sábado, 28 de julho de 2012

Comencrítica | Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Por Thandy Yung



Em 2005, Christopher Nolan apresentou um Batman sem cuecas por cima da roupa e altamente treinado. Três anos depois, o mundo conheceu uma das melhores interpretações de vilão com o Coringa de Heath Ledger. Agora, Batman chega aos cinemas com O Cavaleiro das Trevas Ressurge para fechar com chave de ouro uma trilogia que não tem pontos baixos. Mais denso e preocupante do que os anteriores, os fãs poderão ver o Batman enfrentar grandes dificuldades para salvar, pela última vez, sua querida Gotham.

Oito anos de passaram desde que Batman desapareceu na noite, deixando de ser um herói e se tornando um fugitivo. Ao assumir a culpa pela morte de Harvey Dent, o Cavaleiro das Trevas sacrificou tudo pelo que ele e o Comissário Gordon consideravam ser o bem maior. Por um tempo, a mentira funcionou. As atividades criminosas em Gotham City foram esmagadas sob o peso da Lei Dent. Mas tudo irá mudar com a chegada de Bane, um terrorista mascarado cujos planos cruéis para Gotham impelem Bruce a sair do seu exílio voluntário. Mesmo que vista a capa e a máscara novamente, Batman pode não ser páreo para um inimigo tão cruel.

Quem entrar na sessão esperando por duas horas e meia de ação e pancadaria, é melhor nem comprar o ingresso. Batman não é um mero filme de ação, o longa vai além. Ao invés de se esconder atrás de lutas e efeitos especiais, Nolan dá destaque à uma história bem elaborada, que prende o público por sua complexidade e carga dramática. Ainda assim, quando começam, as cenas de ação são simplesmente impressionantes e não perdem em nada para outros filmes de herói.

Toda a complexidade surge por discussões mais intensas sobre a identidade humana, característica comum entre os três filmes. A sempre problemática Gotham nunca esteve tão ruim. Após oito anos de uma suposta paz, a cidade desaprende a lutar e chega ao caos completo, beirando o apocalipse. Em meio ao caos, entra em xeque a capacidade de destruição do ser humano.



“Você é puro mal”, diz uma das vítimas de Bane pouco antes da morte. Mas o mercenário é pior ainda do que o mal, ele é uma mistura perigosa de maldade com um idealismo cego. O que o faz merecer seu lugar como vilão, o primeiro na trilogia páreo para Batman. Finalmente, é possível ver o herói ter real dificuldade no combate físico, Bane é brutal e Wayne sente isso na pele.  A participação do personagem é arrematada pelo trabalho do talentosíssimo Tom Hardy, que só com os olhos consegue ser ruim o suficiente.

Ainda sobre o elenco, destaque para Michael Caine, o Alfred. Embora tenha menos aparições do que nos filmes anteriores, Caine é responsável por grande parte do peso emocional do filme, e quanta emoção se tem. Uma das maiores incertezas do filme, Anne Hathaway cumpre muito bem seu papel como Selina Kyle. A quem pensou que a Mulher Gato da atriz poderia estragar o filme, é melhor se acalmar. A ladra sabe muito bem a que veio, e Hathaway incorpora perfeitamente a personalidade “bandida” e sensual de Kyle, fechando um ciclo de boas escolhas.

Como trilogia, ter visto os antecessores é imprescindível para se compreender plenamente o enredo. Imagine em O Senhor do Anéis, assistir ao Retorno do Rei sem saber quem é Frodo, Gandalf ou Aragorn, o estrago é bem semelhante. Vale ainda, aclamar a coragem de Nolan, o episódio serve como o elo que faltava para encerrar, de fato, uma história. Assim como não cedeu ao 3D pelo dinheiro, o diretor não teve medo em encerrar de vez a trama, ao invés de prolongá-la e estragar um legado por alguns milhões de dólares. O ponto final vem em seu momento ideal, e o que ficará na memória é uma trilogia de acertos.










