerich e muito menos nos outros filmes que abordam catástrofes e ataques terroristas. Não espere um roteiro 100% original (mesmo que a Sony tenha desembolsado US$ 3 milhões por ele). É um filme de ação com efeitos sensacionais e é isso que vai te prender na poltrona da sala de cinema.

O longa é  conduzido com muitas cenas de ação, coisas explosões, diálogos engraçadinhos entre uma cena de tiro e outra e o patrimônio histórico e cultural de valor inestimável guardado na Casa Branca se desfazendo. Com duas horas de filme e um ótimo trabalho de fotografia, a fórmula consegue fluir bem até o final. Usando boa uma dose de John (agora o Mclaine, de Duro de Matar) e Jack Bouer, da série 24 horas, O Ataque pretende agradar a esse público, que curte tudo isso. É só sentar e se divertir enquanto tudo explode, durante perseguições e armamento do mais pesados.

Confesso que a cena da menina Emily com a bandeira arracou uma lágrima dessa crítica que vos fala. Quem liga pra Casa Branca, a gente quer mesmo é salvar a garota! (e a paz mundial, se for possível)

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Especial Verdurão | Laranja Mecânica

Por Thandy Yung

Antes de iniciar este post, esta pessoa que vos escreve precisa fazer uma confissão: tenho o DVD de Laranja Mecânica há - pelo menos - uns quatro anos e NUNCA tive coragem de assistir inteiro. Sempre fiquei bastante alterada e agitada e parava com 20 ou 30 minutos de filme. Pois é, mas pauta passada é pauta cumprida e meu compromisso de escrever para vocês falou mais alto (apesar de eu ter enrolado quatro dias para começar a ver). Então, vamos ao que interessa.



No filme, o jovem Alex e seus três drugues (algo como comparsas) investem as noites para espalhar violência gratuita pelas ruas da cidade. Bêbados velhos, jovens mulheres dentro de suas casas, membros de outras gangues, ninguém escapa deles. Mas isso parece chegar ao fim quando Alex é apanhado e preso. Na cadeia, uma proposta: a cura para as mentes violentas.

Alex passa por uma verdadeira lavagem cerebral e, após o "tratamento" passa a sentir mal estar e dor física sempre que pensa em cometer violência. Ou seja, ele não deixa de praticar violência porque aprendeu que é errado, e sim porque passa mal com isso. É daí que vem -  a propósito - o nome do filme. Baseado no dito da língua inglesa “As queer as a clockwork Orange” ou “Tão bizarro quanto uma laranja mecânica”, que se refere à alguém que perde seu poder de escolha, vive no automático.

Diferente do que eu imaginava, o filme não são duas horas de violência estúpida e gratuita. Apesar de isso existir. Mas Stanley Kubrick inicia com Laranja Mecânica uma discussão sobre as reações violentas da sociedade à quem é violento. Ao ser "curado" o protagonista sofre - pelas mãos de pessoas ditas dignas e civilizadas - violência parecida àquela que aplicava.

Em contraponto ao sangue, murros e bengaladas: música clássica. Mas não música clássica qualquer, Kubrick entrega um festival de Ludwig Van (sabe, um tal de Bethoven?) - compositor favorito do protagonista Alex.

Então, para quem - assim como eu - sempre foi meio "pé atrás" com Laranja Mecânica, vá sem medo. Apesar de violento, o roteiro é extremamente bem construído e pensar um pouco os rumos que o mundo anda tomando pode ser importante. Além do mais, o longa é um clássico. E clássicos, mesmo que tardiamente (42 anos depois é bem tardiamente), precisam ser vistos.

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Vem ver:




Laranja Mecânica em DVD e Blu-Ray










Laranja Mecânica - O Livro - na Saraiva e na Fnac









Laranja Mecânica - O Livro - Edição Especial 50 anos - na Fnac e na Livraria da Travessa

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Recomendamos | Professor Peso Pesado

Por Thandy Yung

Calma, calma, calma. Nada de Ed Murphy aqui, ok?

Sexta a noite em fim de mês é sempre um drama. Ninguém quer ficar em casa e ir dormir cedo, mas grana para badalar é algo que não faz parte da realidade do bolso há uns dias. E foi assim, tentando não me afogar no tédio que descobri – na programação da Apple TV – o filme Professor Peso Pesado (Here Comes the Boom).

