quinta-feira, 29 de março de 2012

Comencrítica - Raul: o início, o fim e o meio

Por Davi de Castro

“Como você classifica a sua música?” “Raul Seixismo”, respondeu, sem modéstia, um dos maiores ícones do rock brasileiro e também um dos responsáveis por alçar o gênero no país, negando, assim, qualquer conotação de protesto em suas canções.

A declaração consta no documentário Raul: o início, o fim e o meio, dirigido por Walter Carvalho (irmão do consagrado diretor Vladimir Carvalho, de ‘Rock Brasília’), que, em pouco mais de duas horas, conta a trajetória do astro baiano, que conquistou o Brasil nos idos da década 1970. Quem não é fã de Raul ou pouco o conhece, facilmente sairá fascinado pelo grande artista. Quem já é fã, ficará extasiado durante e após a projeção.

Com uma montagem dinâmica e bem construída, intercalando depoimentos de familiares, amigos, parceiros de trabalho, bem como outros artistas, como Caetano Veloso, o filme ainda apresenta fotos, vídeos e áudios históricos de momentos da vida pessoal e da carreira de Raulzito. Verdadeiras relíquias, como a cena em que brinca com Simone, sua primeira filha, e a gravação de uma mensagem em áudio para Scarlet, sua segunda filha, se desculpando pela ausência nas férias devido à internação para se desintoxicar.

Enquanto logra êxito na carreira, lançando clássicos, um após o outro, vemos sua vida pessoal entrar em colapso, com a instabilidade de seus relacionamentos, sobretudo os amorosos, em função de sua “incapacidade monogâmica”. O roteiro, assim, mostra-se eficiente em humanizar o artista, abordando, inclusive, tabus que vão além do histórico de infidelidade, como também o alcoolismo que o acompanha durante toda a vida, o envolvimento com drogas, bem como o ingresso no esoterismo. É, sem dúvida, um exaustivo trabalho de apuração, impecável jornalisticamente.

A participação de Paulo Coelho revela-se uma bela surpresa. Primeiro, pela importância que este teve na trajetória de Raul, a qual Paulo compara até mesmo como “um casamento, só que sem sexo”. Os dois eram como carne e unha, e a parceria rendeu grandes clássicos, como ‘Sociedade Alternativa’, ‘Gita’ e ‘Eu nasci há dez mil anos atrás’. Segundo, pelo desprendimento de Paulo Coelho em pontuar questões que hoje em dia poderiam ser vistas como comprometedoras à sua carreira, como o envolvimento na comunidade esotérica fortemente influenciada pelo pensamento do satanista Aleister Crowley, o qual Raul nutria uma profunda admiração, e até mesmo a confissão de que fora o responsável por apresentar várias drogas ao cantor. Sem contar que Coelho protagoniza uma das melhores (e são muitas) cenas do filme: quando, no meio da entrevista, surge uma mosca e pousa no rosto do escritor. Como não associar o inseto àquele que um dia proferiu: “eu sou a mosca que pousou na sua sopa”? Paulo Coelho não contém a emoção. Nem a gente.

É com sutilezas e acasos assim que Raul: o início, o fim e o meio consegue nos fazer rir, a ponto de gargalhar, como também nos emociona, sem, no entanto, parecer forçoso. Isso se deve às excelentes participações daqueles que passaram pela vida do cantor, cujos depoimentos são carregados de espontaneidade, o que enriquece a narrativa. Por outro lado, deixa a desejar ao apresentar uma figura tão icônica quanto Zé Ramalho, sem explorar sua ligação com Raul ou ao menos entrevista-lo, já que Raul fora uma das grandes influências de Zé, que, inclusive, gravou um tributo em homenagem ao baiano. Enquanto não há espaço para depoimentos de Zé, Pedro Bial (fã?) aparece várias vezes, em depoimentos que não colaboram muito no desenvolvimento do roteiro.

