segunda-feira, 30 de abril de 2012

Traduções de títulos de filmes: why so polêmicas?

Por Davi de Castro

O título de um filme é, geralmente, o primeiro contato que temos com uma determinada obra. Dependendo de sua criatividade, nos despertam sentimentos diversos. Alguns aguçam a curiosidade, aumentam o desejo por desvendar o quanto antes seu conteúdo; outros são inteligentes/sagazes e só vamos entender direito seu significado depois de ver o filme; e, claro, tem aqueles títulos que já entregam de cara a história e bem que podiam vir logo com indicações de SPOILER. Sem falar daqueles tão mal elaborados/sem graça/clichês que nos fazem dar aquela “brochada” e partir logo em busca de outro. Mas sabe aquela máxima “Não julgue um livro pela capa”? Pois bem, ela pode ser muito bem aplicada nesse contexto: não julgue um filme pelo título (salvo exceções, que não são poucas! risos). Ainda mais se for um título traduzido – no nosso caso, para o português do Brasil. 

Meu sonho? Conhecer as mentes geniais por trás dessas traduções. Porque já viu, né? Quem nunca pegou um DVD de filme, leu o título em português, depois foi ver o original e fez aquela cara de “WHAT THE FUCK (em caps lock)”?  Ou, no mínimo, soltou um “Oi?”... É raro uma tradução literal do título original. Tá, por um lado, até que faz sentido evitar as literalidades, pois em alguns casos ficaria um tanto estranho. E as distribuidoras buscam sempre os títulos mais chamativos, mais "descolados" (leia-se brega muitas das vezes).

A criação de um título não leva em consideração apenas a história/temática da obra, mas o contexto no qual foi produzido, bem como o que será inserido, buscando também uma aproximação com o público a que se destina. Assim, as distribuidoras têm de dar conta desse pepino (e muitas parecem não se importar muito!) e pensar numa adaptação coerente e ao mesmo tempo rentável. Tem de levar em conta as expressões comuns por aqui, a cultura, a linguagem coloquial etc, tudo o que puder atrair o mercado. Mas, convenhamos, tem cada adaptação que beira a bizarrice, sem lógica alguma. Busca tanto essa aproximação “regional” que acaba fugindo, de certo modo, do objeto do filme.

Enfim, essa “ressignificação” por vezes traz uma redução, mas em outras consegue ser interessante, superando até o original (poucos casos, infelizmente). Listamos algumas traduções... umas bacanas, algumas bem toscas, outras “what the fuck”...

 
Traduções WTF? Oi?


The girl with the dragon tattoo (a garota com tatuagem de dragão) -> Os homens que não amavam as mulheres
(Mesmo a tradução literal não sendo muito bacana, acho bem melhor que o título adaptado, que é o mesmo do livro. Não soou bem, é estranho e feio. Podiam ter pensado em algo melhor)

Epic Movie (filme épico) -> Deu a louca em Hollywood 
(Deu a louca em quem?? Ah, tá, só se for no tradutor...)


Annie Hall -> Noivo Neurótico, Noiva Nervosa 
(Qual a implicância desses tradutores com nomes de personagens no título? Eles acham que a gente não vai entender que se trata do nome de um personagem? A adaptação até ficou “bonitinha”, mas não é legal começar um filme com tanta informação assim. Que eles estão pra casar. Que ela é nervosa e ele é um neurótico. Spoiler!)



The Hangover (a ressaca) - Se Beber, não Case 
(Oi?)

The Graduate (o recém-formado) -> A Primeira Noite de Um Homem
(Olha que mudança brusca no sentido do título! Ah, e muito obrigado pelo spoiler! Precisava? Até a tradução literal ficaria melhor...)


The Sound Of Music (o som da música) -> A Noviça Rebelde
(A tradução literal pelo jeito não seria suficiente. Tinham que adjetivar a parada... Por quê?????)

Scary Movie (filme de terror) –> Todo mundo em pânico 
(Oi? Todo mundo quem? Por que mesmo? Pelo jeito os tradutores deixaram se influenciar pela referência central ao filme ‘Pânico’ que tinha no primeiro filme. Mas não contavam que teriam mais três sequências e sem o famoso personagem do 'Pânico'. Ferrou...)

Hugo –> A invenção de Hugo Cabret
(Tudo bem que o livro também foi traduzido assim. Mas eu prefiro a permanência do título original – que não necessita de tradução por se tratar de um nome próprio –, mais bonito e conciso. Além do mais, o que o Hugo inventa mesmo? O mais perto disso é o conserto do robô.)


Meet The Parents (conhecer os pais) - Entrando Numa Fria
(Tá que conhecer os pais da sua namorada pode ser uma fria, mas o título é tão bobalhão que já adianta o que nos espera...)


Os subtítulos... bastards!


Taxi Driver -> Taxi Driver - Motorista de Táxi
(Oi? Jura que Taxi Driver é Motorista de Táxi? O título bilíngüe, que em nada acrescenta ou mostra-se criativo, só denota a preguiça do tradutor...)

Pulp Fiction -> Pulp Fiction - Tempo de Violência
(Até que não ficou ruim, sinaliza, sem contar a história, o que trata o filme. E não exclui o nome pelo qual ficou conhecido mundialmente)

Bonnie and Clyde -> Bonnie e Clyde, uma rajada de balas
(Tão poético o subtítulo, só que (bem) ao contrário. Why, God? Why?)


Ghost -> Ghost – do outro lado da vida
(Um bom subtítulo, mantém o nome original e ainda contextualiza de forma sutil e bonita a temática do filme. Seria inviável uma tradução literal aqui, né? Já pensou assistir ao “Fantasma”?)

Marnie -> Marnie – Confissões de uma Ladra 
(Obrigado pelo spoiler ;D)



Bacanas!

Breakfast at Tiffany's -> Bonequinha de Luxo
(Melhor que o original!)

Hollywood Ending -> Dirigindo no Escuro
(A tradução foi inteligente a ressignificá-lo com um fato importante da estória, sem estragar pela sua antecipação. A tradução literal ficaria sem sentido por aqui.)


Home Alone -> Esqueceram de Mim
(Não foi literal porque seria generalista demais dizer “Sozinho em casa”. A tradução não fugiu do significado original...)

My Girl -> Meu Primeiro Amor
(Acho que a tradução traz um ganho no sentido de conferir inocência, ternura e singeleza a esse romance)


The Godfather –> O Poderoso Chefão
(Vamos admitir que ‘O Poderoso Chefão’ foi uma tradução à altura de ‘Godfather’ e ganhou ares de nobreza. Tão bom quanto o original. Tão bom quanto o filme.)

No country for old men -> Onde os fracos não têm vez
(Encontrou uma máxima com significado semelhante e de fácil entendimento por aqui. Excelente!)


Hunger Games –> Jogos Vorazes
(Jogos da Fome seria feio e pouco atraente. A tradução deu uma sofisticada no nome e captou sua essência.)

500 Days of Summer -> 500 Dias Com Ela

(Aqui o título não foi traduzido ao pé da letra, mas se encaixou perfeitamente no filme. Não teria lógica alguma ficar como "500 dias de Verão". Em inglês, o título possui duplo significado: faz referência ao nome da personagem, Summer, e à própria estação do ano, o verão, que tem tudo pra ser uma estação feliz e alegre e cheia de amor pra dar).

E aí, concorda? Quais outros títulos você acrescentaria nessas classificações? Mande para gente, por comentário ou tweet (@centraldecinema) os títulos traduzidos mais "exóticos" que você já viu... ;D


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