quinta-feira, 25 de agosto de 2011

My Fair Lady


Por Samara Correia, do blog Relativizando Absurdos, a convite do Central de Cinema


Flores e concreto: um lembra delicadeza e beleza, outro rigidez e imponência, ambos nobres de sua forma. Em My Fair Lady, esses dois elementos são constantes, visualmente e o confronto entre ambos também. O filme, de 1964, ganhador de 8 Oscar, é uma adaptação de um famoso musical da Broadway. E nas suas quase três horas de duração nos envolve com diálogos memoráveis e diverte com números musicais, e com a destrambelhada Eliza Doolittle, vivida por Audrey Hepburn.

Eliza Doolittle é uma espevitada vendedora de flores das ruas de Londres, a qual o arrogante professor de fonética, Henry Higgins, (Rex Harrison) tenta transformar em uma dama da alta sociedade. Não há como não elogiar todo o elenco do filme, e principalmente atuação de Harrison, o ator já fazia o papel na Broadway, e ganhou o Oscar de melhor ator. Seus números musicais são quase falados, e de uma beleza enorme. Se Rex brilha por sua atuação, Audrey, além disso, apresenta, como sempre, sua beleza e elegância. Inicialmente, o papel deveria ser de Julie Andrews, pois ela fazia a personagem na Broadway, porém Audrey ganhou o papel, para nossa (minha) felicidade.

Justamente pela elegância natural de Audrey, é difícil imaginá-la como uma desajeitada vendedora de rua, acredito que esse foi um dos maiores desafios da atriz. Pelo fato de ser um musical, e ter um toque de comédia, Audrey ficou bem mesmo fazendo uma caricata moça, em um filme mais dramático não sei se teria o mesmo sucesso.

Fato é, que se você está acostumado com a Hepburn de Bonequinha de Luxo, assistir My Fair Lady vai lhe mostrar uma outra faceta dela. No musical fica nítido o porquê de Audrey ser única. Não é só a beleza que faz dela um grande ícone, se na primeira parte do filme ela é uma bela garota sem instrução, no segundo ato (e digo segundo, por que de fato o filme tem intervalo) vemos o seu grande diferencial, sua natural elegância e delicadeza, o que a torna linda, mas ao mesmo tempo muito carismática e sutil. Por isso, é tão difícil encontrar alguém para comparar ou para fazer um papel que já foi de Audrey.




Voltando ao filme, como um bom musical, os números de música são diversos, porém entre os melhores estão “Wouldn't It Be Loverly?”, uma linda canção que mostra os desejos e sonhos da pobre vendedora. É interessante dizer que Audrey praticamente não canta no filme, as cenas de música são dubladas, muitos dizem que por isso ela não foi indicada ao Oscar de melhor atriz, porém, quem assistiu “Bonequinha de Luxo” sabe que a atriz tinha sim potencial musical. Contudo, acredito que o mais belo número musical do filme seja o “Ascot Gavotte”. Nele vemos a riqueza do figurino e da cenografia do filme, a cena mostra a primeira apresentação de Eliza à sociedade, em uma corrida de cavalos. Lá todas as mulheres estão vestidas com suntuosos vestidos brancos e pretos, e junto aos homens, elas fazem um verdadeiro balé da perfeição, cada movimento pensado, nada espontâneo, uma visível crítica a alta sociedade.

Um filme encantador, com uma história simples, porém muito bem contada, com todo elenco afinado, trabalho de figurino e cenografia memoráveis, e um cuidado primoroso com todos os detalhes. Durante a trama acompanhamos o desabrochar de uma dama, e o nascimento de um delicado amor.  O autoritário professor Henry Higgins representa a nobreza do concreto, altivo, porém rígido, preocupado com a forma. Eliza Doolittle, ao torna-se uma elegante dama, não perde sua essência, e dá a todos uma linda lição “a diferença entre uma dama e uma florista não está na forma como ela se comporta, e sim na forma como ela é tratada”.

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