quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

[Relatos de Viagem] - Cinema na Espanha

Por Juliana de Faria

A primeira vez a gente nunca esquece. Essa máxima também é certa quando falo da primeira vez que fui ao cinema em Castellón, a cidade espanhola que estou radicada. Vi Shrek Para Sempre, em 3D, e claro, em espanhol. A primeira impressão foi: "Uau, um cinema com parede de vidro, posso ver o mar".



Entrar na sala de cinema foi um momento de euforia: "estou numa cidade pequena, menos de 200 mil habitantes que tem um cinema melhor do que os de Brasília. Isso é primeiro mundo". Talvez tenha sido uma visão um pouco exagerada, mas foi como me senti. Feliz de ter ido ao cinema assim. Aqui vale comentar que em Cuiabá (Mato Grosso - Brasil mesmo) também fui em cinemas melhores do que os de Brasília.

Ver Shrek em espanhol foi super estranho. A verdade é que não entendi muitas das piadas e ao voltar à Brasília fiz questao de ver uma segunda vez para ter certeza que tinha entendido direitinho. Isso aconteceu em julho de 2010, o dia exato nao me lembro e nem é relevante. Ainda nessas férias vi também Eclipse, no outro cinema da cidade, este segundo no (único) shopping da cidade. Outra vez fiquei chocada com a qualidade da sala. A única coisa que falta nos cinemas desta cidade é que as poltronas não levantam o braço. A verdade é nem todas as de Brasília tem isso também.

Em agosto de 2011 me mudei de vez (pelo menos até meados de 2013) para cá. As experiências com os cinemas foram aumentando. A ideia inicial entre meu namorado e eu era ir ao cinema uma vez por semana, sendo que cada ida um escolheria o filme. A verdade é que nao dá para ir uma vez por semana, a vida também é feita de outra formas de diversao em casal. Mas a proposta de que cada um escolhe uma vez essa sim, conseguimos manter. Só fazemos exceções quando vamos com outras pessoas, nesse caso decidimos em grupo.

Vimos vários filmes desde agosto. Aprendi a entender os filmes (e piadas) em espanhol. Os cinemas daqui tem um defeito: é que os filmes são sempre dublados. Simplesmente não há opção de ver em idioma original. O que todas as vezes que vamos, reclamo. E chego a ser chata com isso. Acho um absurdo um governo indicar que os filmes devem ser dublados para espanhol. Ainda que na Catalunha os filmes também estejam disponíveis em catalão.

Uma coisa não se pode negar: aqui o cinema nacional tem força. E são bem feitos. No momento que escrevo estão em cartaz quatro filmes espanhóis: 5 Metros Cuadrados (comédia dramática); Copito de Nieve (infantil); Maktub (drama, co-produçao argentina); e XP3D (terror). Não vi nenhum, mas digo que SEMPRE mantém essa média de filmes nacionais em cartaz, o que na minha opnião é formidável. Nada como fomentar as produções do próprio país.

Momento de confissão: perdi a oportunidade que sempre quis ter. Não vi um filme do Almodóvar no cinema. Em setembro esteve em cartaz La Piel que Habito. Me aferro de que a oportunidade voltará a acontecer e espero não perdê-la outra vez.

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