Brilhante na composição e interpretação das canções, Raul mostrou-se frágil em seguir seus preceitos de ser um ‘maluco beleza’, perdendo-se no mundo das drogas (é chocante e pesarosa a revelação de quando ele se viciou em éter). Já nos caminhos do coração, o astro revelava-se a própria "metamorfose ambulante". O relacionamento mais marcante e que pareceu ter mais pendência foi o primeiro casamento, com Edith Wisner, ainda no início da juventude. Assim que foi consagrado no meio artístico, a relação foi às ruínas. Edith partiu para os Estados Unidos, onde criou a filha, Simone, que dá depoimento, em inglês, e afirma ter tido quase nenhum relacionamento com o pai (a mãe se recusou a testemunhar, enviou apenas uma breve carta, lida por Simone via Skype, dizendo estar muito feliz no casamento atual). O filme ainda mostra o relacionamento de Raul com mais quatro mulheres, a americana Gloria Vasquer, Tania Menna, Kika Seixas e Lena Coutinho. Teve mais duas filhas, Scarlet e Vivian, respectivamente, com Gloria e Kika. Lena, a última companheira, atribui o vício de Raul à não superação do término com Edith, mesmo tanto tempo depois.

A polêmica parceria com Marcelo Nova, no final da carreira, também é outro ponto abordado no filme. Juntos, os dois fizeram cerca de 50 shows em um ano, mesmo com a fragilizada saúde de Raul, debilitada pelo alcoolismo e diabetes. Seu último show foi em Brasília. Na capital, no centro político-administrativo do país, encerrou sua missão, deixando, como herança, um legado músico-místico-poético-político. Como não se orgulhar por tão brilhante artista? Com suas canções filosóficas, dotadas de sua ideologia "alternativa", com doses de subversão e rebeldia em meio ao intransigente regime militar, mesmo que o próprio não admita, Raul fez história, nos encantou com sua mística, com seu “Raul Seixismo”. E vamos seguir pedindo: “Toca Raul!”.

Siga-me no Twitter: @davidecastro












Zé Ramalho canta Raul Seixas em DVD








Raul Seixas 10.000 anos à frente, BOX









Dossiê Raul Seixas, Livro

quarta-feira, 28 de março de 2012

Marty (1955)

Por Ericka Guimarães



Em época de foreveralonismo, Marty nos ensina que toda panela tem a sua tampa, mesmo que ela não seja das mais bonitas, ou mais caras, ou mais reluzentes, ou whatever.

Marty Piletti é um açougueiro de 34 anos que mora com a mãe e acha que mulher nenhuma vai se interessar por ele. (#foreveralone nível crítico). "Tenho procurado uma garota todas as noites de sábado da minha vida", diz ele, em certo momento.

- Por que não se casou ainda, Marty?

Nem ele sabe. Ele é um bom rapaz, com um bom emprego, gentil, que cuida da mãe. Mesmo conformado com a própria situação, ele tenta se encaixar numa sociedade que exige que um homem forme uma família, tenha uma bela esposa, vários filhos e uma vida estável.

Resumindo assim, o filme parece desinteressante. Mas não é. Marty virou o queridinho de Hollywood e ganhou Oscar de Melhor Filme, Melhor Ator e Melhor Diretor, Globo de Ouro de Melhor Ator, BAFTA de Melhor Ator Estrangeiro e Melhor Atriz Estrangeira (Betsy Blair).

Convenhamos que Ernest Borgnine e Betsy Blair não formam um casal com beleza digna de capa de revista, mas que casal realmente é? As pessoas procuram uma perfeição que nem elas possuem. E assim também aconteceu com Marty. Ele conheceu Besty num baile, depois que ela foi dispensada por outro cara. Eles se deram muito bem e logo Marty ficou falado na rua, porque ele estava saindo com um "canhão". Ele encontrou a mulher da vida dele e todos tentaram separá-los por causa da beleza incomum, ou da falta dela, sei lá.

O filme, em preto e brando, é relativamente curto (91 minutos) então eu não vou me alongar demais. O que interessa é que você pode enxergar a beleza que existe em todos nós ou partir do princípio que pessoas perfeitas não existem e enxgergar além dos defeitos e ser feliz com ela.

Sigam-me os bons!
@erickacris










Marty em DVD

segunda-feira, 12 de março de 2012

Comencrítica | W.E. O romance do século

Por Thandy Yung

Confesso que entrei na sessão sem qualquer expectativa. Afinal, ela É a deusa da música Pop, mas está apenas engatinhando nos cinemas. Preferi me despir de expectativas e, consequentemente, dos preconceitos e só curtir o momento. Deu certo. Apesar do filme começar um pouco confuso, a rainha do pop mostra bom serviço na riqueza de detalhes e entrega ao público um filme cheio de momentos distintos, levando do riso às lágrimas.

