segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

E o Oscar vai para ... Toy Story 3


Por Lucas Madureira, a convite do Central de Cinema

O filme final da trilogia Toy Story concorreu no último domingo, 27/02, a cinco categorias do Oscar 2011. São elas: Melhor Longa de Animação, Melhor Canção Original, Melhor edição de Som, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Filme.

O sucesso da Disney Pixar venceu como Melhor Animação e Melhor Canção Original, com We Belong Together. Sou meio suspeito para falar, mas acho que mereceu os Oscars que levou. Ainda torci para ter uma zebra e conseguir levar o de Melhor Filme também, mas este foi apenas um sonho.

O longa mostra, de uma forma linda e emocionante, o destino de Woody, Buzz e o resto dos brinquedos, já que Andy, o dono, cresceu e vai para a faculdade e tem que decidir o que fazer com os eles. Eles passam por uma aventura cheia de perigos e surpresas. Vale à pena conferir o que acontece com toda a turma.

Vencer como melhor animação era óbvio, por mais que Como Treinar Seu Dragão e O Mágico estivessem na briga e o primeiro ser um concorrente considerável, Toy Story 3 se tornou uma história épica que marcou toda uma geração, além de ser muito bem produzido.


Na categoria de Melhor Canção Original estavam concorrendo Toy Story 3, com We Belong Together, Enrolados, com “I See the Light”, 127 Horas, com “If I Rise, e Country Strong, com “Coming Home”. Na minha opinião, o que ainda tinha alguma chance de legar como Melhor Canção Original era Enrolados. Mas como já falei, sou suspeito, pois amo as animações e desenhos da Disney e da Disney Pixar.

Confiram a letra de We Belong Together, de Randy Newman:

Don't you turn your back on me,
Don't you walk away.
Don't you tell me that I don't care,
Cause' I do.

Don't you tell me, I'm not the one,
Don't you tell me, I ain't no fun,
Just tell me you love me, like I love you.
You know you do.

When we're together,
Clear skies are clear, oh.
And I'll share them, till where I'm less depressed.
And it's sincerely, from the bottom of my heart,
I just can't take it when we're apart.

We belong together,
We belong together.
Yes, we do,
You'll be mine, forever.

We belong together,
We belong together.
Oh, it's true,
It's gonna stay this way, forever,
Me and you.

If I could really talk to you,
If I could find a way.
I'm not shy,
There's a whole lot I wanna say,
Oh of course there is!

Talk about friendship, and loyal things.
Talk about how much you mean to me.
And I'll promise, to always be by your side,
Whenever you need me.

The day I met you,
Was the luckiest day of my life.
And I bet you feel the same.
At least I hope you do.
So don't forget,
If the future should take you away,
That you'll aways be part of me.

We belong together,
We belong together.
Wait and see.
Gonna be this way, forever.

We belong together,
We belong together.
Honestly,
We'll go on this way, forever,
Me and you.
You and me...



Você já pode ter o filme Toy Story 3 em casa! Em DVD, Blu-Ray, ou ainda, DVD+camiseta.
A trilogia também está disponível em DVD e Blu-Ray.

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Framboesa de Ouro, cadê o reconhecimento?


A Cerimônia de “premiação” do Framboesa de Ouro acontece sempre às vésperas do Oscar. O Framboesa é uma paródia do Oscar, e premia o que vimos de pior nas salas de projeção dos cinemas. Tem crítico que adora falar mal dos filmes, colocar mil e um defeitos e tudo mais. Mas na hora de ver a sua opinião ser corroborada, cadê? Ninguém lembra do Framboesa de Ouro. Provavelmente, estavam todos se preparando para o evento da noite seguinte.

Foi muito difícil acompanhar a premiação ao vivo, já que eu não achei site que estivesse fazendo a cobertura em tempo real, muito menos links de streaming para assistir. O que eu achei foi o Twitter do Framboesa de Ouro, que se limitava a tuitar “Fulando de Tal ganhou Categoria Lálálá”. Poxa, cadê a emoção do evento, as gargalhadas, os constrangimentos?

Na manhã seguinte, alguns sites noticiaram quem “ganhou” em cada categoria. Mas tudo muito frio, sem os detalhes. Ainda não descobri quais os homenageados presentes e quais foram as reações e coisas do tipo. É muito fácil falar mal, mas na hora da cobertura dos piores, os críticos e portais trocam o Framboesa de Ouro pelo glamour do Oscar (e olha que eles nem são concorrentes diretos pella audiência).

Os grandes premiados da noite foram O Último Mestre do Ar e Sex and The City 2. Como em toda premiação, houve decepções. Fãs às avessas da Saga Crepúsculo se perguntaram: Nenhum prêmio? O consolo foi Jackson Rathbone, que conseguiu atuar duplamente mal, tanto em O Último Mestre do Ar como em Eclipse. Com relação a Sex and The City, não tenho reclamações a fazer. Só acho que ele é um filme feito para as fãs do seriado, e provavelmente só elas gostaram do filme, como se ele fosse um episódio a mais para matar a saudade da série. Um filme de mulherzinha.

Espero que ano que vem a cobertura seja melhor. Falar dos melhores e do glamour é muito fácil. A recompensa de quando você “perde” seu tempo e dinheiro assistindo um filme que é ruim é vê-lo sendo agraciado com uma bela Framboesa.

A minha decepção foi com Fúria de Titãs. Como assim ele não foi premiado? Faltou o reconhecimento do “grande” trabalho.

