terça-feira, 31 de maio de 2011

A Noite

Por Juliana de Faria





“Acho que o amor limita a pessoa. Algo de errado que cria um vazio em volta” - Valentina a Giovanni 


Um dia me disseram que um clássico é clássico por que é atemporal. O que se foi discutido durante a obra ainda é atual, e provavelmente, será atual ao longo da história humana. Para mim, este filme do mestre italiano Michelangelo Antonioni se enquadra na dita categoria. É um clássico e eu recomendo, além de ser considerado um marco do cinema moderno.

Se as sociedades se desenvolveram porque são capazes de se comunicar eficazmente então por que há tanta falta de comunicação? A Noite (1961) faz parte da trilogia da incomunicabilidade junto a “A Aventura” (1960) e “O Eclipse” (1962).

Após anos de casados, Giovanni (Marcello Mastroianni) e Lidia Pontano (Jeanne Moreau) passam uma noite permeada de momentos de angústia e luxúria, numa busca involuntária de respostas para a crise de seu relacionamento. A falta de comunicação entre o casal de protagonistas permeia o filme.

Tommaso (Bernhard Wikki), amigo de longa data do casal, está internado em estado terminal. Sente-se infeliz por estar naquela situação e nada poder fazer para amenizar a sua dor, de sua própria mãe e dos amigos mais próximos. Diz que os hospitais deveriam virar discotecas porque no fim, as pessoas apenas querem se divertir. Mesmo doente, o homem não deixa de ser um animal egoísta, não pode renunciar a satisfação dos próprios desejos.

Giovanni sempre desatendo à mulher. Talvez uma representação do que exatamente não se deve fazer. Uma moça o ataca e beija e ele conta para a esposa. O melhor é omitir ou contar uma verdade que pode ser mais um passo no abismo de uma relação em ruínas? Aqui fica sem resposta. Giovanni também se envolve num jogo de sedução sem limites com Valentina (Monica Vitti) durante a festa que o casal de protagonistas participa. Beija calorosamente a mulher enquanto, Lidia assiste a cena escondida e sem emitir o menor ruído.

Lidia sabe que algo está mal no relacionamento, mas não sabe exatamente o que. Na festa, uma amiga diz a Lidia, “a vida seria insuportável sem os prazeres”, o que na minha opinião, diz que nesse momento, estão todos mais ligados aos prazeres do que aos puderes morais da sociedade, seria uma forma de fugir dos padrões. Ela também tem a oportunidade de se vingar da infidelidade do marido, a qual deixa passar, não sem muito pensar nas possibilidades. O casamento ainda é importantes para ela.

Durante todo o filme a falta de conversa entre Giovanni e Lidia explicitam porque o filme faz parte da famosa trilogia da incomunicabilidade. Eles simplesmente não se comunicam plenamente. Nem através de palavras e nem de forma alguma. E é justamente essa relação entre o que não é dito ou expresso que faz do filme tão fantástico. O fato de ser em preto e branco não faz diferença, a falta de cores completa o clima do filme.  O filme mostra como as pessoas mudam, as situações mudam, e eles se tornam dois estranhos quase incomunicáveis ligados apenas pelo passado distante.











A Noite em DVD

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