quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O que a compra de um filme no camelô pode fazer pelo país

Fonte: My Opera




Já virou rotina ver um filme que ainda não entrou em cartaz nas salas de cinema brasileiras ser encontrado na banca do camelô na esquina. “É três por dez (reais), chefia”, diz o ambulante. Quem compra pensa que fez um ótimo negócio.

Mas assunto deste artigo não é qualidade da imagem de um filme pirata ou que a prática é uma alternativa às altas taxas de desemprego ou uma revolta contra os preços dos ingressos. O que eu quero mostrar é o que a pirataria de filmes pode fazer pelo país.

De acordo com a APCM (Associação Antipirataria Cinema e Música) cerca 59% dos DVDs comercializados não sejam originais. (Tem mais pirata que original nas prateleiras dos consumidores). Já foram apreendidos mais de 38 milhões de CDs e DVDs piratas.

E se você acha que pirataria é um crime leve e inocente, já que o Sr. Camelô só faz isso porque tem contas a pagar, olha essa: em uma reportagem publicada na Folha, em 2007, o então secretário-executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto, que também era presidente do Conselho Nacional de combate à pirataria revelou:

A produção e a distribuição de DVDs e CDs piratas no Brasil são comandadas por redes mafiosas envolvidas com a corrupção de agentes públicos e com a lavagem de dinheiro”.

E tem mais: um relatório feito pela Rand Corporation (EUA) mostrou que a máfia está se interessando cada vez mais pela venda de filmes piratas. 


De acordo com o documento, as organizações ligadas à máfia ou a grupos criminosos adicionaram a pirataria a sua gama de atividades, ao lado do tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, extorsão e tráfico de seres humanos". Diz uma outra reportagem da Folha, de 2009.


Uma reportagem recente do r7 mostra que os policiais do Rio de Janeiro já perceberam que os traficantes estão ampliando o faturamento com a fabricação e venda de filmes piratas. Além disso, as lojinhas nas favelas que vendem os produtos pirateados são usadas como fachada para lavagem do dinheiro obtido com a venda das drogas.


"Pesquisas feitas por institutos internacionais indicam que os lucros com a pirataria são quase o dobro do tráfico de drogas. A pena para a pirataria é menor. A pessoa fica no máximo de três a quatro anos presa. Há uma certa conivência da população com esse tipo de delito. Além disso, o custo para a produção destes produtos é baixa. Um laboratório de mídia pirata pode ser montado por apenas R$ 20 mil."

Quer dizer: você que já comprou uma cópia pirata de Cisne Negro e aquele conhecido que fuma um baseado ou cheira uma carreirinha, podem estar engordando os bolsos do mesmo mafioso (ou traficante, ou criminoso). O que ele faz com esse dinheiro? Investe no negócio: compra mais produto e investe pesado em segurança (no popular: compra mais drogas para vender e armas pesadas para manter a polícia longe).

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