Lista dos Ganhadores do Framboesa de Ouro 2011

Pior filme
A Saga Crepúsculo: Eclipse
O Último Mestre do Ar
Os Vampiros que Se Mordam
Sex and the City 2
Caçador de Recompensas

Pior ator
Jack Black - As Viagens de Gulliver
Gerard Butler - Caçador de Recompensas
Robert Pattinson - A Saga Crepúsculo: Eclipse
Taylor Lautner - A Saga Crepúsculo: Eclipse
Ashton Kutcher - Par Perfeito e Idas e Vindas do Amor

Pior atriz
Jennifer Aniston - Caçador de Recompensas e Coincidências do Amor
Miley Cyrus - A Última Música
Kristen Stewart - A Saga Crepúsculo: Eclipse
Megan Fox - Jonah Hex
Sarah Jessica Parker, Kim Cattrall, Kristin Davis e Cynthia Nixon - Sex and the City 2

Pior ator coadjuvante
Billy Ray Cyrus - Missão Quase Impossível
George Lopez - Missão Quase ImpossívelIdas e Vindas do Amor e Marmaduke
Dev Patel - O Último Mestre do Ar
Jackson Rathbone - O Último Mestre do Ar e A Saga Crepúsculo: Eclipse
Rob Schneider - Gente Grande

Pior atriz coadjuvante
Cher - Burlesque
Liza Minnelli - Sex and the City 2
Nicola Peltz - O Último Mestre do Ar
Barbra Streisand - Entrando Numa Fria Maior Ainda com a Família
Jessica Alba - The Killer Inside MeMacheteIdas e Vindas do Amor e Entrando Numa Fria Maior Ainda com a Família

Pior diretor
Jason Friedberg e Aaron Seltzer - Os Vampiros que Se Mordam
Michael Patrick King - Sex and the City 2
M. Night Shyamalan - O Último Mestre do Ar
David Slade - A Saga Crepúsculo: Eclipse
Sylvester Stallone - Os Mercenários

Pior roteiro
O Último Mestre do Ar
Entrando Numa fria Maior Ainda com a Família
Sex and the City 2
Os Vampiros que Se Mordam
A Saga Crepúsculo: Eclipse

Pior casal ou elenco
Jennifer Aniston e Gerard Butler - Caçador de Recompensas
O rosto de Josh Brolin e o sotaque de Megan Fox - Jonah Hex
Todo o elenco de O Último Mestre do Ar
Todo o elenco de A Saga Crepúsculo: Eclipse
Todo o elenco de Sex and the City 2

Pior sequência, versão ou paródia
O Último Mestre do Ar
Fúria de Titãs
Sex and the City 2
Os Vampiros que Se Mordam
A Saga Crepúsculo: Eclipse

Pior uso da tecnologia 3D
Cats and Dogs 2: The Revenge of Kitty Galore
Fúria de Titãs
O Último Mestre do Ar
Nutcracker 3D
Jogos Mortais 7 3D


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domingo, 27 de fevereiro de 2011

Crítica de Bruna Surfistinha


Por Davi de Castro, a convite do Central de Cinema

Raquel Pacheco trilhou o caminho mais improvável – e tortuoso – para o objetivo que tinha em mente: o autoconhecimento, como ela mesma revela ao término do filme. Sob o pseudônimo de Bruna, acrescido do apelido de “surfistinha” pouco depois, a jovem de classe média abandonou família e estudos para ingressar no mundo da prostituição. O porquê não é explicado de maneira objetiva ou retratado como deveria no filme. O roteiro apenas nos mostra que era uma jovem deslocada – como na relação, brevemente retratada, com seus pais e irmão adotivos e os colegas de classe. A transformação de Raquel em Bruna e como esta atingiu o estrelato é o cerne da questão.

Deborah Secco é quem dá vida ao drama de Raquel/Bruna. Na fase escolar da personagem, a interpretação da atriz não é muito natural, passa insegurança. Mas Deborah cresce em atuação quando a vida sexual da agora Bruna tem início na casa de garotas de programa chefiada por Larissa (Drica Moraes), responsável pela melhor atuação do filme. A interpretação das colegas de profissão de Bruna também não deixa a desejar e a construção da relação delas com a protagonista enriquece o enredo.

O diretor Marcus Baldini, estreante, faz escolhas precisas – e felizes – que retratam a temática sexual sem recorrer à apelação, tecendo as inúmeras cenas de sexo em um fio condutor para compor o drama pessoal da personagem. Outro aspecto positivo é a preocupação da produção em tratar o tema de forma natural, sem preconceito ou juízo de valor. Oferece, em contrapartida, condições para o próprio espectador realizar seu julgamento moral. O longa é ousado, tem cunho erótico, mas em nenhum momento chega a ser explícito, muito menos puritano – ainda bem! Há excelentes sequências que trabalham bem com primeiro e segundo planos, imprimindo estilo com o uso do desfocado e de diversas angulações, principalmente em cenas “calientes”. No entanto, acaba pecando pelo excesso – há desfoque demais, alguns desnecessários. Uma das melhores sequências é a passagem por vários quartos com os programas de Bruna, assim que ela começa a “bombar” no prostíbulo.

A carga dramática se suaviza nos momentos de humor – bem dosados e produzidos –, como na cena em que Bruna encarna de vez a sedutora fatal (aí Deborah atinge o tom da personagem e até surpreende) e tenta escapar de uma blitz, ao lado das colegas de quarto, persuadindo o guarda com seus "mui" generosos atributos físicos (confira!). A missão é realizada com êxito – é o início do pensamento de “eu tudo posso” de Bruna, subentendido adiante em outros atos. Outra cena hilária é a das garotas de programa no salão de beleza. Elas fazem um barraco e saem iradas porque são reprimidas por estarem simulando, em alto tom de voz, como figiam os orgasmos durante a "labuta".

Com a publicação de relatos de seus programas em um blog, Bruna conquista fama e passa a ganhar muito dinheiro, tornando-se uma das garotas de programa mais requisitadas do país. O deslumbre não demora e ela acaba se entregando às drogas. Quando chega ao fim do poço, é ajudada por Hugo (Cássio Gabus Mendes), seu primeiro cliente (memorável a cena do primeiro programa de Bruna, cuja expressão de dor e depois de superação encara a câmera como se desafiasse o espectador a refletir sua condição), um cara apaixonado por ela e de bom caráter que tenta convencê-la a mudar de vida. Mas Bruna gosta do que faz (é o que o roteiro nos induz a concluir, uma vez que falha em explicitar outros motivos para o que ela faz) e decide voltar à ativa por mais seis meses, tempo em que juntará fundos para viver tranquila e sem depender de ninguém a fim de encerrar sua carreira na prostituição.