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sexta-feira, 20 de julho de 2012

1 ano sem Harry

Um ano. Esse é o tempo que se passou desde a estreia de Harry Potter e as Relíquias da Morte parte 2. Isso mesmo, galera. Estamos "comemorando" um ano desde a última vez que fomos aos cinemas assistir uma tão esperada estreia do nosso bruxinho favorito.

Nós já falamos sobre a nossa história com o tal do Potter aqui aqui aqui e aqui.

Esse texto vai mostrar para vocês como nós, Potterianos do Central de Cinema, estamos fazendo para preencher esse vazio que a saga deixou.
Lucas

Vou confessar: não é fácil. Sentia uma mistura de sensações ao sair da sala do cinema após assistir o filme. Um alegria por ser tão bom e, ao mesmo tempo, uma tristeza porque sabia que não teria mais uma estreia para esperar, a saga havia "acabado" (NUNCA ACABARÁ!). 

 E o que estou fazendo para superar?  De vez em quando, DO NADA, vou para a sala da minha casa e coloco no DVD algum dos filmes, só para matar a saudade! E uma constatação: Passei a assistir o dobro de seriados após o final da saga!!!! Ou seja, tento achar novas séries. Algumas são até muito boas, mas nada igual ao Potter! E quanto aos livros, estou lendo Percy Jackson, é bem legal também! Mas de vez em quando releio algum livro. Gosto muito de reler o primeiro e o último! São meus favoritos!

É isso aí. Meu nome é Lucas e tem um ano que não vou a uma estreia de Harry Potter. Tentando superar caminhando um dia de cada vez. (Fala de viciado uahuah)
Thandy
Bom, preciso confessar que eu amo Harry Potter mas nunca gostei de verdade dos filmes. Até assistir aos dois últimos. Mesmo não gostando, SEMPRE fui a todas as pré-estreias. Para compensar a espera por pré-estreias nesse último ano meu coração se contentou com os super heróis! E ninguém melhor do que "os maiores heróis do universo" (cof cof, Vingadores) para suprir a ausência da melhor história infanto-juvenil ever. :) De resto, ainda fica em meu coração a espera por Batman (semana que vem!), por Mercenários e por O Hobbit (Tolkien e Jackson, seus lindos).

Para terminar de completar o vazio, na parte literária eu me joguei nos livros do Rick Riordan (Percy Jackson) e em Game of Thrones, tanto na série de TV quanto nos livros. Mas é claro que de vez em quando reler HP faz sempre bem.
Davi
Harry Potter deixou um vazio existencial (#drama e #fato). Primeiro, em relação aos livros, a melhor parte da série, que nos abandonou há um tempo já, em 2007, mas que foi uma forma de nos preparar para o inevitável: o silêncio prolongado de Harry Potter e seus (nossos) amigos também no cinema. E agora, cá estamos há um ano sem a saga cinematográfica que tanto causava comoção, seja pela polêmica fidelidade ou não aos livros, ou mesmo pelo amor à série, em que cada notícia, cada foto, cada minuto de vídeo divulgado antes da estreia faziam arrepiar e dar aquele frio na barriga. Mas tudo acaba. E a vida segue.
Pra preencher esse buraco, vez ou outra pego um livro ou filme do HP pra matar a saudade. E tô tentando me apegar a outras sagas místicas, sombrias, esquisitas, de preferência com um toque de bruxaria e nerdice, haha. The Walking Dead e Game of Thrones têm me feito muito feliz, assim como outras que comecei a ver ainda quando HP estava entre nós. Uma pena que o mestrado não esteja me dando tempo pra ler todos os quadrinhos e livros. Ah, e esse ano tem sido bem generoso, hein? Grandes estreias, muitos super-heróis, não há muito o que reclamar. Em breve, a parte final do Cavaleiro das Trevas e ainda tem O Hobbit.
RIP Harry Potter.
Ericka
Eu compartilho da confissão da Thandy em dizer que não era lá a maior das fãs dos filmes. Lia os livros e não fazia questão alguma de ver os filmes, a não ser os dois últimos, mas apenas porque eram super produções, tinha que ver! Então a saga acabou pra mim há algum tempo, lá em 2007/2008 quando eu terminei de ler Harry Potter e As Relíquias da Morte.

