domingo, 10 de abril de 2011

Comencrítica - Rio

Fonte: Divulgação

Depois de ser convidada pelo Lucas Madureira e pela Thandy Yung para assistir Rio e depois eles mesmos desmarcarem o programa, resolvi ir por minha conta e chamar meu primo, Yves, de 6 anos, para ir comigo. Quis juntar o útil ao agradável: saber a opinião de uma criança sobre o filme e uma companhia que não ia furar. Mas chega de enrolação e vamos ao que interessa.

Assim que os primeiros segundos de filme começaram a passar na telona, eu lembrei automaticamente do Zé Carioca e do Pato Donald em Você Já Foi à Bahia? Uma animação da Disney, de 1945 (época da Política de Boa Vizinhança dos Estados Unidos, no qual o país queria estreitar as ligações entre EUA e os outros países da America Latina. E quando eu digo estreitar, você deve ler apoio à política norte-americana) em que eles fazem um passeio por toda a América e é cheia de clichês com baianas, mulheres negras e com a música.

Felizmente essa impressão passou, mas eu fiquei com o pé atrás o resto do filme. Eu enxergava clichê em todos os lugares e em todas as cenas. É desnecessário (como diz o Blu) ter gente sambando o tempo todo, desde o meio da rua até dentro de casa. Mas no geral ele não é tão clichê assim. Pode ser para nós, que já conhecemos o samba, o carnaval, já perdemos as contas de quantos desfiles de escola de samba vimos pela TV. Para os gringos ainda é novidade pode ser uma ótima forma de conhecer ou de criar curiosidade para conhecer o país.

O que me chamou atenção em Rio foi a qualidade da animação. Parece que cada pena foi pintada à mão e depois colada, uma a uma, no corpo das aves. E quando elas se juntam tem um movimento bem natural, bonito de se ver. As paisagens retratadas são tão fiéis ao real que parece fotografia e não animação. Cada detalhe aparenta ter sido milimetricamente planejado. As penas do Blu, as penas da Jade, as penas da Jade serem mais bonitas que as do Blu (não sei se por ela ser o personagem feminino ou se por ela não ter sido criada em cativeiro), as penas, a voz e principalmente o olhar do Nigel que fazem ele competir de igual para igual com qualquer outro vilão de animação. Aliás, ele é o vilão da história, e não o seu dono.

Talvez a duração do filme seja um pouco longa (1h 40min) para uma criança. Acho que a aventura de salvar as ararinhas azuis da extinção e as outras aves do tráfico poderia ser um pouco mais curta, mas também não sei dizer qual cena poderia ser descartada. Um paradoxo, talvez. Mas, por incrível que pareça, mesmo que o Yves soltasse uns bocejos de vez em quando, ele não pediu nem uma vez para ir ao banheiro e quis ficar até os créditos finais para ver as "fotos". Quem já levou criança ao cinema sabe quão difícil é manter elas quietas e atentas durante o filme todo.

A animação, de um modo geral, é muito boa. A história é boa (e que nós sabemos que realmente acontece) e nos deixa ansiosos esperando "a bandidagem" se dar mal logo. E quando eu digo a bandidagem, eu falo da Nigel (que eu acho que é uma cacatua, mas me corrijam se não for) e seus comparsas, os traficantes de animais.

Os traficantes são outro clichê: moram no morro, dois são meio bobões, como qualquer ajudante de vilão e um deles é a cara do Dadinho (Dadinho é o c@%$&*!%, meu nome é Zé Pequeno, P*¨#%@). O menininho pobre, órfão e negro com a camisa da seleção também. Mas ele é uma gracinha.

Eu vi dublado e sem 3D. Infelizmente não tive oportunidade de ouvir a dupla Anne Hathaway e Jesse Eisenberg trabalhando. Mas a dublagem em língua portuguesa estava ótima, então não senti falta. A trilha sonora, feita por Sérgio Mendes foi do tipo feita "para gringo ver". Não vi em 3D porque eu fico tonta.

Mesmo com os clichês, Rio é uma ótima animação, as crianças, principalmente, vão adorar. O Yves adorou. Passou o resto da noite dizendo que tudo era "desnecessário" e que tinha gostado de todas as cenas. E se ele, que é uma criança gostou, quem sou eu para criticar o filme?

Sigam-me os bons!
@erickacris

Um comentário:

  1. A criança que mora em mim também gostou muito. E como você mesma já disse, o filme não parece desenho, parece fotografia. Perfeito mesmo nesse quesito. Adorei ver os lugares que eu conheço em desenho, toda hora ficava lembrando de onde eu estive.
    E sim, é para gringo ver mesmo. E de certa forma, eu concordo. Estou cansada de ver (e ouvir) falar mal sempre do Brasil. Ainda que tenhamos muita coisa para corrigir, aqui tem muita coisa boa e bonita de se ver.
    Com relação ao samba durante todo o filme, discordo falar que é desnecessário. O filme se passa em pleno carnaval, quando as pessoas dançam sim no meio da rua e em qualquer lugar que dê na telha. Isso qualquer pessoa que passou um carnaval no Rio pode confirmar.
    A única coisa negativa do filme, para mim, vai ser o aumento substancial de gente me perguntando se eu sei sambar...

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