O final, regado à belíssima Fake Plastic Trees, do Radiohead, que confere um ar melancólico, traz Bruna narrando uma reflexão sobre suas escolhas, resumindo-as em um válido aprendizado e conhecimento da verdadeira Raquel, antes de partir para mais um programa dos últimos, acreditem, 800, estimados pelo tempo que propôs até parar de vez. À porta, prestes a fechá-la, ela encara a câmera mais uma vez, como se demonstrasse não ter medo do julgamento de tudo aquilo que se passa na cabeça do espectador. Antes dos créditos finais, algumas frases sobre o rumo que levou Raquel Pacheco, ex-Surfistinha. O programa dela agora é esse: um bom entretenimento cinematográfico, sem mais. Vale pagar meia-entrada para conferi-lo.

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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Crítica de 'Bravura Indômita'



Por Davi de Castro, a convite do Central de Cinema

No típico clássico western, dominado por balas, chapéus, botas, esporas, roupas de couro, fivelas, cavalos e muitos cowboys em um ambiente semiárido, o que se destaca em Bravura Indômita (True Grit, 2010) é uma impiedosa e obstinada garota de apenas 14 anos, Mattie Ross (Hailee Steinfeld). Ela busca alguém com uma notável “bravura indômita” para vingar a morte de seu pai, assassinado pelo foragido Tom Chaney (Josh Brolin), em 1878.

O escolhido é Rooster Cogburn (Jeff Bridges), um “federal” exímio na arte de exterminar seus oponentes. O sujeito cobra de Mattie 100 dólares para aceitar a missão, recebendo um adiantamento de metade desse valor da exigente contratante, que faz questão de acompanhar de perto a execução do trabalho. Os dois seguem acompanhados do ranger texano LaBoeuf (Matt Damon), que visa uma recompensa com a cabeça de Chaney.

Menosprezada pela pouca idade no início, Mattie conquista o respeito dos dois durões com toda sua maturidade e perspicácia – ela certamente possui a melhor lábia do oeste norte-americano –, tornando-se alvo de disputa da atenção de ambos. Os conflitos não tardam a vir, com direito a deserção de LaBoeuf no meio da jornada por duas vezes.

A personalidade do trio protagonista é intrigante, renderia boas análises psicológicas a partir do roteiro deste faroeste cujo eixo não se estabelece em tensões psicológicas. Interessante notar como são apresentados sem idealismos, sem fantasias ou adornos. São falhos e não escondem isso, heróis e anti-heróis, sem julgamentos morais. Os diálogos são inteligentes e bem estruturados – assim como o roteiro, no geral –, apesar de intensos e rápidos. É preciso atenção para não se perder na leitura das legendas.

A direção de Joel e Ethan Coen (Onde os Fracos Não Têm Vez, 2008), os irmãos que têm reinventado o gênero western, é de tirar o fôlego, engrandecida pela magnífica fotografia de Roger Deakins. Destaque para as emblemáticas apresentações de Cogburn – em um contraluz que não revela totalmente sua face durante um julgamento, dando um ar de mistério à figura – e LaBoeuf – em um travelling que mostra o texano sentado em uma varanda fumando um charuto cuja fumaça sobrepõe seu rosto. O peculiar humor – por vezes, negro – dos Coen não fica de fora, como na cena em que um curandeiro vestido de urso aparece oferecendo seus serviços a Cogburn e Mattie.

A sintonia entre direção, fotografia, direção de arte, figurino e as grandes atuações torna Bravura Indômita uma bela obra, indicada a dez categorias no Oscar 2011. A estreante Hailee Steinfeld impressiona com a petulante Mattie, fazendo jus à sua precoce indicação à estatueta de coadjuvante. Bridges e Damon estão irretocáveis, sobretudo no esforço – eficaz – em carregar o sotaque (dizem que Damon amarrou liguinhas na língua para conseguir o efeito da fala enrolada do seu personagem).

O velho alcoólatra e caolho Cogburn, ao mesmo tempo que demonstra um coração duro e insensível, se compraz da triste e infeliz alma de Mattie, representando uma figura paterna e salvadora. A almejada vingança da menina se concretiza por suas próprias mãos, mas lhe imprime marcas eternas – e emocionantes na narração final do longa. Sua aparência infantil, de cabelos trançados, é apenas um contraponto de sua corajosa e destemida personalidade, cuja bravura é indomável, por essência.

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Leia também:
Crítica de 127 Horas
Crítica de O Vencedor









Bravura Indômita em Blu-Ray

Filmes do Woody Allen que todos deveriam assistir

Por Ericka Guimarães


Começo este texto fazendo a confissão de que e Woody Allen é o meu diretor favorito. Adoro os filmes dele, adoro a carinha que ele faz de hipocondríaco-pessimista-incompreendido (tipo essa da foto), adoro o jeito super irônico dele, adoro o modo como ele é apaixonado pela cidade em que nasceu.

Voltando ao foco do post: filmes do Woody Allen. Em vez de recomendar apenas um filme, vou indicar vários do mesmo autor (e esta lista tende a crescer, já que eu tenho 12 filmes dele em casa para assistir). Espero que gostem!

Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall - 1977)
Até o momento, este é o meu filme favorito (não só do diretor, mas de todos os filmes que já assisti).
Alvy Singer (Allen) é um humorista judeu divorciado que faz análise e se apaixona Annie Hall (Diane Keaton).


Logo nos primeiros instantes do filme ele faz algo inusitado para um filme que tenderia a ser verossímil: olha para a câmera e inicia um "diálogo". Não satisfeito, ele puxa Marshall McLuhan (e aí, galera da Comunicação, quem é Marshall McLuhan mesmo?) de trás de um pôster para que ele endosse a linha de pensamento dele. Alvy é um verborrágico incorrigível que só o próprio Allen saberia interpretar.