Antes de me aventurar: o trailer. A reação imediata foi “eita, é com o carinha de Hitch!” (Aquele que o Will Smith ajuda a ficar com a mulher diva). E foi justamente Kevin James que ganhou meu coração para dar logo o  play.

No filme, após o programa de música da escola ser ameaçado pela falta de verba, o professor de biologia Scott Voss (James) resolve ajudar as crianças. Para isso, ele vai precisar de nada menos do que 40 mil dólares. A resposta vem pouco antes da desistência: lutar MMA.

Espertamente, o longa aproveita o destaque mundial que vive o UFC e dá de presente cenas hilárias do treinamento e das lutas de um protagonista que – em nenhum aspecto – estaria apto a praticar a luta. Outro momento de esperteza se dá em procurar no meio dos octógonos ilegais os lutadores e membros reais do UFC - quase um jogo dos sete erros.

Analisando em contexto geral, o filme é só mais um e não traz nenhuma novidade no roteiro. Mas, o caminho percorrido está tão cheio de cenas inusitadas que vai ser impossível não se divertir.

O mais estranho é que o filme é uma produção recente (2012), mas não ganhou grande divulgação aqui no Brasil. Ele sequer chegou às salas dos cinemas nacionais. Mistérios de negociatas, porque em qualidade barra muitos filmes do gênero e seria sucesso de bilheteria por aqui.

Um professor da pesada traz a leveza e bagaceira que pede o início de um final de semana.

Trailer Comentado | A Filha do meu melhor amigo

Por Ericka Guimarães

Quem está acostumado a ver Hugh Laurie como o Dr. House tem, a partir do dia 6 de setembro, mais uma oportunidade de ver ele sem bengala, fora do hospital e em uma comédia. A Filha do meu melhor amigo conta também com outros astros da TV norte-americana, como Adam Brody (Seth Cohen <3), Leighton Meester (a Blair, de Gossip Girl) e Alia Shawkat, de Arrested Development.

 A vida da família Ostroff vira de cabeça pra baixo quando a filha Nina (Leighton Meester) termina um noivado e resolve voltar pra casa, mesmo depois de ter sumido por 5 anos. Além disso, Nina se interessa pelo vizinho da família, David (Hugh Laurie), que é o melhor amigo do pai dela.

A Filha do meu melhor amigo foi dirigido por Julian Farino, que tem um currículo extenso dirigindo séries e documentários, como a série Entourage. Atualmente ele é produtor-executivo e diretor da série da HBO Como Vencer na América. Este longa é o seu primeiro nos Estados Unidos.

Para Leslie Urdang, uma das produtoras do filme, "é raro você ler um roteiro em que ri o tempo todo e depois chora no final". E completa: " Para mim, o poder do filme está na demonstração de como as pessoas ficam juntas por precisarem de uma coisa palpável e valiosa da outra pessoa para seguirem em frente. E também na ideia de que, às vezes, as situações mais desastrosas são exatamente o que precisamos para acordar para nossas vidas." 

Vamos aguardar por essa comédia que promete uma relação famíliar não-idealizada, muitas risadas e, quem sabe, uma lágrima no final.

Veja o trailer!
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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Trailer Comentado | Serra Pelada

Por Ericka Guimarães

Serra Pelada, o próximo longa nacional a ser lançado pela Warner teve o seu primeiro trailer divulgado.

Fonte: Divulgação
Em Serra Pelada é contada a história da maior mina de ouro a céu aberto do mundo, mas na década de 80. O longa, dirigido por Heitor Dhalia, que também dirigiu O Cheiro do Ralo, conta a história da ganância e de como ela pode estragar uma grande amizade e corromper pessoas. Juliano, interpretado por Juliano Cazarré, e Joaquim, por Julio Andrade, partem para a mina atrás da promessa do ouro farto. A vida no garimpo, porém, muda tudo.

Além dos já citados, fazem parte do elenco Wagner Moura (que também é coprodutor), Sophie Charlotte e Matheus Nachtergaele

O filme é também um retrato histórico do período da corrida do ouro no Pará, que teve seu apogeu nos anos 80 e levou milhares de brasileiros a viver no e do garimpo. Atualmente, as atividades no local ainda são controversas, em razão da disputa entre garimpeiros e mineradoras.

