segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Retrospectiva 2011 - Cinema Nacional

Por Davi de Castro


Devo confessar, antes de tudo, que as produções nacionais nem sempre são minhas prioridades na hora de escolher um filme. Mas 2011 trouxe-me algumas surpresas, muito boas, por sinal. Apesar de ter sido um ano em que fiquei quase um semestre afastado das salas de cinema e das locadoras (monografia, meus caros!), tive sorte em minhas “escolhas nacionais”. Eis aqui um singelo ranking das melhores e piores produções a que assisti no ano passado:

OS MELHORES DE 2011

1. O Palhaço


O Palhaço definitivamente me despiu de todos os (resquícios de) preconceitos que eu já tive em relação ao cinema nacional. É um filme tocante que mescla alegria e melancolia, realidade e fantasia, o picadeiro e o palco da vida. Uma narrativa inteligente, em uma belíssima fotografia, que conta a estória de um artista, a descoberta de si, sua infelicidade e o caminho de sua busca – do eu, do mundo, do outro –, culminando no aprendizado da descoberta do belo. A trilha sonora é outro destaque, carrega a essência da obra e do regionalismo brasileiro. Singelo e belo: escrito, dirigido e protagonizado por Selton Mello.



2. O Homem do Futuro


Até escrevi uma crítica sobre O Homem do Futuro, um filme de gênero arriscado quando se fala em produções nacionais: mistura ficção científica (efeitos especiais com os orçamentos que temos pode ser uma catástrofe de filme hollywoodiano, não?) e comédia romântica (como fugir do clichê?). Mas O Homem do Futuro (eis a explicação!) consegue se desvencilhar desses estigmas. Com uma direção segura e um roteiro que acerta naquela mistura, o diretor Claudio Torres dá uma prova de seu talento, auxiliado pelo sempre ótimo Wagner Moura e pela bem ajustada Alinne Moraes. [nota da editora: Wagner Moura, SEU LINDO!]



3. VIPs


Baseado em uma história verídica, o filme acerta em cheio na escolha de Wagner Moura para dar vida aos inúmeros personagens criados pela mente fértil e malandra de Marcelo. O ator mostra todo seu potencial, atuando com brilhantismo em todas essas metamorfoses, apesar da incômoda caracterização do personagem quando mais novo (que peruca é aquela?). A montagem traz dinamismo ao roteiro e os diálogos são tão interessantes que, por vezes, tornam-se hilários.




4. Bruna Surfistinha

Ousado, de cunho erótico, mas que em nenhum momento chega a ser explícito, muito menos puritano, o filme se esforça em tratar a polêmica da prostituição de forma natural, sem preconceito ou juízo de valor. O diretor Marcus Baldini, estreante, faz escolhas precisas – e felizes – que retratam a temática sem recorrer à apelação, tecendo as muitas cenas de sexo em um fio condutor para compor o drama pessoal da personagem principal vivida por Déborah Secco, que cresce em atuação à medida que Raquel se transforma em Bruna, a surfistinha. A fotografia também apresenta soluções interessantes, assim como o roteiro suaviza a carga dramática com momentos de humor bem dosados e produzidos. Sinceramente, não esperava muito desse filme, foi uma bela surpresa. Leia a crítica completa!


OS PIORES DE 2011

1. Onde está a Felicidade?

Este para mim foi um dos piores filmes que vi no ano passado, perdendo apenas para o horrendo 11-11-11. É cansativo, pretensioso (a começar pelo título), clichê, com piadas, bordões e trocadilhos sem graça (quando não de mau gosto). O roteiro peca pela linearidade demasiada e a proposta de ser “leve” acaba entediando, reforçado pelos fracos diálogos. O absurdo a que se propõe torna-se chato pelo excesso de graça que julga ter e, como se não estivesse “bom” o suficiente, ainda traz um desfecho pior do que tudo o apresentara até então, em uma descarada propaganda do governo do Estado do Piauí. Há que se reconhecer, no entanto, a bela direção de arte, notadamente inspirada nas primeiras películas do grande Almodóvar.


2. Assalto ao Banco Central

Um filme para não se levar a sério, começando pelas atuações (caricatas e unidimensionais) dignas de prêmio internacional... o Framboesa de Ouro. Com uma trilha sonora equivocada, um roteiro que nem de previsível pode ser chamado (ele mesmo se encarrega de quebrar o ritmo, o suspense e qualquer tensão que a estória poderia ter), o filme foi dirigido (se isso for chamar de direção) pelo global Marcos Paulo, que apesar de tentar fugir dos padrões de novelas, acaba não tendo muito êxito: há cenas com excessivo uso de cortes, e algumas de ação são tão mal dirigidas que beiram o patético – digno de final de novela. Enfim, um filme que tinha uma estória promissora, mas que fora mal executado desde a concepção.


3. De pernas pro ar


Não chega a ser ruim, até diverte em alguns momentos, mas é mais do mesmo. Mais do mesmo de comédias brasileiras e mais do mesmo de Ingrid Guimarães. Aborda um tabu do tabu (orgasmo feminino) com senso de humor, trazendo um “quê” de pós-modernidade, mas incide, implicitamente, em estereótipos antiquados. De tão bobinho, a gente mal sai da sala e já esquece o que viu, do que se tratava – lembrar o nome do filme, então.





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