Durante o filme, podemos acompanhar o relacionamento de Alvy e Annie, sem uma ordem cronológica definida, mas sem um pingo de confusão. É um daqueles relacionamentos que nós julgamos perfeitos e esperamos que nunca terminem. Como em vários outros filmes do diretor, Nova York é a cidade pano de fundo para o longa. Ele retrara a loucura NY com uma pitada de neurose e boas doses de ironia.


Depois eu faço um post só sobre este filme, porque ele merece. Mas por hora fica a dica desse filme incrível, que ganhou Oscar de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Original.


A Rosa Púrpura do Cairo (The Purple Rose of Cairo - 1985)
Quando li a sinopse, achei que era um filme da "fase ruim" do Woody Allen, porque era meio sem noção (e olha que ser meio sem nição não é nada, se comparar com outros que eu já vi dele): Cecília (Mia Farrow), garçonete que, para fugir da vida que levava (época da quebra da Bolsa de Nova York, marido bêbado e desempregado em casa), vivia dentro das salas de cinema. Eis que um dia, depois de assistir várias vezes o mesmo filme (que se chamava A Rosa Púrpura do Cairo), o mocinho, Tom Baxter, (Jeff Daniels) sai da tela (Hã?) e foge com Cecília, para que ambos possam ter uma vida diferente, já que a dele era restringida às cenas do filme. Enquanto isso, o elenco do filme discute como o filme seria levado à diante sem um dos protagonistas. 


No meio dessa bagunça, aparece o ator que interpreta Baxter, Gill Sheperd (também interpretado por Jeff Daniels), que tem a missão de fazer o seu personagem voltar para a telona e acaba conhecendo Cecília, que fica dividida entre o amor prometido por um personagem de um filme (que, portanto, não era real) e um ator romântico.


Felizmente, as minhas expectativas com o filme não se concretizaram. A trama é sedutora ao ponto de você se envolver e acabar escolhendo um dos lados para torcer (eu fui #TeamSheperd até o final). É um sem noção que você consegue incorporar e, por alguns vários minutos, consegue acreditar que alguém realmente poderia sair de dentro de um filme.


Dica: prestem atenção nos diálogos entre o elenco do filme, que fica na tela esperando Baxter voltar. São muito engraçados.


Vicky, Christina, Barcelona (2008)
Gosto deste filme tanto por ele quanto pelas pessoas que me acompanharam na sessão. Foi uma época muito diferente e divertida da minha vida e o filme acabou marcando. Mas enfim. Não vou fazer uma sinopse do filme. Só vou destacar a atuação de Penélope Cruz. É um personagem tão intenso que você não sabe se ama ou se odeia aquela mulher que é capaz de tudo (tudo mesmo) para ficar com o homem que ama. As meninas, principalmente, vão acabar se identificando com as mulheres do filme: aquela que tem um relacionamento estável mas que não tem coragem de terminar quando se apaixona por outro, a louca apaixonada que faz tudo por amor (até mataria!) e a aventureira que topa tudo.


É um filme que transborda amor, em todas as suas formas.


Melinda e Melinda  (2004)


Sabe aquela frase senso comum que "toda história tem dois pontos de vista"? Pois é sobre isso o filme, que foge do senso comum ao contar uma mesma história da vida de Melinda de duas formas: uma comédia romântica ou uma completa tragédia. O filme surge de uma conversa entre amigos, uns vêem a vida de um modo mais positivo e outros são mais pessimistas. Foi a única vez que eu assisti a um filme com Will Ferrel e não o chamei de "babaca".


Então, o que acharam?

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O que eu aprendi com os filmes da Disney

Por Lucas Madureira, a convite do Central de Cinema


“...Amigo estou aqui
Amigo estou aqui
Os seus problemas são meus também
E isso eu faço por você e mais ninguém
O que eu quero é ver o seu bem
Amigo estou aqui
Amigo estou aqui

Os outros podem ser até bem melhores do que eu
Bons brinquedos são
Porém, amigo seu é coisa séria
Pois é opção do coração (viu?)...”

Esta música, tema da trilogia de Toy Story, expressa uma das mensagens mais disseminadas pelos filmes das Disney, a amizade. Quem nunca desejou ter um amigo como Woody e Buzz? Brinquedos que estavam sempre dispostos a lutar por seus amigos e seu dono.

Mas não foi apenas a amizade de Woody e Buzz que marcaram a vida de muitas crianças, jovens e adultos. Tod e Dodó, protagonistas de O Cão e a Raposa, se tornam melhores amigos, mas devido aos papéis que desempenham na sociedade não podem manter esse laço, pois Tod teria que caçar Dodó. A trama põe em prova a amizade dos dois, mas eles confirmam que independente do que a sociedade diz, eles podem sim ser amigos.

Mickey, Donald e Pateta expõem, em Os Três Mosqueteiros, que a amizade pode vencer qualquer problema, seja o vilão, o medo ou as trapalhadas. TJ e Max, em Pateta Radical, ensina que é sempre bom ter amigos por perto, amigos que nos fazem rir. E o que falar de Dori e Marlim (em Procurando Nemo)? Dori simplesmente larga tudo para ajudar o amigo a procurar seu filho no oceano. A mensagem é bem impactante quando Dori fala para Marlim: “Confia em mim. Confia em mim. É isso que os amigos fazem”.

Aladdin consegue ser amigo de um Gênio e de um macaco. O “ladrão por sobrevivência” faz de tudo para conseguir comida para seu macaco e abre mão do terceiro desejo, que abriria as portas para seu grande amor, para dar ao Gênio a liberdade.

Não poderia ficar de fora a amizade de Timão e Pumba (O Rei Leão), dois animais excluídos de suas comunidades por serem diferentes. Eles se unem e formam uma amizade que enfrenta tudo, inclusive os predadores, as hienas, para proteger um ao outro e o Simba.