Serra Pelada tem previsão de estreia para o dia 18 de outubro. Assista ao trailer!
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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Comencrítica | Frances Ha

Por Samara Correia

Frances Ha cativa a todos logo de início por diversos fatores, mas o principal deles é sua protagonista. Frances, lindamente interpretada por Greta Gerwig, é um mulher normal: não encontrou o maior amor de sua vida, não é extremamente inteligente nem talentosa, não é a mais bonita e sexy, não é a mais divertida e sagaz, não é rica, é só uma pessoa tentando levar a vida e alcançar sonhos nem sempre alcançáveis.



A trama gira, basicamente, em torno dessa menina mulher de 27 anos, que deixou sua cidade natal para tentar a vida em NY. Sem dinheiro, inicialmente ela divide apartamento com sua melhor amiga Sophie, Mickey Sumner, que de tão próximas são definidas como “um casal de lésbicas que não faz sexo”. Com o caminhar da história, Frances passa por outras moradias, que vão ajudando em seu crescimento pessoal.

Aspirante a dançarina, porém, sem tem talento suficiente, Frances é apenas aprendiz da companhia que integra. Quantas vezes já nos encontramos nessa situação, querendo algo, mas não sendo boa o suficiente? Quantas frustrações já passamos por conta disso, e quantas vezes já superamos esse obstáculo? A protagonista é como um espelho onde cada um de nós podemos enxergar nossos sonhos e nossas impossibilidades.

Coprodução entre Estados Unidos e Brasil, Frances Ha foi dirigido por Noah Baumbach, e estrelado e co-escrito por Greta Gerwig. Um filme indie em preto e branco que valoriza os diálogos e as nuances dos atores. De acordo com Baumbach a obra foi rodada dessa forma para reduzir a trama à suas nuances mais básicas e criar uma "espécie de nostalgia instantânea”, e de fato, o clima de nostalgia é forte até mesmo para quem ainda não passou dos 20 e poucos anos. Além disso, causa um certo choque pessoas usando smartphones em uma trama sem cores, fica deslocado, uma sensação de invasão da tecnologia, principalmente quando Frances, reclama de sua amiga Sophie que não larga o “celular que recebe e-mails”.

A trilha sonora é um dos pontos fortes da obra, e está presente em uma de suas cenas mais lindas, quando Frances corre dançando pelas ruas de NY ao som de David Bowie, a trilha conta ainda com Paul McCartney, The Rolling Stones, os clássicos Sebastian Bach, Maurice Jaubert, Amadeus Mozart e Georges Delerue, grande compositor da Nouvelle Vague.


Além da vida pessoal, o filme trata de relacionamentos, mas não de encontrar o grande amor. Uma das grandes qualidades do filme é mostrar que isso não é essencial. Estamos falando das amizades, dos familiares, das diversas relações que estabelecemos, quem queremos ao nosso lado, quem perdemos pelos acasos da vida, quem fica longe, mas permanece perto. 

Acredito que qualquer pessoa pelos seus 20 e poucos anos vai identificar-se com os dilemas de France e todo o terror e glamour dessa fase da vida: sem dinheiro, sem um grande talento aparente, vendo o crescimento dos amigos e sentindo ficar para trás. Além disso, Frances Ha mescla ótimos diálogos, momentos muito divertidos (a cena na qual  Frances sai correndo para buscar dinheiro no caixa eletrônico está entre as mais cômicas que já vi na vida), e sem grandes apelos emocionais. Tudo dosado, para que você saia do cinema amando e torcendo pela Frances.


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quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Novidades no Central de Cinema

Caros leitores e amigos queridos, vocês estão bem?

Espero que sim - e que este espaço ajude a melhorar seus dias.
Acho que vocês já perceberam que estamos super chiquetosos, de layout novo e com endereço de verdade, né? E as novidades não param por aí.


Passamos muito tempo em débito com este lindo blog mas agora voltamos, mesmo, com força total e gente nova na equipe. Quem acompanha nosso Twitter (se não, segue lá, @centraldecinema) sabe que agora temos o reforço da linda da Samara Correia, que vai fazer a gente crescer mais e ter mais conteúdo de qualidade para vocês.

