domingo, 13 de março de 2011

Minha primeira noite em preto e branco com Woody Allen



Sábado #ForeverAlone em casa e eu resolvi diminuir a minha lista de filmes 'em espera' para assistir. Aleatoriamente eu puxei do box do Woody Allen o filme Manhattan. Confesso que ainda não o tinha assistido porque ele é em preto e branco. Achei que ia dormir porque "sem cor fica meio monótono", eu pensava. O incrível foi perceber que, depois de alguns minutos, você não percebe a "ausência" das cores. Elas simplesmente não fazem falta nesta grande obra do meu diretor favorito.

Assim como outros filmes de Allen, Manhattan fala sobre relacionamentos modernos (frustrados, na maioria das vezes) e é claro, tendo Nova York como palco. Os diálogos são intensos, do tipo Allen neurótico e pessimista de ser.

Woody Allen incorpora, desta vez, Isaac Davis, um quarentão que namora  uma garota de 17 anos (Tracy, interpretada por Mariel Hemingwey) e que tem uma ex-esposa lésbica (Meryl Streep). Mary (Diane Keaton) é amante de um amigo. No primeiro encontro os dois parece ter gostos completamente opostos, mas fica bem óbvio que eles vão ter um caso. Só não dá para prever qual vai ser o desfecho. Todas as possibilidades trágicas e cômicas são possíveis.

Este foi o primeiro filme em preto e branco do diretor. Vejo que foi uma escolha muito acertada. As cenas ficaram mais melancólicas na hora da melancolia e Nova York ficou um tanto mais bonita, mais romântica, mais poética. Ele se aproveitou também para criar um "suspense-romântico" em certas cenas, como quando se ouve a voz de Isaac e Mary, mas nenhuma imagem é mostrada. "Eles estão se beijando? Estão se abraçando? Estão dando uns amassos?" A imagem volta e eles estão perto um do outro o suficiente para que qualquer um dos meus pensamentos acontecessem; mas era só um flerte.

Merly Streep estava lindíssima e já dava sinais de que seria a diva que é atualmente. Ela interpreta a ex-esposa de Isaac e que está escrevendo um livro sobre a sua relação com ele. Ele se sente ofendidíssimo antes mesmo da publicação do livro, pensando nos detalhes íntimos que a ex revelaria. Quando o livro foi publicado ele fica mais ofendido ainda porque ela o "qualifica" como narcisista e outras coisas, mas que pelo menos chora quando vê ...E o Vento Levou. Além disso, ela conta que pretende vender os direitos do livro para virar filme.

O filme mostra como o que a gente quer pode ser intenso, ou ainda "eterno enquanto dure": Isaac não sabe se quer ou não quer ficar com Tracy. Ela é imatura, é jovem e bonita, tem toda uma vida pela frente. Ele a incentiva a não se apaixonar por ele, a não se amarrar. Mas foi com ela o melhor relacionamento que ele já teve. É o clássico/clichê "só dar valor depois que perde". O amigo casado e que tem um relacionamento com Mary ama a esposa, mas diz que não para de pensar em Mary. Mary, por sua vez, se sente mal por estar se relacionando com um homem casado, mas não quer que ele se separe porque não é uma destruidora de lares e, na verdade, diz não querer nada sério. E tudo isso pode mudar também.

Woody Allen consegue falar de relacionamentos com tamanha naturalidade que é possível enxergar a própria história ou a de um conhecido. O namoro de um homem mais velho com uma menor de idade (que normalmente seria asqueroso, mas ele o torna "fofo") e o adultério, que está bastante presente em nas obras dele. É uma das marcas dos relacionamentos fracassados que ele tanto gosta de retratar. Infelizmente não aprofundou no relacionamento homossexual da sua ex-mulher. Ele apenas não entende como foi trocado por uma mulher. A mulher em questão, se tem duas falas, é muito.

Manhattan é daquele tipo de filme para você assistir sozinho numa madrugada qualquer. É um ótimo filme para se perder o preconceito com os filmes em preto e branco. É um ótimo filme de Woody Allen. É um ótimo filme, que é também mais uma declaração de amor do diretor à linda e apaixonante Nova York.

Bateu aquela curiosidade pra ver o filme? Na Livraria Cultura tem.

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