Bu (Monstros S.A.) deixa de lado o medo que sente para ajudar o “Gatinho” (Sulley) quando ele mais precisou. Mike ajudou seu amigo, Sulley, quando ele mais precisou.

Ainda existem muitos outros filmes que nos ensinam sobre a amizade, como Mulan, Hércules, Carros ... Porém, vamos ficar com esses e encerrar a mensagem da amizade com o final da música de Toy Story.
“...O tempo vai passar
Os anos vão confirmar
Às três palavras que eu proferi
Amigo estou aqui
Amigo estou aqui
Amigo estou aqui”

E o amor? Tão presente nas tramas da Disney. Em Pocahontas, vimos que o amor vence o medo, o desconhecido, os preconceitos e as tradições impostas pela comunidade em que vivemos. Aladdin e Jasmine, assim como A Dama e o Vagabundo, precisam lutar contra o preconceito de classes sociais para viverem seu grande amor.

Simba mostra que mesmo não vendo a amada por muito tempo é capaz de guardar esse amor. Bela (A Bela e a Fera) ensina que o príncipe encantado nem sempre é o que se espera, mas se realmente houver o amor, nada mais importa. Quasímodo (Corcunda de Notre Dame) também passa a mensagem que as aparências enganam, que a beleza não é tudo.

Cinderela, Branca de Neve, Rapunzel, Ariel, Bela Adormecida e todas as outras princesas da Disney ensinam que o amor existe. Pode demorar um pouco mais, podem acontecer algumas adversidades, mas todos sempre enfrentam os problemas e acham sua cara metade.

Tarzan luta pelo seu amor. Luta contra os preconceitos de sua comunidade e contra sua própria família. Mostra que um sempre pode se adaptar ao outro.

A lista de amor da Disney é extensa e a cada desenho aumenta mais. Então, para podermos passar para as outras mensagens, ficamos com um trecho da música de Aladdin e Jasmin, Um mundo ideal.
“Olha eu vou lhe mostrar
Como é belo este mundo
Já que nunca deixaram o seu coração mandar
E a imaginação? Muitas crianças perderam sua imaginação, seu poder de sonhar acordado. Peter Pan, a eterna criança, demonstra que com um pouco de fé, tudo pode acontecer. Lúcia (As Crônicas de Narnia) instrui que as crianças são propensas a ver o que os adultos tem dificuldade, olhar além das leis que regem o universo. Peter e Lúcia dão valor em ser criança, de não estar preso ao mundo da lógica, do possível e do impossível. Alice no País das Maravilhas é um ótimo exemplo de estar aberta ao impossível.

Mulan também retrata um pouco de imaginação ao fazer amizade com um dragão, Mushu. Mas ela ensina muito mais que isso. Mulan é uma personagem determinada que diz e prova o quanto as mulheres podem ser fortes e enfrentarem os mesmos problemas que os homens.

Algumas das tramas relatam que nem tudo na vida vai dar certo, mas podemos continuar a viver e ser feliz mesmo assim. Quasímodo não conseguiu nada além da amizade de Esmeralda, mas mesmo assim se sentiu feliz por tê-la por perto.

Simba perde o pai quando ainda era um filhote, por causa de uma traição de seu tio Iscar. Ele foge por um tempo para não conviver com a culpa, mas acaba voltando e acertando as contas com seu tio. Encontra Nala, seu antigo amor, e sua mãe. Ele não tem seu pai novamente, contudo é feliz com os amigos e família.

Falando em família, A Família do Futuro, 101 Dálmatas e Lilo e Stich ensinam que mesmo não nascendo da mesma mãe, ou do sendo do mesmo planeta, pode existir uma família. “Ohana quer dizer família. Família quer dizer nunca abandonar ou esquecer, Stich". Os Incríveis é um filme que retrata a importância de ter a família por perto, que é ela quem nos socorre quando mais precisamos.

Essas foram algumas mensagens que a Disney passou. Poderia aprofundar em cada história e desenvolver suas características e mensagens, mas são muitos filmes e muitos ensinamentos transmitidos ao longo desses anos. Não se esqueçam, mesmo enfrentando adversidades, problemas na família, preconceitos de gênero ou classe, você pode prosseguir sua vida e ser feliz. Basta ser determinado, não perder a esperança e lutar pelo que deseja. Como mostra em todos os desenhos, o bem sempre vence o mal, pode demorar um pouco, mas a justiça, nem que seja a divina, é feita.
Vou vencer!
Seremos rápidos como um rio
Vou vencer!
Com força igual a de um tufão
Vou vencer!
Na alma sempre uma chama acesa
Que a luz do luar nos traga inspiração

O inimigo avança
Quer nos derrotar
Disciplina e ordem
Vão nos ajudar
Mas se não estão em condições de se armar e combater
Como vão guerrear e vencer?

Vou vencer!
Seremos rápidos como um rio
Vou vencer!
Com força igual a de um tufão
Vou vencer!
Na alma sempre uma chama acesa
Que a luz do luar nos traga inspiração...”
[Mulan - Vou Vencer]

Leia também: O Que eu Aprendi Com as Comédias Românticas

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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Crítica de '127 Horas'



Por Davi de Castro, a convite do Central de Cinema

A proposta de 127 Horas (127 hours, 2010) atiça a curiosidade já na sinopse. A ideia de transpor a história do alpinista Aron Ralston para os cinemas é ousada – e perigosa. Podia ser um sucesso ou uma verdadeira lástima. O diretor Danny Boyle (Quem quer ser um milionário?, 2008), no entanto, fica com a primeira opção e se reinventa, mostrando toda sua capacidade criativa com esse drama difícil de contar, cinematograficamente falando (afinal, é a história de um homem só em um único ambiente na maior parte do tempo). Mas Boyle surpreende e nos dá de presente essa interessante obra, que nos inquieta e acelera os batimentos cardíacos.