O longa conta (ou deveria contar) a história de amor entre Wallis Simpson, americana, e o Rei Edward VII, da Inglaterra, que abdicou do trono para poder viver seu amor por sua plebeia ianke. A história de um casal que ficou junto por quase 40 anos já seria o sufciente. Mas não é por ai que para o roteiro de W.E.


Em paralelo à história britânica, está a história de Wally, uma americana rica, que vive um casamento infeliz nos anos 90 e é obcecada pela história do "casal do século". É justamente nessa obsessão que o filme perde um pouco a linha. A semelhança de nomes e de histórias causa um pouco de confusão e alguns minutos são necessários para conseguir se ambientar e entrar de cabeça na história. Outro problema é que o roteiro demora muito para desenrolar e fazer a tal da ligação entre as personagens.


O enquadramento é impecável. Aqui, a nova diretora abusa de detalhes e cortes pouco convencionais ao cinema hollywoodiano. Com um quê de filme europeu, mãos, pernas, sorrisos e colares são as grandes atrações da noite.

O argumento do filme exala a filosofia Madonniana de vida, que prega a mulher forte, influente, que precisa se libertar para ser feliz (Wally moderna). E também aborda o lado da história não contada, da mulher que abre mão da sua vida mas que não tem isso reconhecido (Wallis da década de 30). O filme mostra mulheres que causaram, assim como nossa querida Madonna.

Sem precisar brincar de fazer participações, a cara de Madonna está em toda parte. Sua essência exala a cada minuto do filme. Madonna é luxo e glamour e W.E. também. No filme, essa marca fica evidente por meio das grifes mais luxuosas que conhecemos nos dias de hoje (e na década de 30) como: Chanel, Cartier, Luis Vitton e Dior, que marcam presença nas roupas, jóias e assessórios dos personagens ;)


Para quem pensa que W.E. vai ser só um romancezinho qualquer, prepare-se para algum um pouco mais forte. O filme usa muito bem as cenas triviais e leves, mas tudo isso é para desarmar o espectador de duas cenas extremamente marcantes de violência doméstica. Cenas essas que chegaram a me deixar com taquicardia.

Para finalizar, uma ligação muito interessante. Lembram do ótimo Oscar2011? Lembram que o filme O discurso do Rei levou filme, ator, diretor e roteiro original? Pois é, a história de W.E. é sobre exatamente o mesmo irmão que abdicou do trono para viver com uma americana divorciada e que, por isso, fez com que o gago irmão mais novo assumisse o trono. Em W.E. o irmão Gago é rapidamente apresentado e fica como o "pau mandado" da mulher. Vale assistir W.E. e correr para o DVD assistir O Discurso do Rei ;)


Besos.
Sigam-me os bons!
@thandyung e @centraldecinema

quinta-feira, 8 de março de 2012

Homenagem à Mulher


Por Lucas Madureira

No cinema encontramos vários exemplos de Mulheres que deixam os homens de queixo caído. De super-heroínas à simples donas de casa que são capazes de tudo por quem amam.

Parabéns a você que é uma Mulher-Gato: linda, determinada e muito, MUITO, equilibrada (Sério, como a Mulher-Gato consegue lutar usando um salto? oO);

Parabéns a você que é uma Senhora Incrível: linda, mãe, dona de casa e ainda tem tempo para salvar sua família;

Parabéns a você que é uma Lúcia, de Salve Geral: linda, batalhadora e uma mãe que não desiste do filho, custe o que custar;

Parabéns a você que é uma Helena, de Se eu fosse você: linda, mãe, paciente e uma apaixonada. Fico de cara como aguenta tanto desaforo do marido e ainda consegue amá-lo;

Parabéns a você que é uma Lilian Potter: capaz de dar a vida pelo seu filho;

Parabéns a você que é uma Mulan: garota determinada e que vai atrás do que acredita, não importando com a sociedade machista e preconceituosa;

Enfim, parabéns a você, Mulher, Mãe e Menina. Vocês que tornam nosso mundo muito mais agradável de se estar.

