terça-feira, 21 de agosto de 2012

Comencrítica | O Vingador do Futuro (2012)

Nos tempos em que roteiros inovadores se tornam cada vez mais escassos, os remakes ganham espaço nas salas de cinema. Apostar em um grande sucesso do passado acrescentando as inovações tecnológicas atuais tem sido fórmula de suscesso. Nessa atmosfesta, O Vingador do Futuro (Total Recall) chega aos cinemas brasileiros. Apesar de boas cenas de ação e de uma leve renovação no roteiro, o longa não tira o fôlego do público e fica devendo seus momentos de glória.



No filme, para o operário Douglas Quaid (Colin Farrell), a viagem pela mente soa como as férias perfeitas de sua rotina frustrante - memórias reais de uma vida como super-espião pode ser exatamente o que ele precisa. Mas quando a operação dá horrivelmente errado, Quaid se torna um homem caçado. Perseguido pela polícia - controlada pelo Chanceler Cohaagen (Bryan Cranston), líder do mundo livre - Quaid se alia à rebelde Melina (Jessica Biel) para encontrar o líder da resistência e derrotar Cohaagen. A linha entre a realidade e a fantasia fica turva e o equilíbrio de seu mundo está em risco, à medida em que Quaid descobre sua identidade, seu amor e seu destino reais

Como todo remake, as comparações com o original são inevitáveis. O modelo 2012 do longa é infinitamente menos violento do que o filme dos anos 1990. Enquanto o sangue jorrava aos litros – ultrapassando a linha do exagero - na cara de Schwarzenegger, com Farrell os sangramentos se limitam ao suficiente para manter a classificação indicativa em baixa. Ainda nas comparações, o filme está ligeiramente mais realista e a prova disso se dá em uma fala rápida de Doug: “minha munição acabou!”, coisa que não se vê Arnold dizendo por aí.


Apesar de menos violento no quesito sangue, o longa oferece interessante cenas de ação e lutas, principalmente os embates que contam com personagens femininas. Esqueça os clássicos tapas e puxões de cabelo, aqui – com a orbigatória roupa mais apertada – elas se enfrentam como soldados treinados. Mesmo com as boas cenas de luta e tiroteios para dar e vender, o filme parece ficar devendo e nem mesmo seu clímax deve conseguir levar o público à loucura.

A principal adaptação do roteiro se dá em trazer a aventura à um planeta Terra devastado no lugar de Marte. Nesse aspecto, as alterações são feitas de forma bastante aceitável e o universo vai bem. Mas nem tudo são flores e o tom se perde um pouco nas obrigatórias homenagens, como o aparecimento da mulher de três seios sem qualquer explicação aceitável de porque ela está lá, afinal ainda é a Terra.

O Vingador do Futuro de Farrell consegue ser redondinho, e se apresenta com um roteiro bem resolvido. Mas é muito linear e o pecado chega justamente no ponto que deveria ser o trunfo: a história já é velha conhecida há 22 anos e as renovações feitas não são suficientes para se fazer esquecer Arnold Schwarzenegger e seus olhos esbugalhados na atmosfera marciana.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

SPOILER | Comentários sobre O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Há anos eu venho treinando minhas habilidades em escrever críticas sem dar spoiler (meu emprego e, às vezes, minha integridade física dependem disso). Por causa do trabalho, eu costumo assistir aos filmes três ou quatro dias antes de estrearem no cenário comercial e todo mundo sempre manda um "nossa, seu empego é muito legal, é muito bom ver o filme antes". Bom, em partes. É bem difícil ter que controlar seus comentários perto de todos os seus amigos enquanto eles ainda não viram o filme. É bem complicado não poder escrever o que quiser.


Então, esse é um post de libertação. Ontem eu revi o filme - fui com meu namorado assistir - e é simplesmente adorável poder bater papo freneticamente sobre o longa. Eis, então, a razão desse post; vou falar TUDO e minhas impressões sobre as escolhas no longa. Antes do texto, uma última explicação: estou escrevendo desse tanto para que na home não dê para ler nada sem que a pessoa tenha interesse.

Vamos lá. E, mais uma vez: SPOILER ALERT!!! Se você continuar a ler, não me responsabilizo.

Detetive Blake

 O detetive Blake (Gordon-Levitt) é uma dos spoilers mais adoráveis em se falar. Por quê? Porque ele é o Robin! Mas o mais legal sobre ele ser o Robin é que ele é um garoto-prodígio à la Nolan. Não, ele não é Dick Grayson, Jason Todd, Tim Drake, Stephanie Brown e nem mesmo Damian Wayne (os personagens que foram Robin nos gibis).

Toda a filosofia de Nolan no filme nos leva a acreditar em ideias e atitudes, e não em uma pessoa específica. E, durante todo o filme, Blake tem o espírito do Robin. Órfão, que segue o Batman até o último momento e tenta ajudá-lo como pode, tentando fazer o que é correto, e combatendo vilões sem medo. A cena em que a mulher fala "você deveria usar seu nome, eu gosto, Robin", serve apenas para fazer quem ainda não tinha sacado dar gritinho no cinema. Mas é só prestar atenção nas atitudes, que fica claro que Blake nasceu para ser "ajudante do Batman". (ou quem sabe seu subtituto?)

Encerramento com culhões
É preciso ter culhões para se encerrar uma saga com a morte do herói. E é exatamente isso que Nolan faz. Sim, minha gente: o BATMAN MORRE!! E o senhor Michael Caine (Alfred) é responsável por deixar meu coração menor do que ponta de alfinete na hora do enterro. Batman morre porque ele é o herói que Gothan precisa e porque ele faria qualquer coisa para salvar sua cidade. Mas esse spoiler nos leva a um muito mais polêmico!



 O final de Alfred
Bruce Wayne está vivo! "Uai, mas você acabou de dizer que o Batman morreu", o Batman sim, o Wayne não. Essa cena se confirma com um momento de Alfred em um café em Florença, onde ele vê Master Bruce e Selina Kyle juntos. Para mim, esse é o ponto de mrno coragem do filme. Ok, é ótimo saber que nosso querido Bruce está vivo. Mas me diz se não seria GENIAL e muito corajoso se Nolan tivesse coragem de matar o Batman e o Wayne. Mas ai já era pedir demais até mesmo para ele...

Futuro à vista
Um dos elementos que faz o último filme da trilogia ser tão bom é o simples fato de que Nolan, realmente, encerrou essa história. O Batman de Wayne morre, e nunca mais vai voltar. Porque Bruce Wayne não é mais o Batman, ele consegue se libertar do herói e deixa o legado em aberto.

Como é falado inúmeras vezes ao longo da trilogia, "o Batman é um símbolo, qualquer um pode ser ele". E é esse comentário que me leva a crer (e sonhar) que o mundo ainda poderá contemplar nosso querido Gordon-Levitt sendo o Batman! Não, não acho que ele seria o Robin. No final do filme ele encontra a Batcaverna e é óbvio que ele pode ficar pronto para ser o novo homem-morcego.

A propósito, esse argumento viria diretamente dos gibis. Após a "morte" de Batman/Bruce Wayne no final da saga Crise Final, Dick Grayson (o robin do circo, meio que o original) assume o manto de Batman. Então, por que não fazer isso virar filme? Vale sonhar, embora Nolan tenha garantido que não volta a Gotahm nunca mais, vai que... ( Peter Jackson, ao final de LOTR, falou que nunca mais voltaria à terra Média).

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@thandyung e @centraldecinema

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