Então fiquem espertos. Porque temos uma lista infinita de novos posts que estão sendo preparados com todo o cuidado especialmente para vocês.

Aaaaah! Tem mais uma coisa, antes que eu me esqueça: a gente resolveu levar a coluna "Frases de Filmes" para outra plataforma. Agora elas serão postadas no nosso Instagram (@centraldecinema, também) desse jeitinho da foto aí em cima.

A gente continua esperando que você dê sugestões de frases que gostaria de ver na nossa página, então, sinta-se livre para comentar no Insta, mandar email, fazer sinal de fumaça, comentar no blog, retuitar as frases. Estamos aqui para atender vocês.

Beijos, da equipe do Central.
E, sigam-nos!
:)

Comencrítica | Flores Raras









Por Samara Correia

A vida é repleta de recomeços e principalmente de perdas. Em Flores Raras, filme do diretor brasileiro Bruno Barreto, a alegria e a força da descoberta andam ao lado da melancolia e do sofrimento do fim. A trama, ambientada no Brasil das décadas de 50 e 60, tem como foco o romance entre a paisagista brasileira Lota de Macedo Soares, Glória Pires, e a poetisa Elizabeth Bishop, Miranda Otto. Ambas mulheres fortes que tiveram grande representatividade em suas áreas de atuação: Lota idealizou e supervisionou a construção do Parque do Flamengo e Bishop foi ganhadora do renomado prêmio Pulitzer, em 1956.

A obra, baseada no livro Flores Raras e Banalíssimas, de Carmem L. de Oliveira, mostra o nascimento do amor, seu auge e deterioração. Apesar de, inicialmente, atrair a curiosidade, o relacionamento entre duas mulheres não é o foco da trama, que poderia ser vivida por qualquer outro casal. O filme não levanta bandeiras; não aborda preconceito, apesar de em alguns momentos sermos lembrados de que ele existe; não existem dilemas pelo fato de duas mulheres criarem uma criança; não há dificuldades que não sejam cabíveis a todos os relacionamentos amorosos.

Bishop vem ao Brasil para passar alguns dias, mas, por questões de saúde, acaba ficando por mais tempo. Nesse período, Lota, que inicialmente tinha aversão pela estrangeira, começa a apaixonar-se. Assim vemos o surgimento do triângulo amoroso, já que a paisagista vivia com Mary, Tracy Middendorf, e a deixa para viver com Bishop. Temos aqui a primeira situação de perda, que será constante no filme: começos, fins, recomeços e desilusões figuras tão constantes no amor.

Apesar de brasileiro, o filme é quase todo em inglês, nas poucas vezes em que o português é utilizado, chega a soar estranho, principalmente, quando é falado por uma das atrizes estrangeiras, Otto ou  Middendorf. Glória Pires, que disse em entrevistas que não fala inglês fluentemente, teve que passar por aulas de inglês e trabalhos de fono para aperfeiçoar a pronúncia, o resultado final é satisfatória, e talvez, quem sabe, esse detalhe idiomático ajude o filme a ganhar espaço no mercado internacional.



Flores Raras tenta ser um filme delicado como a poesia de Bishop ou as obras de Lota, mas, apesar da pretensão, não consegue atingir totalmente o objetivo. Se por um lado Barreto cria cenas sutis e belas, como quando Cookie (apelido de Bishop) lava os cabelos negros de Lota e começa a ter os primeiros devaneios do livro Norte & Sul, que ganharia o Pulitzer; em outros perde-se em imagens altamente didáticas, como quando, por exemplo, Bishop recita um poema sobre perda e vemos o barquinho de uma criança afundado, quando as luzes do parque do Flamengo apagam subitamente ou quando uma chuva forte começa cair assim que iniciada uma briga.

Apesar dos deslizes no roteiro e direção, a fotografia, a cenografia e o figurino merecem destaque. Favorecido por uma linda locação (a casa da Lota no campo, Samambaia), o filme é recheado de belas paisagens, e de construções visuais muito interessantes. As casas e apartamentos são muito bem mobiliados e há fidelidade a época que o filme se passa. Tendo como principais cores azul, roxo e vermelho, quase sempre em tons envelhecidos, o figurino traça muito bem a personalidade das personagens. Lota, quase sempre de calça, blazer e colete, é forte e marcante; Bishop aparece com tecidos leves e roupas claras que destacam a alvura de sua pele, conforme vai ambientando-se ao Rio de Janeiro ganha figurinos mais coloridos.

