segunda-feira, 25 de abril de 2011

Comencrítica de Pânico 4


Por Davi de Castro

Quinze anos após a estreia da franquia, Panico 4 tenta se renovar e diverte fazendo piada de si mesmo

“A tragédia da geração passada é piada para a próxima”, discursou o xerife Dewey (David Arquette), um dos mais desengonçados, ou melhor, mais incompetentes que já vi nos cinemas. Essa frase basicamente justifica o roteiro do filme de “terror” Pânico 4, mais de uma década após o lançamento da até então trilogia Pânico (1996, 1997 e 2000), que renovou o gênero e foi o pioneiro de uma série de filmes na mesma linha.

Pânico 4 vem com a proposta de dar um upgrade a estória sob o argumento de que uma nova década traz novas regras. Tenta, assim, contextualizar à sociedade atual, tentando perpassar os clichês e todos os truques já batidos há um bom tempo. E, claro, não consegue. Mas o interessante é notar que o próprio filme não se leva a sério e faz piada escrachada de si mesmo, de seus criadores (os mesmos de Jogos Mortais e Atividade Paranormal) e de todo o gênero terror/suspense. Na mesma linha da série, aqui também há metalinguagem e humor negro, só que numa dose mais exagerada. Lembram-se da série de besteróis americanos “Todo mundo em pânico?”, uma sátira deste filme? Pois é, Pânico 4 se aproxima bastante dessa linha, é uma tragicomédia, um terror trash, com doses absurdas de sangue e suspense exagerado, onde se tivermos dois momentos que assustem realmente o espectador é muito.

O legal desse besteirol é o fato de que ele traz parte dos atores que viveram a trilogia, os “sobreviventes” do massacre de Woodsboro: a imortal Sidney (Neve Campbell), a intrometida Gale (Courteney Cox) e o bundão xerife vivido por Arquette. Novos personagens, como não podia ser diferente, entram em cena e dão o tradicional caráter adolescente à trama, em diálogos fracos e bem colegiais, como Emma Roberts e a eterna cheerleader de Heroes, Hayden Paniettiere. As atuações são dignas de premiações – Framboesa de Ouro vai ter dificuldades em selecionar apenas um.

O enredo é que Sidney volta à sua cidade natal para lançar um livro de auto-ajuda em que fala como saiu da escuridão após sobreviver ao Ghostface, o psicopata que usa a caricata máscara. Só que, com a chegada da moça, novas mortes começam a acontecer. O assassino, ou alguém querendo seguir seus passos, está de volta. Dessa vez, além do típico telefonema, ele conta com mais recursos tecnológicos – filma também os assassinatos. O psicopata, na verdade, quer fama e sua identidade surpreende (sem spoilers!). Difícil não associar um pouco à história dos Richthofen – quem assistir entenderá.

Na sessão em que assisti, o filme foi bastante aplaudido – em vários momentos um tanto, digamos, épicos. O público não se contentou, risadas e palavras de emoção dominaram a plateia. Era muita genialidade! Personagens de bravuras tão indômitas e senso crítico aguçado que não pestanejavam em correr ao encontro do assassino. Apesar de todos esses elogios, o desenrolar da trama foi interessante e contrastante a tudo o que vinha sendo apresentado. Mas, demorou pouco até tudo voltar aos eixos e o filme se encerrar me transmitindo um memorável pensamento, que se encaixa até em outra sessão da Central de Cinema: “Até que enfim. Nunca mais. Nem de graça!

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Um comentário:

  1. Realmente esse filme deixou muito a desejar, muita promessa e nada de terror. O pior é que o filme algem de comédia, é extremamente exagerado e mostrou que não tem mas nada para explorar, já é hora de renovar, inventar outro tipo de terror!

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