Eu tive bastante tempo pra me acostumar com o fim da história nos livros (porque às vezes ela continua na nossa cabeça do jeito que a gente quer). Não procurei outras sagas ou filmes de bruxos. Acho que essa nem é a minha praia, só Harry me encantou.

Pra matar o tempo, pra preencher esse vazio, eu trabalho muito porque ó, não tá fácil pra ninguém.

E em você, , bateu saudade?

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Crítica | Valente

Um grande castelo, uma linda princesa, pretendentes ao matrimônio, feitiços, bruxas e batalhas armadas. Com tantos ingredientes da fórmula padrão, Valente tinha tudo para ser apenas mais do mesmo. Mas a nova animação da Pixar, que acaba de chegar aos cinemas, adiciona uma pitada de rebeldia ruiva e o resultado é um filme tenso e divertido na medida certa, que consegue quebrar as barreiras do papel feminino em projeções infantis.

Na mítica Escócia, o filme conta a história de Merida, uma princesa um tanto quanto diferente. Seu maior sonho é viver uma grande aventura e se tornar uma arqueira reconhecida. Para fugir das investidas de sua mãe sobre seu casamento prematuro, ela acaba entrando em um perigoso caminho, que coloca a vida de sua mãe e o reino de seu pai em jogo. Apenas Merida poderá quebrar a maldição que ela mesma colocou em seu destino.



Em tempos de constantes discussões sobre gênero, Valente surge com a primeira protagonista feminina da história da Pixar e deve deixar as mais engajadas na causa de muito bom humor. Merida é a personificação do resultado de anos de busca: é a mulher livre e independente, que não quer nada menos do que seguir os sonhos que ela própria planejou. Já em sua primeira cena fica impossível não amá-la e torcer por seu sucesso.

A novidade feminina é o maior trunfo do roteiro, que inova por quebrar tradições. A felicidade plena e “para sempre” não está escondida atrás de um casamento com o princípe encantado. O mundo muda, e os roteiristas do estúdio se adaptaram muito bem à nova realidade da sociedade. Além disso, disucssões sobre respeito e aceitação são inseridos de forma muito fluída ao longo da animação.

A pixar é especialista em transformar seus coadjuvantes em donos de grandes momentos. Aqui, esse papel fica por conta dos endiabrados irmãos trigêmeos de Merida, responsáveis também por boa parte do alívio cômico do filme. A mera aparição dos três ruivinhos se torna sinônimo de algumas boas gargalhadas.



Mas nem só de ideais femininos vive Valente. Afinal, ainda é um filme para crianças. Para aliviar a tensão, cenas de humor que abusam do jeito moleque dos personagens. Além de momentos de ação dignos de filme épicos, que vão deixar muito marmanjo saltando na cadeira. Merida de espada na mão, pronta para enfrentar quem for para salvar a vida de sua mãe é imperdível.

Mais tenso e intenso do que animações costumam ser, Valente usa e abusa de cenários escuros para engrandecer seus momentos de tensão – que não são poucos. O artifício é uma saída eficaz para lidar com os contrastes de emoção, no entanto quando os óculos 3D vão ao rosto, a película fica ainda mais escurecida, perdendo certo ponto de definição das imagens.

À exceção do pequeno problema com os óculos em 3D, a construção gráfica é impressionante. Vales, montanhas cachoeiras e trilhas pela floresta são impecáveis. Ainda na parte técnica, a trilha sonora transporta o público à escócia, com suas gaitas de fole e músicas típicas. Em um clima de festa, Valente é o programa ideal para todas as idades.