Um filme bonito, mas não excepcional, tem a sorte de contar com uma história muito forte, mas peca por não conseguir uma unidade. Ao tentar, por exemplo, tratar das questões políticas do Brasil (ditadura) não tem grande sucesso. Porém, as protagonistas trazem grande riqueza para a obra, o trabalho de Glória e Miranda merece ser destacado e apreciado.

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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Comencrítica | Bling Ring: A gangue de Hollywood

Por Samara Correia

Dinheiro, roupas de marca, status, imagem e exposição: é sobre isso e tudo que gira em torno desse mundo que Bling Ring: A gangue de Hollywood fala. Baseado em fatos reais, o filme conta a história de jovens que, entre 2008 e 2009, furtaram o equivalente a 3 milhões de dólares em casas de celebridades, como Paris Hilton e Lindsay Lohan. O roteiro tem como base o artigo da jornalista Nancy Jo Sales, publicado pela revista Vanity Fair em 2010: “The Suspects Wore Louboutins”.

Com roteiro e direção de Sofia Coppola, Bling Ring mostra desde a formação da gangue até o seu fim. Coppola optou por não fazer grandes julgamentos, mas apenas mostrar toda história de forma quase imparcial, para que cada um tire suas conclusões, o que funciona muito bem, afinal, a narrativa é tão absurda que não há necessidade de uma condenação didática ou moral.

Logo no início da trama somos colocados diante da cena de um furto, pessoas encapuzadas invadindo uma casa, com extrema facilidade diga-se de passagem. Tudo ocorre em silêncio, captado por câmeras de segurança, uma ação aparentemente comum. Uma vez dentro da casa, saímos do som ambiente para uma batida de hip-hop, a câmera passa a acompanhar de perto os assaltantes, e percebemos a transformação: capuzes são retirados e a imagem é de jovens muito bem vestidos divertindo-se com toda situação, um grande choque de realidade. Essa dualidade é trabalhada durante todo o filme.

O culto à imagem é o grande tema em debate no longa. Somos bombardeados com celebridades falando sobre o que gostam de fazer, quais lugares frequentam, posando para mídia, e depois, vemos o mesmo tipo de comportamento em jovens, tirando fotos para redes sociais, e contando uns para os outros onde estiveram e o que fazem. Um padrão de comportamento, bastante sedutor e perigoso, sendo construído.


A gangue é liderada por Rebeca, Katie Chang, em ótima atuação, e composta por Marc, Israel Broussard, Nicki, Emma Watson, Sam, Taisa Farmiga, Chloe, Claire Julien. Todos ricos, bonitos e populares. O quinteto até causa empatia, não são personagens de má índole, na verdade, são deslumbrados. No fim, o sentimento é de pena. São jovens viciados em drogas e bebidas, não têm atenção da família, são mimados e constroem relacionamentos superficiais.

Rebeca é a personagem que mostra até que ponto o deslumbramento pode chegar. Ela carrega um verdadeiro culto às celebridades, em algumas cenas do filme essa questão é muito bem pontuada. Enquanto Rebeca sente prazer em saber que está na casa da celebridade, usando algo que pertence a um famoso que ela tanto venera, os outros furtam para conseguir dinheiro e roupas, sapatos e acessórios de grife. 

O filme, parcialmente linear, mostra, entre as cenas dos furtos, os adolecentes tentando explicar em juízo o que os levou a praticar os crimes. O que percebemos nesses momentos é o grau de alienação a que eles chegaram. Em um dos momentos mais divertidos do filme, enquanto é interrogada, Rebeca pergunta ao investigador se ele falou com Lindsay, ele diz que sim, e ela pergunta o que Lindsay disse sobre ela. 

Bling Ring é um bom filme, trilha sonora agradável (uma constante nos filmes de Sofia Coppola), gente bonita (não lembro de nenhuma pessoa feia no longa), muito luxo e riqueza. É o retrato extremo daquilo que muitos de nós desejamos, afinal, quem não gostaria de entrar na intimidade daquela celebridade adorada?!

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