Esses são só alguns exemplos das milhares de Mulheres inspiradoras e admiradas que vemos nas telas dos cinemas. Porém, certeza que ao ler essas descrições vocês lembraram de si, de uma conhecida ou de uma história.

Quantas vezes não vemos nos jornais mulheres que morrem protegendo seus filhos? Não vemos em nosso dia a dia Mulheres trabalhando e quando chegam em casa ainda tem pique para dar atenção para marido e filhos? Não vemos Mulheres chegando cada vez mais longe por meio de seu esforço e determinação? Diariamente vemos isso. E quantas vezes paramos para falar a importância delas? Para a maioria dos homens, esse é um raro momento. Já fica a dica para os cuecas de plantão: valorizem as Mulheres de sua vida, elas são jóias preciosas e insubstituíveis. Essa é uma pequena homenagem do Central de Cinema à todas as Mulheres. Parabéns, suas lindas!

E um parabéns especial para a equipe feminina deste blog: Ericka Guimarães, Juliana Faria e Thandara Yung. Suas mais que lindas!!!

segunda-feira, 5 de março de 2012

Festa de debutante para Anastasia

Por Thandy Yung

Eu adoro efemérides (datas comemorativas marcantes, tipo "10 anos disso" ou "25 anos daquilo"). E vez ou outra me pego googleando por aí em busca de alguma que renda post. Bom, na minha última escavação encontrei algo interessante: o filme Anastasia faz 15 anos em 2012.


Antes de começar a falar da linda animação vamos deixar uma coisa bem clara aos desavisados: Anastasia NÃO É UM FILME DA DISNEY, obrigada. Nesse caso, o Google te engana, uma vez que existe um mega banco de imagens denominado "Anastasia Disney". O longa é, na verdade, uma produção da Fox Animation Studios (A Era do Gelo e Rio). É isso, nem todas as princesas são da Disney.

A animação é baseada em uma lenda urbana russa, que pregava que a princesa Anastasia Romanov, filha mais nova do último monarca da Rússia Imperial, de fato sobreviveu a execução de sua família, que no desenho acontece pelas mãos do mago Rasputin.

Após o massacre Anastasia perde a memória, vira Anya, e vai parar em um orfanato. Anos mais tarde, surge pelas ruas da Rússia que a princesa havia sobrevivido. A grã-duquesa imperial, e avó de Anastasia, oferece uma recompensa de 10 milhões de rublos para quem encontrar sua neta. É aí que entra na história os picaretas Dimitri (que foi quem, quando criança, ajudou Anastasia a fugir do castelo) e Vladimir, que tentam encontrar alguém que se encaixe no perfil e acabam encontrando Anya. A trama percorre o treinamento que eles aplicam para transformar Anya em princesa e, é claro, o processo de "apaixonamento" de Dimitri por ela enquanto viajam para Paris, onde a avó se encontra, e a tentativa de convencer a idosa que ela é a verdadeira e não só maos uma picareta impostora.



Agora, porque Anastasia é tão bom? Primeiro, porque ela é uma princesa sem frescura (eu tenho agonia das princesas clássicas da Disney, que fique registrado). Segundo, porque as músicas são sensacionais - consigo cantarolar Once Upon A December mesmo meses depois de ver o filme. Terceiro, o roteiro da animação não tem nada de bobo e ao mesmo tempo consegue ser ultra leve, divertido e fácil de acompanhar. Vale à pena sentar para uma sessão nostalgia (lembrando que o filme foi produzido da maneira tradicional: lápis e papel).


Curiosidade? O filme foi dirigido por Don Bluth e Gary Oldman, sim o Sirius Black - ou o Detetive Gordon, de Batman Begins. Nunca na minha vida eu ia imaginar que ele já tinha se aventurado no universo da direção. Mas, pelo que eu pesquisei, foi a única vez que ele fez isso.

Para finalizar, uma informação que me deixou impressionada foi a infinita semelhança do mago vilão Rasputin com Grigori Rasputin, conselheiro da corte russa na época do massacre e, obviamente, quem inspirou o desenho da animação.












 Anastasia em Blu-Ray





Besos.
Sigam-me os bons!
@thandyung
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...