quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Comencrítica - O Homem do Futuro

Por Davi de Castro

Filme que aborda espaço-tempo situa o bom momento da produção nacional

Voltar no tempo e no espaço para mudar o futuro – ou melhor, o presente – e consertar erros, que parecem cada vez maiores. A cada tentativa, sérias consequências. É com essa premissa, que não parece nem um pouco inovadora, vide De Volta Para o Futuro e Efeito Borboleta, que O Homem do Futuro se estabelece e consegue construir um roteiro bem amarrado e até interessante – apesar da sensação de deja vu por vezes nos visitar durante a sessão. 

Com uma direção segura e um roteiro que dosa muito bem a mistura de ficção científica com comédia romântica, Claudio Torres mostra todo o talento que está no sangue (ele é filho da Fernanda Montenegro e Fernando Torres, e irmão da Fernanda Torres, a eterna Vani de Os Normais). Nem preciso mencionar a mais uma vez excelente atuação de Wagner Moura, que dá vida a Zero, um cientista nerd, gago, estressado e infeliz que, na tentativa de criar uma nova fonte de energia, acaba inventando uma máquina do tempo e voltando ao ponto determinante de sua trajetória, o dia de seu maior infortúnio: o baile à fantasia em que a musa da faculdade, Helena (Alinne Moraes), causa sua derrocada. 

Por meio do conversor de partículas, vulgo máquina do tempo, encontros e desencontros inusitados acontecem. E Wagner Moura surpreende no encontro de seus vários eus, com diferentes personalidades, de diferentes vidas, tentando alterar o passado. As peças, aleatórias até a metade da película, vão se encaixando à medida que o longa se aproxima do fim. A confusão começa a fazer sentido, apesar de não se explicar como um todo, e, assim, a obra de Claudio Torres acena tanto os fãs de blockbusters quanto para os de filmes mais conceituais, com sua dose de fragmentos. Os efeitos especiais – algo preocupante quando se fala em produção nacional – não faz feio, são de boa qualidade. Enfim, o filme é uma agradável experiência, fruto de uma mescla arriscada de gêneros – romance, ficção científica, comédia – e que ainda é nacional (sem preconceitos), o que só aumenta o valor da obra.

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