A história não é novidade, foi bem noticiada na época e virou até livro, cuja adaptação virou o filme aqui comentado. Trata-se do trágico episódio que mudou a vida de Aron Ralston (James Franco), que, em 2003, saiu de casa – sem avisar ninguém para onde iria – e foi se aventurar pelos canyons de Utah, nos Estados Unidos. Ele teve a infelicidade de cair em uma fenda e ficou com o antebraço preso entre uma pedra e a parede rochosa durante 127 horas, cerca de cinco dias, até decidir amputar o braço.  Durante esse período, Ralston luta pela sua sobrevivência, tendo de racionar a pouca quantidade água e comida que possuía na mochila.

Em contraste às sequências iniciais, em que o diretor apresenta o protagonista em total efusividade com a jornada que se inicia e ao lado de duas garotas que acaba de conhecer, com muitas cores e música, o filme ganha contornos dramáticos a partir da queda de Ralston.  O silêncio denota que algo deu errado – e muito.  As cenas da queda conseguem levar o espectador ao ambiente claustrofóbico o qual Ralston se encontra.

Com uma máquina fotográfica e uma filmadora, ele registra e eterniza sua situação, gravando depoimentos ao decorrer do tempo. Tempo. É sobre essa preciosidade que gira o enredo. Não apenas o tempo cronológico que põe em jogo a vida de Ralston naquela ‘prisão’, mas o tempo de vida que ele teve até então. O diretor mescla os momentos de tensão na fenda com lembranças de Ralston – seus defeitos e virtudes –, apresentando assim a personalidade e estilo de vida do alpinista.

O abatimento físico de Ralston não tira seu senso de humor, ele consegue fazer piada da própria situação, que de tão improvável certamente deveria tornar-se filme – e vira! Com o avanço das horas, o abalo psicológico não tarda a acometê-lo. Memória, delírios e sonhos/pesadelos passam a confundir e atordoar o alpinista, aumentando a aflição e arrependimento do personagem. Da mesma forma, a angústia por saber o final daquela história e o desejo de ver logo a sequência da esperada amputação, feita com um canivete cego que Ralston portava na mochila. A cena é atormentadora, difícil alguém conseguir assisti-la sem desviar o olhar, mesmo que acidentalmente.

Um dos pontos fortes do filme é a brilhante edição, que comunica com eficiência a proposta do longa, provocando sensações. A estética de dispor múltiplas telas, como no início do filme, e o excesso de tons pastéis é questionável. Um recurso metalingüístico desnecessário na obra, que se destaca em outra parte pela atuação impecável de James Franco. Conhecido por interpretar Harry, o melhor amigo de Peter Parker, em O Homem-Aranha, Franco consegue se desprender da mediana atuação e se mostra um ator maturo e pronto para desafios como o que acabara de enfrentar.

As chances de ele levar o oscar de melhor ator são poucas frente ao favoritismo – e real merecimento – de Colin Firth (O Discurso do Rei), mas a indicação já é suficiente para apontar o caminho que deve trilhar e que poderá lhe render ainda bons prêmios.

O conjunto da obra é muito bom e merecia até mais indicações que as seis a que concorre no Oscar 2011 (filme, ator, montagem, trilha sonora original, canção original e roteiro adaptado). 127 Horas é um daqueles filmes que faz você sair do cinema mudo, pensativo e feliz por estar bem e vivo. O recado que passa é claro e reflexivo, ainda que clichê: ao viajar, deixe as pessoas avisadas. Pode salvar vidas – ou pelo menos um membro do corpo, no caso.

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Crítica de 'O Vencedor'


Por Davi de Castro, a convite do Central de Cinema

A princípio, O Vencedor (The Fighter) parece ser apenas mais um filme de superação com temática esportiva. O arco dramático do conflito familiar do boxeador Micky Ward (Mark Wahlberg) e as poucas cenas de luta, no entanto, refutam o pensamento inicial sobre a película – que foi indicada a sete estatuetas no Oscar 2011 (melhor filme, direção, montagem, roteiro original e coadjuvantes). Primeiro, porque não há uma factual superação, em termos hollywoodianos – o “vencedor” está mais para um coitado que de tanto tentar acabou conseguindo vencer um campeonato de importância secundária. Depois, porque o esporte é relegado a segundo – quiçá terceiro plano. As relações familiares, suas complexidades e como elas podem nos direcionar são o ponto central da trama.


Baseado em uma história real, o filme se passa nos anos 1990 e conta a trajetória de Micky, um boxeador pouco talentoso que treina em uma academia do bairro pobre onde mora, em Boston, sob as instruções de seu irmão mais velho, Dicky Eklund (Christian Bale), um ex-boxeador cujo maior feito foi ter derrubado Sugar Ray Leonard em 1978 – luta que acabou perdendo, vale ressaltar. Empresariado pela mãe, Alice (Melissa Leo), ávida por disputas que remunerem bem, e treinado pelo irmão, uma figura meio boba, já desnorteado pelo uso de crack e sem compromisso com a preparação física, Micky não consegue treinar direito e não obtém êxito nas lutas até conhecer Charlene (Amy Adams), namorada que traz sensatez e induz atitudes ao passivo e conformado boxeador. É aí que o conflito atinge o ápice e o roteiro ganha impulso em uma narrativa bem conduzida, mas que cansa ao longo dos 115 minutos do filme, talvez por ser demasiadamente linear. O diretor David O. Russel (Huckabees - A Vida É uma Comédia, 2004) usa recursos técnicos e um estilo que faz O Vencedor parecer um documentário.

Talvez pela excentricidade, a história que mais atrai atenção é a de Dicky, interpretado magistralmente por Bale. É ele que nossos olhos procuram na tela e querem ter sempre ali, ansiosos por sua imprevisibilidade. A performance caricata ganha contornos já no próprio visual do ator, notoriamente abaixo do peso, de olhos abatidos e profundos e com uma iminente calvície – demonstrando, mais uma vez, seu nível de entrega a uma obra, como em O Operário, em que teve de emagrecer cerca de 28 quilos. O personagem de Bale rouba a cena, transformando-se no verdadeiro protagonista, tarefa auxiliada pelo fraco e apático desempenho de Mark Wahlberg, que é, inclusive, o produtor do filme. Neste ano, a Academia tem uma difícil tarefa quanto à escolha do melhor ator coadjuvante. Bale e Geoffrey Rush, de O Discurso do Rei, encabeçam a disputa. Pode ser a chance de a Academia se redimir por ignorar Bale em trabalhos incríveis como o já citado O Operário e O Psicopata Americano e premiá-lo pela primeira vez.

