segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Comencrítica - Super 8

Por Thandara Yung

Normalmente, as cabines de imprensa (sessão de cinema exclusiva para jornalistas) recebem meia dúzia de gatos pingados. Quando deu a hora de a cabine começar, tinha muita gente esperando, coisa que eu só tinha visto em X-Men First Class e Harry Potter e as Relíquias da morte: parte 2. Então, surgiu em mim, uma certa expectativa, em um filme que eu não esperava nada demais (além do nome do Spielberg no cartaz).



Em tempos de remakes, o longa traz de volta o princípio do roteiro original e gêneros há muito esquecidos, como as aventuras infanto-juvenis, uma febre capitaneada por Spielberg nos anos 80 e eternizada em produções como Fique Comigo, E.T e, claro, Goonies.

A história é simples e lembra muito os filmes do Spielberg da década de 80 (como os já citados E.T. e Goonies, por exemplo). Um grupo de seis amigos está gravando o filme O Caso - que é sobre uma invasão zumbi - com uma câmera Super 8 (daí o nome do filme). Na calada da noite, eles fogem para uma estação de trem para usá-la como cenário. Durante as filmagens, os garotos presenciam um acidente com um trem e no meio da confusão do descarrilamento "algo" foge de um dos vagões. A partir daí, pessoas e eletrodomésticos começam a desaparecer na cidade.



Mas, vamos lá. O filme foi produzido sob uma nuvem de mistério (o elenco foi proibido de falar a respeito). O trailer sugere que "algo" sai de dentro do vagão do trem, e esse mistério é a grande jogada do longa. Com uma jogada inteligentíssima, o monstro nunca é revelado completamente. Como em Cloverfiel, O Monstro (produzido por J.J.Abrams, diretor de Super 8) vultos, árvores enormes balançando e ruídos ensurdecedores tornam a criatura muito mais assustadora do resultado que teríamos se fosse revelada logo de cara.

Super 8 usa, sem pudor, todo o leque de possibilidades do universo da ficção. Tudo é grandioso e exagerado. As cenas de ação são um verdadeiro espetáculo, com destaque para a sequência do descarrilamento da locomotiva que, mesmo sem os efeitos em 3D, nos fazem encolher na cadeira para fugir dos destroços.

Apesar de ser um filme de ficção, os efeitos especiais não são o verdadeiro trunfo do filme. Essa tarefa ficou para o elenco, composto por jovens atores que sustentam sem qualquer dificuldade a história. Como em Goonies, os garotos ganham o público com personagens muito peculiares, como o pirotécnico Carry (Ryan Lee) ou o órfão Joe (Joel Courtney), que sabe tudo de maquiagem cinematográfica.

Nessa turma, a experiência de Elle Fanning (Alice) diante das câmeras pesa e merece destaque. A garota de 13 anos (prodígio) é mais do que um rostinho bonito e certamente ainda vai ser muito vista por produções cinematográficas de peso.



Super 8 dá um verdadeiro tapa na cara da indústria do cinema comercial. Ao longo do filme Charles (Riley Griffiths), o gordinho aspirane a diretor de cinema, se mostra preocupado com a qualidade da produção de O Caso. O garoto afirma não ficar satisfeito apenas com boas cenas de mortes, que precisa de algo mais para sua produção, numa clara referência ao esquemão de Hollywood.

Vale esperar os créditos do filme, quando será exibido a íntegra de O Caso, produzido ao longo da trama e que teve o roteiro escrito pelo elenco mirim de Super8 (mesmo). O Caso, a propósito, é muito legal e ganhará uma comencrítica em breve. (será?)

Informações adicionais legais: A inspiração para o roteiro de Super 8 é biográfica. Tanto J.J. Abrams quanto Steve Spielberg iniciaram suas vidas cinematográficas (ainda na infância/adolescência) produzindo filmes independentes em uma câmera Super 8.

Dica: Aos cinéfilos de plantão, por que vocês não viram ainda?! Corre pro cinema mais próximo rápido!

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@thandyung

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