Sigam-me os bons!
@thandyung e @centraldecinema

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Comencrítica | O Espetacular Homem-Aranha

Após cinco anos, Peter Parker, um dos mais gaiatos heróis da Marvel, retorna às telas do cinema neste final de semana em O Espetacular Homem-Aranha. O reboot chega na tentativa de apagar da memória o fraco Homem-Aranha 3 e renovar a imagem do garoto aracnídeo. A mescla de origem dramática, ótimas atuações e saltos pelos prédios de Nova York resultam em um filme que deve agradar ao público.



O longa conta a história de Peter Parker (Andrew Garfield), um aluno marginalizado de uma escola do ensino secundário que foi abandonado por seus pais quando era garoto, sendo criado pelo seu tio Ben (Martin Sheen) e sua tia May (Sally Field). Como muitos adolescentes, Peter está tentando saber quem ele é e como se tornou a pessoa que é hoje. Peter também está tentando se aproximar do seu primeiro amor, sua colega da escola, Gwen Stacy (Emma Stone), e, juntos, eles terão que lidar com o amor, o compromisso e segredos. Quando a trajetória do Homem-Aranha entra em rota de colisão com o alter ego do dr. Curt Connors (rhys Ifans), o Lagarto, Peter tomará decisões que afetarão o rumo da sua vida, utilizando seus poderes para forjar seu destino, tornando-se um herói.

Como é de praxe em filmes de origem heróica, questões sobre a identidade e como se tornar o homem que está destinado a ser estão presentes no longa. A temática vem acompanhada de cenas fortemente emocionais e ligadas a grandes perdas. Mesmo sendo mais do mesmo, a sinceridade com que Garfield interpreta o personagem comove e, aos mais emotivos, é melhor se preparar para olhos marejados.

Mesmo sendo acelerado e sem muita complexidade, o roteiro é bem resolvido e a trama encaixa perfeitamente. Informações cruciais a respeito da criação do personagem são apresentadas de maneira satisfatória e os 90 minutos de filme passam voando em frente aos olhos. A história já é velha conhecida, mas, dessa vez, foi melhor executada do que na franquia anterior.





Aos fãs inverterados dos gibis, a personalidade do Lagarto pode ser um tanto quanto decepcionante, uma vez que, originalmente, o vilão é completamente bestial e violento. Vale lembrar, no entanto, que não há tempo no longa para gerar uma trama convincente com um vilão que só consegue raciocinar quando está fisicamente vulnerável. E, à exceção da cena no laboratório da escola, a inteligência humana do monstro é totalmente necessária e aceitável



Para compensar, o longa traz Gwen, o primeiro e verdadeiro amor de Peter. Não, o amor de verdade do Aranha não é a Mary Jane, a ruiva é só um "estepe" e aparece depois que Parker e Stacy tem uma separação trágica nos quadrinhos.

Na parte técnica, a fotografia é impecável. E aqui, não se fala apenas de excelentes cenas de ação e saltos de fazer perder o fôlego. Além dessas características, é perceptível o cuidado com planos de câmera, que fazem com que cada cena possa fazer parte de um álbum fotográfico. Na tentativa de trazer a parte mais íntima dos personagens, a câmera permanece em close e super close sempre que diálogos mais intensos acontecem.

Em meio a tantas coisas a se comparar, o mais inevitável dos tópicos é o protagonista. O que há para se dizer é rápido e simples: Andrew Garfield é o Peter Parker. Esqueça a eterna cara de bobo de Tobey Maguire, agora o Homem Aranha é moleque e nerd, tem problemas com as garotas, mas tem desenvoltura com o resto. Piadas e trejeitos trazem à tona o carismático herói habitante da Big Apple. O longa parece a transposição dos desenhos da década de 90 para a tela grande, e as paradas no ar com as clássicas poses do Aranha arrancarão, no mínimo, um sorriso de satisfação de quem não perdia um dia de aventura.
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