Outra que merece destaque é Melissa Leo por sua excelente atuação na pela da controladora e neurótica mãe, que proporciona boas risadas ao lado da extravagante trupe composta por suas inseparáveis sete filhas, muito bem inseridas e interpretadas. Leo é uma das favoritas a atriz coadjuvante no Oscar 2011, ao lado da colega de elenco Amy Adams, sua rival no filme.

Assim como a canção ‘Good Times, Bad Times’, do Led Zeppelin, que embala algumas cenas, o longa tem seus altos e baixos –  literalmente bons e maus momentos, em vários aspectos. Apesar da direção mediana de O. Russel, sem muita inovação ou ousadia, a cena inicial é um de seus bons momentos, quando após a rápida apresentação dos irmãos Micky e Dicky, que gravavam um documentário da HBO sobre Dicky, a câmera recua rapidamente dando lugar aos créditos do título do filme, como se o diretor convidasse os espectadores a imergirem num novo olhar sobre a peculiar vida dos dois. Nesse aspecto, ele cumpre o prometido e apresenta vários pontos de vista, perspectivas que possibilitam análise dos estereótipos ali representados, o que enriquece a trama.

O Vencedor é um bom filme, mas perto dos concorrentes ao título de melhor longa no Oscar desse ano, sua vitória torna-se pouco provável ou, no mínimo, perdida assim como o pacífico Micky – inerte em meio à acirrada briga, seja no seio familiar ou no ringue. O longa não empolga como similares do gênero, a exemplo de A Menina de Ouro (2004).

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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A Rede Social, o tapa buraco do Oscar



Por Thandara Yung, a convite do Central de Cinema

O Oscar de 2011 será histórico. Há anos não se vê uma disputa tão difícil pelo prêmio. Filmes intensos são favoritos na disputa. No meio deles (meio perdido), A Rede Social. Quando assisti ao filme do Facebook achei ele muito bom. Então vi os outros que estão concorrendo e não consegui mais enxergar o verdadeiro propósito de tanto entusiasmo por um filme que, nem de longe, é melhor do que os outros.

A Rede Social é um filme bom, muito bom na verdade. Mas a disputa contra Cisne Negro, O Vencedor e 127 horas chega a ser injusta (não tive tempo de assistir Bravura Indômita e o Discurso do Rei, logo não posso opinar sobre eles). Não há como comparar roteiro, fotografia, interpretação. Para mim, o filme nada mais é do que um "preenchedor de vaga", e tudo bem ser o quinto melhor filme do ano, mas o primeiro não é.

A história da criação e a ideia do Facebook são muito boas. Mark Zuckerberg (criador) é um belo de um nerd fdp que conseguiu fazer algo bem legal. A impressão que tenho é de que as pessoas querem premiar a ideia da criação do site e estão fazendo isso com a indicação ao Oscar. A ideia merece prêmio, o filme nem tanto assim.

Jesse Eisenberg, que dá vida a Zuckerberg, interpreta de forma primorosa o nerd babaca. Mas não há como comparar com a interpretação de James Franco em 127 horas, por exemplo. Franco prende, praticamente sozinho, as pessoas olhando para ele no cinema por uma hora e meia, "arranca" o próprio braço em cena, definha, sofre, quase morre. Qual foi o grande desafio de Eisenberg para interpretar o criador do site? Andar de moletom e sandálias Rider? Então...

O roteiro de A Rede Social me agrada, mas não me impressiona tanto. Cisne Negro, por exemplo, intriga, instiga, incomoda. Os surtos da bailarina Nina são psicóticos e deixam o espectador tenso. Não senti essa emoção vendo a briga judicial entre Mark e seu amigo Eduardo Saverin.

Não assisti a todos os filmes do Oscar. Mas os que vi desbancam facilmente A Rede Social. Para mim, o Facebook não merece levar nada. Já ganhou muitos novos usuários com o sucesso do filme. E pode dar-se por satisfeito com isso. É pretensão querer ganhar dos titãs que competem esse ano.

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Leia também:
Crítica de O Vencedor
Crítica de 127 Horas

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O que a compra de um filme no camelô pode fazer pelo país

Fonte: My Opera




Já virou rotina ver um filme que ainda não entrou em cartaz nas salas de cinema brasileiras ser encontrado na banca do camelô na esquina. “É três por dez (reais), chefia”, diz o ambulante. Quem compra pensa que fez um ótimo negócio.

Mas assunto deste artigo não é qualidade da imagem de um filme pirata ou que a prática é uma alternativa às altas taxas de desemprego ou uma revolta contra os preços dos ingressos. O que eu quero mostrar é o que a pirataria de filmes pode fazer pelo país.

De acordo com a APCM (Associação Antipirataria Cinema e Música) cerca 59% dos DVDs comercializados não sejam originais. (Tem mais pirata que original nas prateleiras dos consumidores). Já foram apreendidos mais de 38 milhões de CDs e DVDs piratas.

E se você acha que pirataria é um crime leve e inocente, já que o Sr. Camelô só faz isso porque tem contas a pagar, olha essa: em uma reportagem publicada na Folha, em 2007, o então secretário-executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto, que também era presidente do Conselho Nacional de combate à pirataria revelou:

A produção e a distribuição de DVDs e CDs piratas no Brasil são comandadas por redes mafiosas envolvidas com a corrupção de agentes públicos e com a lavagem de dinheiro”.

E tem mais: um relatório feito pela Rand Corporation (EUA) mostrou que a máfia está se interessando cada vez mais pela venda de filmes piratas. 


De acordo com o documento, as organizações ligadas à máfia ou a grupos criminosos adicionaram a pirataria a sua gama de atividades, ao lado do tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, extorsão e tráfico de seres humanos". Diz uma outra reportagem da Folha, de 2009.


Uma reportagem recente do r7 mostra que os policiais do Rio de Janeiro já perceberam que os traficantes estão ampliando o faturamento com a fabricação e venda de filmes piratas. Além disso, as lojinhas nas favelas que vendem os produtos pirateados são usadas como fachada para lavagem do dinheiro obtido com a venda das drogas.


"Pesquisas feitas por institutos internacionais indicam que os lucros com a pirataria são quase o dobro do tráfico de drogas. A pena para a pirataria é menor. A pessoa fica no máximo de três a quatro anos presa. Há uma certa conivência da população com esse tipo de delito. Além disso, o custo para a produção destes produtos é baixa. Um laboratório de mídia pirata pode ser montado por apenas R$ 20 mil."

Quer dizer: você que já comprou uma cópia pirata de Cisne Negro e aquele conhecido que fuma um baseado ou cheira uma carreirinha, podem estar engordando os bolsos do mesmo mafioso (ou traficante, ou criminoso). O que ele faz com esse dinheiro? Investe no negócio: compra mais produto e investe pesado em segurança (no popular: compra mais drogas para vender e armas pesadas para manter a polícia longe).

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Por onde anda o elenco de A Noviça Rebelde?



Quando assisto a filmes antigos, fico me perguntando o que foi feito de cada ator. Com A Noviça Rebelde não foi diferente. Após 45 anos da estréia do filme, por onde anda o elenco da família Von Trapp?

Maria

Só percebi quem era a Maria na segunda vez que assisti. Julie Andrews é cantora e atriz. Hoje está com 75 anos. Fez vários filmes depois de A Noviça. Você pode vê-la em O Diário da Princesa e ouvi-la como dubladora da mãe da Fiona, a rainha Lilian, em Shrek. Tem um filme que foi feito para a TV americana que eu adoro, é o Eloise at the Plaza, que ela interpreta a babá da menina. Em 2003, ela dirigiu o espetáculo da Broadway The Boy Friend (que foi também o espetáculo de estréia dela). Em 2005, Andrews escreveu uma autobiografia intitulada A memoir of my early years. Atualmente ela é embaixadora da Boa Vontade das Nações Unidas para UNIFEM. Ela voltou a cantar publicamente num show realizado em Londres, em maio de 2010. O Broadway World anunciou que Julie Andrews faria uma participação especial em Glee, como a avó do Kurt. Dizem ainda que os produtores esperam que ela faça participações regulares.

Capitão Georg von Trapp

Aos 81 anos, Christopher Plummer pode ser visto em vários filmes recentes, como A última Estação (com o qual ele foi indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante) e ser ouvido na animação UP – Altas Aventuras na voz do explorador Charles Muntz (aquele que descobre “a” Kevin e é chamado de fraude pelos cientistas). Está também no remake de O Homem Que Não Amava as Mulheres, do diretor David Fincher (diretor também de A Rede Social). Dizem por aí que ele não dá muito valor para sua participação no filme e que por vários anos se recusou a falar sobre ele.

A Baronesa

Depois de interpretar Elsa Schrader, Eleanor Parker não emplacou nada grandioso. Seu último trabalho foi e, Dead of the Monkey, filme produzido para a TV, no papel de Catherine Blake.

Liesl

Charmian Carr, a atriz que interpretou a filha mais velha do Capitão von Trapp também não atuou em filmes grandes. Vive ainda como “a garota que interpretou Liesl”. Escreveu dois livros sobre a sua experiência de interpretar Liesl. Está com 68 anos.

Friedrich

Nicholas Hammond está com 60 anos e participou de vários filmes e de vários episódios em seriados. Os mais famosos foram 20 Mil Léguas Submarinas, Homem Aranha, (TV) Missão Impossível e Flipper. Fez também O Senhor das Moscas, antes de A Noviça Rebelde. Também é roteirista.

Louisa

Heather Menzies participou do filme Piranhas (1978) e Hawaii (1966). Posou para Playboy para tentar se livrar da imagem de “menina pura”. Tem uma produtora de filmes com Angela Cartwright, a Brigitta. Está com 61 anos atualmente.

Kurt
Atualmente, Duane Chase (60 anos), faz programas de computador para a área da geologia e geofísica. Casou-se com uma babá austríaca chamada Petra Maria (vários sites trazem isso como uma grande coincidência, já que a noviça rebelde era uma babá e era austríaca e se chamava Maria).

Brigitta
Depois de A Noviça Rebelde, Angela Cartwright participou de vários seriados para TV, mas sem muita repercussão. Interpretou Penny Robinson em Perdidos no Espaço (1965). Atualmente é fotógrafa.

Marta
Debbie Turner tem 54 anos é designer de flores e faz bonecos do Papai Noel que vende online. Já foi até campeã de corrida de esqui. Aparentemente não tentou outros papéis no cinema ou na TV.

Gretl
Kym Karath interpretou Gretl, a von Trapp mais nova. Após A Noviça, participou de séries como Perdidos no Espaço e Lassie. Mudou-se para Paris para trabalhar como modelo e estudar história da arte. Sua última participação na TV foi no seriado All My Children (1988). Está com 52 anos.


Em outubro de 2010 o elenco se reuniu no programa da Oprah. Foi a primeira vez que eles se reuniram depois das filmagens. A verdadeira família von Trapp também estava presente. Durante o programa, algumas curiosidades foram reveladas, como Christopher Plummer (o Capitão) ter ensinado Charmian, de apenas 16 anos na época, a beber. Uma outra curiosidade envolvendo Plummer é que ele ganhou muito peso durante as filmagens, o que obrigou que ele trocasse de figurino.

Quer matar a saudade? A Livraria Cultura tem o DVD, o Blu-ray, uma Edição Comemorativa e a Trilha Sonora (viciante!)

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